Situação nos mercados afeta o Brasil, afirma “FT”

Os ativos financeiros brasileiros sofreram quedas significativas na quarta-feira na medida em que a turbulência nos mercados globais ameaça chegar a uma parte do mundo que parecia relativamente intocada, afirma reportagem publicada pelo jornal britânico “Financial Times”.
Um analista ouvido pelo jornal diz que “o Brasil não é imune” à crise e que o país “está claramente mais exposto à economia global e aos mercados financeiros globais do que antes”.
Segundo o jornal, grande parte das quedas nos ativos brasileiros é explicada pelas vendas dos investidores que precisam cobrir perdas em outros mercados. “Mas a extensão dessa queda sugere que os investidores podem estar sentido que os ativos são mais arriscados do que eles pensavam”, diz a reportagem.

O jornal cita a desvalorização do real, com o dólar ultrapassando a barreira dos R$ 2 pela primeira vez em três meses, e a queda acentuada da Bolsa de Valores de São Paulo, que acumula perdas de 15% no último mês.
“Há pouco tempo, na semana passada, administradores de fundos disseram que os mercados brasileiros eram imunes ao contágio, já que estavam livres de papéis de alto-risco, sem liquidez”, afirma o “FT”. Alguns analistas já argumentam que investidores estrangeiros ficaram expostos a créditos de alto risco no Brasil.

José Alencar diz que conflito não afeta país

O vice-presidente José Alencar disse acreditar que a crise no mercado imobiliário dos Estados Unidos não vai trazer prejuízos reais à economia brasileira.
Segundo Alencar, o Brasil não tem muitos investimentos que sejam impactados pelas garantias dos papéis norte-americanos. Na opinião do vice-presidente, o Brasil possui um cenário econômico “sólido” e está preparado para “até sair fortalecido” da crise.
“Todas as vezes em que há um problema no campo financeiro, ele atinge também as Bolsas, que são sensíveis. Não tenho dúvida que economia brasileira alcançou um grau de sustentação pelas condições que nós temos hoje.Dificilmente o Brasil poderá sofrer um problema maior em relação a essa questão”, disse.

Alencar afirmou que os que aplicam seus rendimentos em Bolsas “sem consciência, quase que como um jogo, são os maiores responsáveis pelos riscos”. Para o vice-presidente, a queda é conseqüência de “investimentos feitos nos Estados Unidos na área imobiliária, que ofereciam garantias imobiliárias”. O anúncio de que a financiadora imobiliária Countrywide Financial – maior empresa do setor de hipotecas dos EUA – fez um empréstimo de US$ 11,5 bilhões para enfrentar um problema de liquidez ampliou os temores dos investidores quanto à crise no mercado de crédito no país e aprofundou as perdas nas Bolsas do mundo hoje.
No Brasil, às 14h, o Ibovespa, o índice da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), desvalorizava mais de 8%. Nos EUA, a Bolsa de Valores de Nova York estava em queda de 2,46%, operando com 12.545,09 pontos no índice DJIA (Dow Jones Industrial Average), enquanto o S&P 500 caía 2,33%, para 1.373,94 pontos. A Bolsa Nasdaq tinha queda de 2,71%, indo para cerca de 2.392,14 pontos.
As 316 maiores empresas brasileiras de capital aberto perderam US$ 209,7 bilhões em valor de mercado desde 19 de julho, dia em que o Ibovespa, principal índice da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), atingiu sua pontuação máxima. O levantamento, feito pela consultoria Economática, leva em conta os números até o fechamento de quarta-feira, quando o índice caiu mais de 3% e voltou a operar abaixo de 50.000 pontos.

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