Sob um novo modelo de educação

Há muito vimos nos noticiários da TV que os governos brasileiros gastam muito com a educação do país, mas o Brasil não sai do atraso em relação a outros países que desembolsam bem menos. Ao nosso lado vemos crianças e adolescentes que mal sabem ler e escrever e os números da matemática lhes são um assombro. Por que isso? O engenheiro civil Joaquim Fonseca Gouveia diz ter a resposta e até mesmo a solução, que pode vir de um projeto seu, um modelo de escola aberta implantada em um canteiro de obras ainda na década de 1990.

Gouveia foi um importante empresário no ramo da construção civil na década de 1990, em Manaus. Mesmo não existindo naquela época legislação que o incentivasse, com recursos próprios, criou um amplo programa de alfabetização de adultos e educação continuada para seus funcionários, melhorando a qualidade de vida destes e estimulando-os a continuar estudando.

“Foi a partir dali que comecei a ver que educar é a coisa que mais gosto de fazer”, contou. “Uns 10, 15 anos depois de ter desenvolvido o programa de alfabetização entre meus funcionários, encontrei vários deles já com o curso superior. Agora o que me fez idealizar o projeto escola do futuro foi ver a educação de meus filhos. Tenho uma garota de onze anos e um menino de seis e, apesar de estudarem numa boa escola, vejo que a educação deles, como no resto do país, fica muito a desejar”, reclamou.

De acordo com Gouveia, o modelo educacional atual não dá liberdade para o aluno. “Minha filha quis aprender artes, e a escola dela não tinha professor para ensiná-la, e ficou por isso mesmo. Na escola do futuro vamos atrás de um facilitador, e não um professor, que ensine artes não só para uma aluna, mas para todos os demais que queiram aprender artes”, adiantou.

A primeira do Norte
A escola do futuro, idealizada por Gouveia a partir das já existentes no Brasil e vários outros países, será a primeira do Norte sob esse modelo. “Os pedagogos serão reciclados e vamos ver as necessidades de cada aluno que, num primeiro momento terão dos 5 aos 16 anos. Eles vão aprender sobre a Amazônia, sobre biotecnologia, sobre si mesmos, e sobre o que quiserem aprender. Os pais terão que participar junto com a escola. Terão que acompanhar o aprendizado dos seus filhos dia após dia. Num primeiro momento chegaremos a 100 alunos, mas a ideia é ir ampliando esse número até nos tornarmos uma Universidade, tudo isso sem cobrar nada”, adiantou.

O empresário conta que a escola do futuro já é bem atual, tendo bons exemplos a serem seguidos, como o da Maria Peregrina, na cidade de São José do Rio Preto, em São Paulo. “Estamos nos espelhando na escola Maria Peregrina, mas existem outras além dela, como o Projeto Âncora, em Cotia/SP. Estas se espalham pelo país e por sua vez são espelhadas na Escola da Ponte, de Portugal. As escolas não têm que se prender somente ao ensino da matemática, da história, da geografia, do português. Os ensinamentos precisam ser bem mais amplos, eles têm que formar para a vida”, falou.

Modelo próprio
Segundo o engenherio/educador, a filosofia da escola do futuro será a da caridade e do amor. “Pretendemos começar a escola já em 2018,, num prédio já existente. Mas, num futuro próximo, eu mesmo irei projetar e construir um prédio modelo, com energia solar, captação de água da chuva, integração com a natureza, reciclagem de tudo o que for utilizado em seu interior e utilização do que de mais moderno houver em tecnologia”, afirmou.

Incentivos
Sobre o dinheiro para tornar real o seu projeto, Gouveia diz que ele já existe, nas mãos dos empresários. “A maioria dos empresários não sabe, mas pode abater 3,5% do lucro bruto utilizando esse dinheiro em projetos na área da educação. Segundo estimativas da Receita Federal, de 2009, somente no Amazonas, R$ 2,8 bilhões deixaram de ser utilizados pelos empresários nesse tipo de investimento”, finalizou.

Desabafo
Para o engenheiro civil Joaquim Fonseca Gouveia, historicamente a educação no Brasil sempre passou por altos e baixos. “Após a expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759, o país, e consequentemente a educação, foram deixados de lado por Portugal até a vinda de D. João 6º com a família real para cá, em 1808. Os jesuítas queriam educar os indígenas enquanto os portugueses queriam escravizá-los”, afirma.
De acordo com Gouveia com a chegada da Corte ao Brasil, houve um grande investimento na educação, baseada no que se fazia na Europa, mas este foi descontinuado anos mais tarde. “Com a república, o modelo continuou, mas aí houve um revés na Era Vargas. O revés continuou durante a ditadura militar e é esse reflexo que estamos sentindo até os dias de hoje. Hoje passamos por uma deseducação coletiva da ética. Vejamos o exemplo de nosso ex-presidente Lula, que praticamente não estudou e falou em entrevista que não gostava de ler, além de se vangloriar de ter chegado à presidência do país sem ter um curso superior. Vejam no que deu. Um país sem rumo”, lembrou.

Ensino dos filhos foi motivação para escola do futuro
Gouveia afirma ter criado o projeto na década de 1990 estimulado pelo nascimento de sua segunda filha, Marcela, hoje com 26 anos e formada em medicina. A preocupação em deixar um mundo melhor para as futuras gerações foi outro impulsionador do projeto. Depois de nos últimos anos acompanhar a educação de seus filhos mais novos, Maria Gabriela (11) e Joaquim José (6), Gouveia passou a direcionar seus passos para melhorar a qualidade de ensino no Amazonas através da escola do futuro.

Sobre os primeiros “alunos” do projeto, aqueles do canteiro de obras, Gouveia afirma que alguns hoje têm curso superior, outros se tornaram empresários, mestres de obra e empreiteiros, e o mais importante, todos passaram a se preocupar com a educação de seus filhos, estimulando-os a ter curso superior e, consequentemente, melhorando a qualidade de vida da família.

Gouveia cita ainda como resultado da iniciativa em sua antiga empresa, a alta produtividade, melhoria da qualidade do trabalho, redução de desperdícios, de rotatividade, de absenteísmo e de acidentes do trabalho da Gouveia Engenharia, que durante os três anos do projeto, não teve um único acidente.

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