10 de abril de 2021

Societé Générale lança ampliação de capital

A emissão de novas ações é necessária para " reforçar o patrimônio da companhia", após a fraude cometida contra o banco pelo operador Jérôme Kerviel, descoberta nomês passado, segundo dados do próprio banco

O banco francês Société Générale lançou ontem uma nova operação de ampliação de capital de US$ 8 bilhões para restabelecer sua situação financeira após a fraude atribuída a um de seus operadores.
Segundo o banco, serão oferecidas novas ações a US$ 69,13 -cerca de 39% abaixo do valor com que as ações do banco fecharam o pregão na última sexta-feira, US$ 112,80. Os acionistas atuais do banco terão preferência na subscrição para a compra das novas ações e poderão adquirir uma ação nova para cada quatro das que já possuem.
A emissão de novas ações é necessária para “reforçar o patrimônio da companhia”, após a fraude cometida contra o banco pelo operador Jérôme Kerviel e descoberta no mês passado, informou o Société Générale em uma nota.
O período de subscrição ocorrerá entre os dias 21 e 29 deste mês, e o processo será conduzido pelo JP Morgan Chase, pelo Morgan Stanley e pelo Société Générale Corporate & Investment Banking. Na semana passada, uma corte de Paris determinou que Kerviel fique sob custódia da polícia enquanto as investigações do caso prosseguem. Ele é acusado de ser o responsável por um esquema de fraude que custou ao banco uma perda de mais de US$ 7 bilhões. No mês passado, após a divulgação da fraude, o próprio Kerviel já havia sido detido para interrogatório mas foi liberado poucos dias depois; o advogado dele alegou que não havia motivo para a prisão, uma vez que não havia o risco de ele fugir do país.
Também na sexta-feira, a polícia da França começou a interrogar um segundo operador suspeito de ter conhecimento da fraude. Segundo o jornal “Le Monde”, o segundo operador trabalhava para uma afiliada do Société Générale, antes chamada Fimat, e agora chamada Newedge.
O texto diz ainda que o banco forneceu novas provas à polícia, de que Kerviel enviou uma mensagem para o segundo operador sobre o sistema de computadores do banco -a mensagem (enviada em 30 de novembro) diz: “Você não fez nada ilegal nos termos da lei”.
O Société Générale ainda anunciou uma redução de cerda de cerca de US$ 3,7 bilhões em seus títulos relacionados com créditos de risco. O valor é maior que o que havia sido anunciado em janeiro -cerca de US$ 2,99 bilhões. O valor anunciado no mês passado dizia respeito apenas ao quarto trimestre e não incluía as perdas relacionadas a títulos lastreados em hipotecas residenciais, diz o banco.
Em 2007, no entanto, o lucro líquido foi de US$ 1,37 bilhão, acima da margem de US$ 873 milhões a US$ 1,16 bilhão estimada no mês passado.
A fraude de que o Société Générale (um dos mais lucrativos bancos europeus, fundado há 140 anos) foi alvo, no valor de US$ 7 bilhões, supera a soma dos lucros dos bancos Itaú e Bradesco nos nove primeiros meses de 2007. O banco alega que Kerviel assumiu uma posição de 50 bilhões de euros (cerca de US$ 73 bilhões) no mercado de derivativos -muito acima do que tinha autoridade para fazer. O golpe ocorreu com operações com papéis chamados de “plain vanilla” -instrumento financeiro de tipo mais simples, em geral na forma de opções de ações, títulos ou contratos futuros. Kerviel abusou, assim, do acesso que tinha a informações sobre os sistemas de segurança do grupo.
Kerviel, no entanto, diz que seus superiores sabiam do que ele fazia e preferiram não tomar conhecimento de suas operações. Os advogados de Jerômé Kerviel afirmaram que a instituição quer, com o caso, levantar uma cortina de fumaça para encobrir perdas maiores, principalmente com créditos imobiliários “subprime” (de alto risco) dos EUA.
O presidente do banco, Daniel Bouton, foi mantido em seu cargo por decisão unânime do Conselho de Administração da instituição, mesmo tendo pedido demissão. A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, no entanto, já disse que o Société Générale deveria demiti-lo. A ministra disse a um comitê parlamentar, ao apresentar um relatório sobre o caso, que alguns dos controles internos do banco Société Générale falharam ou não foram levados em consideração antes do go

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email