Solidariedade é o amor em movimento

A frase é atribuída a Guiomar Albanesi, uma ativista de movimentos de amor ao próximo, e traduz, exatamente, o sentimento afetuoso de empatia que se estabelece nas relações humanas, mas não apenas. Os seres vivos são naturalmente solidários, com perdão de Charles Darwin. Neste momento de escuridão de certezas, imposto pela Pandemia das surpresas sinistras, como nunca, vimos aflorar ações efetivas de movimentação do amor ao próximo. Em casos de tragédia extrema como a que vivemos, solidariedade se transforma em misericórdia, a  manifestação singela da compaixão entre os corações, no sentido de afinidade de sentimentos, que acolhe e promove a dignidade das pessoas. 

Atitudes em lugar de discursos

O conceito de solidariedade foi ganhando nuances culturais e econômicas ao longo dos séculos. Entretanto, sua raiz conceitual e fraterna permanece como um sentimento dos mais adequados para descrever a alma humana em todas as religiões, notadamente no Cristianismo, onde o gesto radical da solidariedade se traduz em doar a própria vida como prova de amor ao próximo, ou seja, a chamada solidariedade em movimento, que transforma pregação em atitudes.

Além das obrigações, o compromisso

Este é o fundamento da campanha das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus, através de suas entidades, FIEAM, CIEAM, ELETROS e ABRACICLO, inspiradas no célebre movimento nacional de combate à fome, do sociólogo Herbert de Souza, o carismático Betinho, para quem “Quem tem fome tem pressa”. O mérito dessa iniciativa é dela ser gerada no âmbito do setor privado, que tem a própria responsabilidade social prevista em Lei. Ou seja, as empresas já cumprem, religiosamente, sua parte. No caso de Manaus e região, entretanto, essa responsabilidade tem uma diversificação e extensão particulares, posto que suas ações de caráter social, historicamente, incluem provimentos de fundos, transformados em Lei, sem a necessidade da obrigação. Fundos de interiorização do desenvolvimento, da Universidade do Estado do Amazonas, das micro e pequenas empresas, mais de R$ 1,3 bilhão/ano.

A fome dói

Em dois meses de Pandemia, comércio fechado, à exceção dos produtos de primeira necessidade, os estoques das indústrias foram-se abarrotando ao limite da redução de quadros funcionais em alguns casos. Ao mesmo tempo, os autônomos, os empreendedores da economia informal, diversas categorias de serviços, foram alguns dos segmentos que acusaram a penúria e  a fome sem tardança. E fome está associada à necessidade de continuar vivo. Pois à fome não saciada leva à morte. Quem já a experimentou sabe o quanto dói.

Aplausos justos

Daí os merecidos aplausos a essa iniciativa de solidariedade para aplacar a fome de parcelas crescentes do tecido social. Distribuir cestas é um exercício de extrema nobreza e emergência, além de garantia fraterna de manutenção da ordem social. Alimentado dignamente, o indivíduo pode participar integralmente das tarefas, ações e oportunidades colocadas pela vida e pela sociedade. Instala-se o bem comum pois, somente depois de atendida essa necessidade básica, o ser humano se humaniza no mesmo sentido solidário que conduziu aqueles que se empenharam no desafio da saciedade alheia.

Amparo constitucional duplo

A solidariedade, por isso mesmo, está situada num patamar de mandamento constitucional. No caso da Zona Franca de Manaus, como instrumento de redução das desigualdades regionais, o programa e suas ações solidárias ganham amparo duplo, pois a solidariedade social nele embutida é declarada como o objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, ao buscar a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Vida longa aos inspiradores e promotores da iniciativa. E se a fome tem pressa, a dignidade das pessoas e a partilha de oportunidades entre todos precisam ser revistas.

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Fonte: Cieam

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