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Soma das exportações e importações totalizou US$ 5.91 bilhões, com alta de 22.55% sobre o quadrimestre de 2023

A corrente de comércio exterior do Amazonas se fortaleceu no quadrimestre. A soma das exportações e importações totalizou US$ 5.91 bilhões, constituindo uma escalada de 22.55% sobre o mesmo período do ano passado (US$ 4.82 bilhões). Os números são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e foram disponibilizados pelo site do Comex Stat. A base de dados aponta também índices de crescimento de dois dígitos para as aquisições de insumos estrangeiros para o PIM e também para as vendas no estrangeiro de manufaturados e produtos primários oriundos do Estado.

Em abril, as exportações somaram US$ 108.33 milhões, ficando 9,95% acima de março (US$ 98.53 milhões) e apenas 1,66% superiores à marca do mesmo mês de 2023 (US$ 106.56 milhões). As importações, que predominam na balança comercial do Estado, seguiram o mesmo caminho. Cresceram 4,69% na virada mensal, de US$ 1.28 bilhão para US$ 1.34 bilhão, e expandiram 47,25% no confronto com abril do ano passado (US$ 910.04 milhões). O quadrimestre rendeu altas de 22%, para as vendas externas (US$ 396.04 milhões), e de 22,72%, para as aquisições no estrangeiro (US$ 5.51 bilhões).

A análise trimestral, que é usada para captar tendências, indica que o movimento ainda é de recuperação para as importações e exportações amazonenses, após os meses mais duros da vazante histórica. As compras dos agentes econômicos do Estado no mercado estrangeiro somaram US$ 3.98 bilhões no trimestre encerrado em abril de 2024, 19,88% a mais do que no acumulado de novembro de 2023 a janeiro deste ano (US$ 3.32 bilhões). A mesma comparação confirmou expansão de 81,34% nas vendas externas do Estado, com US$ 396.04 milhões contra US$ 218.40 milhões. 

Insumos e manufaturados

Dominado por insumos para o PIM, o ranking de importações também teve alta nas compras de combustíveis e manufaturados prontos, em abril. Foi encabeçado por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 288.42 milhões); discos, fitas e outros suportes para gravação (US$ 135.74 milhões); e óleos de petróleo (US$ 68.91 milhões). Com 463 itens listados, a pauta incluiu ainda partes e acessórios para veículos de duas rodas (US$ 68.10 milhões); celulares (US$ 62.02 milhões); polímeros de etileno (US$ 59.01 milhões); e “partes reconhecíveis” para eletroeletrônicos (US$ 47.55 milhões).

Em abril, a China (US$ 510.37 milhões) renovou sua liderança entre os maiores fornecedores para o PIM, com elevação de 58,23% na comparação com um ano atrás (US$ 322.55 milhões). As demais colocações foram ocupadas por Vietnã (US$ 115.78 milhões), Estados Unidos (US$ 110.52 milhões), Coreia do Sul (US$ 98.95 milhões), Taiwan/Formosa (US$ 80.85 milhões), Japão (US$ 66.31 milhões), Rússia (US$ 60.71 milhões), Indonésia (US$ 35.70 milhões), e Índia (US$ 34.69 milhões), entre as 81 nações que venderam produtos ao Estado, no mês passado. 

Do lado das exportações, os Estados Unidos (US$ 26.82 milhões) tomaram a liderança da pauta, sendo sucedidos imediatamente por China (US$ 15.74 milhões) –que adquiriu basicamente ferro-ligas/nióbio (US$ 14.62 milhões) –e Alemanha (US$ 13.84 milhões) – cujas transações praticamente se resumiram a ouro (US$ 31.76 milhões). Entre os 72 destinos, destacam-se também Bolívia (US$ 7.54 milhões), Colômbia (US$ 6.47 milhões) e Argentina (US$ 6.17 milhões), entre outros, que compraram prioritariamente manufaturados do Polo Industrial de Manaus.

A pauta amazonense de vendas externas foi liderada, desta vez, por óleos de petróleo (US$ 22.56 milhões), em um rol de 309 itens. Preparações alimentícias/concentrados (US$ 18.46 milhões), que costumam frequentar o topo do ranking dos embarques do Amazonas ao exterior, desceram para a segunda posição, sendo seguidas por ferro-ligas/nióbio (US$ 15.15 milhões), ouro (US$ 13.76 milhões) e motocicletas (US$ 13.68 milhões). Os próximos manufaturados do PIM aparecem na sétima, décima e 17ª colocações em diante: barbeadores (US$ 2.31 milhões), “máquinas e aparelhos para escritórios” (US$ 1.36 milhão) e isqueiros (US$ 556.612).

“Ótima recuperação”

De acordo com o diretor adjunto de Infraestrutura, Transporte e Logística da Fieam, coordenador da Comissão de Logística do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Augusto César Barreto Rocha, os números da balança comercial do Amazonas indicam uma “ótima recuperação” para o Polo Industrial de Manaus, assim como uma eventual formação de estoques para as indústrias não ficarem sem insumos na vazante deste ano. Para o especialista, o cenário segue positivo para o comércio exterior do Amazonas.

“Os números parecem ir além do que é recuperação de perdas com a estiagem de 2023 e preocupações com 2024. A flutuação com insumos industriais positiva parece indicar um início de estocagem para enfrentar a potencial seca de 2024, somada com provável crescimento do PIM num período próximo. Entendo que o mercado interno segue comprador, com a redução do desemprego, e apresenta bons sinais para a indústria. Já a questão cambial parece ter se estabilizado, dadas as intervenções na China e nos EUA – essa é mais uma questão macroeconômica global do que nacional, em minha opinião”, analisou.

No entendimento de Augusto César Barreto Rocha, os dados também mostram potencial não explorado no comércio exterior amazonense. “A compra de combustíveis segue sendo uma tendência que merece atenção. A questão da paridade do preço do combustível com a condição internacional poderia ser repensada”, apontou. “A venda de produtos manufaturados do PIM parece ser ainda uma grande oportunidade pelos números adicionais. Parece ter uma oportunidade enorme não explorada, e valeria a pena entender as razões mais profundas, sobre onde está a baixa competitividade nossa”, emendou.

“Novos mercados”

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima, ressaltou que os dados de importações seguem “dentro do esperado”. Na análise do especialista, os números indicam retorno à normalidade do fluxo logístico e aumento na quantidade de vendas de componentes do PIM, oriundas da China e demais fornecedores asiáticos. 

“Nas exportações, há uma ascendência muito grande do ouro, em volume que tem surpreendido. É um produto que tem se tornado muito atrativo para o mercado internacional, principalmente a Europa. Com relação aos manufaturados do PIM, há a pulverização dos concentrados para os demais países da América Latina. Ainda não temos motivos para preocupações. Acredito que o comércio exterior tende a crescer em 2024, por conta da abertura de novos mercados”, arrematou. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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