Situação das micro e pequenas empresas no Amazonas piora

A proporção de micro e pequeno empresários amazonenses que foram atrás de crédito subiu de 66% para 78,3%, entre 7 de abril e 5 de maio. O percentual de negócios de micro e pequeno porte que amargou queda de receita subiu de 86% para 90,2%, e a retração média foi de 60%. É o que mostra pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

A mesma sondagem aponta que a maioria esmagadora dos pequenos empreendedores amazonenses que buscaram crédito para manter seus negócios não conseguiram o financiamento (48,8%) ou ainda têm seus pedidos em análise (39,9%). Desde o início das medidas de isolamento no Amazonas, apenas 11,3% daqueles que solicitaram crédito tiveram sucesso.

Em torno de 78% dos empreendimentos declaram que precisam do credito para continuar funcionando e não gerar demissões, mas 18% dos empreendimentos já tiveram que fazer isso, por força da crise. A média de ocupação nos micro e pequenos negócios do Amazonas é de três pessoas. A boa notícia é que 32,6% das empresas amazonenses não possui dívidas e 35,2% está com seus compromissos financeiros em dia e apta a solicitar financiamentos. 

O percentual de empresas que interromperam as atividades temporariamente no Amazonas é de 46,7%, mas 1,3% já decidiram fechar de vez. Quase metade (45,5%) mudou a forma de funcionamento para sobreviver e 53,6% está utilizando as tecnologias e mídias digitais para vender: 32% não usavam redes sociais e mudaram os hábitos, em virtude da pandemia.

O levantamento do Sebrae confirma uma tendência já identificada em outras pesquisas da entidade: a de que os donos de pequenos negócios costumam evitar empréstimos. Isso ocorre em função do peso das taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras, excesso de burocracia e falta de garantias por parte das pequenas empresas.

A despeito da queda de faturamento, 45,6% não buscaram crédito no começo da crise. Quem foi atrás, preferiu bancos (82,4%) – públicos (63%), privados (57%) e cooperativas de crédito (10%). Estas últimas (31%) são as que dão melhor retorno às demandas, seguidas pelas instituições privadas (12%) e públicas (9%). As fontes alternativas foram instituições de microcrédito (45,9%), parentes e amigos (27,5%), cartão de crédito (13,7%), cheque especial e negociação de dívidas com fornecedores (ambos empatados com 9,2%).

Ações e consequências

A gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, Socorro Correa, lamentou a evolução nos números de queda de faturamento e de necessidade de crédito, assim como o fato do crédito não chegar aos empresários. A dirigente reforçou que, quanto mais crítico for o quadro de saúde das empresas, maiores serão suas perdas. Disse também que, quanto mais demorar a retração do consumo, mais crescente será a demanda de empréstimos para equalizar o fluxo de caixa das empresas. 

“De um lado, temos a crise de saúde, que inevitavelmente obriga o isolamento social e reduz o consumo. Do outro, temos políticas públicas que não conseguem resolver o propósito para qual foram criadas. A demora no controle da pandemia vai impor falência de negócios, desemprego e empobrecimento de parcela da população. Quanto mais rápido, o poder público implementar ações efetivas de controle da contaminação, menor serão as consequências”, argumentou.

Mortalidade menor

Já o coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, avalia que o Estado está resistindo bem ao momento “bem complicado” que os empreendedores estão passando, com sua luta para não fechar as portas de vez. Ele observa que o Estado tem um dos menores índices de fechamento definitivo de empresas em todo país, mas ressalta que os empresários amazonenses precisam “com urgência” que os créditos anunciados pelos governos estadual e federal cheguem de fato aos cofres dos micro e pequenos negócios.

“Caso contrário, esse cenário será bem pior, dada a impossibilidade de grande parte das empresas funcionar, por força do decreto estadual. Se essa ajuda chegar ao máximo de empresas possível, teremos uma recuperação mais acelerada, por termos evitado um alto número de mortalidade de empreendimentos. E também, quanto maior for o número de empreendedores que procurarem ampliar seus conhecimentos em gestão, maior será o número de pequenos negócios que sobreviverá a esta crise”, encerrou.

A pesquisa do Sebrae ouviu 10.384 MEI (microempreendedores individuais) e proprietários de micro e pequenas empresas de todo o país. Essa é a terceira edição de uma série iniciada em março, pouco depois do anúncio dos primeiros casos da doença no país.

Fonte: Marco Dassori

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