11 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Sobre a reforma ou unificação da língua portuguesa

Os povos africanos são os mais difíceis de aceitar a proposta, pois segundo alguns estudiosos, para eles a unificação é indiferente. São mais ou menos 34 milhões de pessoas falando o idioma português, com gírias e alguns dialetos.

Sem dúvida, a língua portuguesa dos tempos da Carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento escrito no Brasil para o exterior até os dias que correm, já sofreu tantas alterações proporcionadas pelo povo, por escritores renomados, leis e decretos, que a proposta de unificação do idioma falado no Brasil e mais sete países e já aceita por São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, deve enfrentar algumas dificuldades para a sua correta aplicação.
A Língua Portuguesa é a terceira mais falada no mundo, perdendo para os idiomas inglês e espanhol. São aproximadamente 235 milhões de pessoas, das quais no Brasil existem cerca de 190 milhões, quase 11 milhões em Portugal e o restante nos países africanos, compreendendo-se entre eles Cabo-Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste, no arquipélago indonésio.
A proposta de unificação para igualar a Língua Portuguesa surgiu em 1990, apresentada por meio de um documento firmado pela CPLD (Comunidade dos Países da Língua Portuguesa). Entretanto, passados quase dois decênios, apenas os três países citadas no preâmbulo manifestaram-se favoráveis ao acordo lingüístico. E essa primeira fase está sendo preparara para começar a vigorar a partir de 2009. Os povos africanos são os mais difíceis de aceitar a proposta, pois segundo alguns estudiosos, para eles a unificação é indiferente. São mais ou menos 34 milhões de pessoas falando o idioma português, com gírias e alguns dialetos.
Se a unificação for aprovada, a sua implantação deverá ser processada por fases, devendo primeiramente haver uma convivência com as duas ortografias, até desaparecer paulatinamente os termos e palavras divergentes entre os países, cada um extirpando de seus dicionários, as palavras que não serão mais válidas após a unificação.
Há quem duvide do sucesso da unificação, e alguns professores e filólogos afirmam que o resultado não será o esperando, embora no Brasil, as alterações sejam mínimas, como nos casos dos acentos, hífens, acréscimo das letras “k”, “w” e “y”, observância nas vogais dobradas, etc. Talvez Portugal terá que fazer maiores alterações na ortografia de algumas palavras. Será o caso das consoantes mudas como “c” e “p”, nas grafias por exemplo, de acto, optimo, etc.
O grande problema brasileiro, a mim me parece, não está apenas dos casos dos acentos, hífens ou ausência de acentos nas palavras, para haver melhor processos de comunicação entre as pessoas a falar o idioma português. O assunto é muito mais complicado.
No Brasil as últimas reformas ortográficas feitas em 1943 e mais tarde em 1971, não aprimoraram os nossos jovens para o estudo das novas regras. Além disso, há uma linguagem jornalística que adentrou a ortografia das palavras, e hoje, o maior conflito de nossos alunos e até mesmo de professores, é saber quando a palavra começa com letra maiúscula ou minúscula. O uso do hífen passou a ser omitido em certas palavras e tornou-se aceito, regular e sem mudar o sentido ou a ortografia. Por causa dessa liberalidade na redação da imprensa brasileira, muitos termos americanos foram aportuguesados, ingressaram nos dicionários modernos, nos programas de computadores e cada vez mais, o estudo das palavras e das regras passaram a ser um pandemônio, um labirinto na vida dos escritores, jornalistas, professores, estudantes, e principalmente dos estrangeiros que falam a Língua Portuguesa.
Não sou contra a reforma, mais entendo que antes dela, o Brasil precisaria colocar na lixeira, muitos termos desnecessários, modismos americanizados, abreviaturas ininteligíveis de palavras, definindo o que é maiúsculo ou minúsculo na grafia de certas palavras, retirar outras em desuso e fazer uma gigantesca mobilização brasileira sobre concordância verbal, de gênero, número, e, principalmente, sobre o emprego de coletivos nas frases.
Não se deve cultivar o novelês, o teatrês, nem tampouco as baboseiras livrescas, que intoxicam as livrarias do país. As novelas brasileiras, alguns programas de auditório capazes de influenciar a linguagem do povo, merecem as atenções de nossas autoridades, para evitar que até o ano de 2020, não estejamos falando outro idioma, deixando a Língua Portuguesa em desuso, como língua morta.
Apesar de vários intelectuais brasileiros juntamente com alguns portugueses, concordarem com a proposta de unificação, como é o caso do nosso ministro e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, doutor Marcos Vinícios Vilaça, que na sua argumentação lamenta ser necessário redigir atualmente, dois documentos para as entidades internacionais: um usando o português de acordo com a grafia do Brasil, e outro usando a ortografia de Portugal. Entretanto não podemos esquecer também, que a maior resistência contra a mudança, será dos portugueses. Vamos acompanhar as faces dessa implantação para voltar o assunto.

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