Sintomas da Covid-19 voltam a cair na população do Amazonas em agosto

A quantidade de habitantes do Amazonas que sentiu sintomas associados à covid-19 voltou a cair entre julho e agosto, passando de 55 mil (1,4%) para 52 mil (1,3%) e ficou bem abaixo da marca de maio (356 mil, ou 8,8%). O número de amazonenses que já realizou testes para diagnóstico da doença, por outro lado, subiu de 283 mil (7%) para 354 mil (8,7%), a despeito de o Estado ter caído da décima para 12ª posição em todo o país, nesse quesito. Em 3,1% dos casos, o diagnóstico foi positivo.

Pelo menos 48 mil (24,6%) procuraram atendimento médico, mas a demanda seguiu reprimida, pois 89% dos amazonenses (3,588 milhões) não contam com nenhum plano de saúde – proporção maior do que os 88,1% do mês anterior. Em 4,2% (41 mil) dos domicílios do Amazonas, ao menos um morador buscou empréstimo para enfrentar a pandemia – menos do que em julho (5,9%). Em contrapartida, apenas 28 mil (2,9%) conseguiram, por bancos ou financeiras (31.mil), parentes e amigos (10 mil), ou mesmo junto ao patrão (600). Os dados estão na Pnad Covid-19, divulgada pelo IBGE.

Em agosto, 194 mil dos habitantes do Amazonas (4,8%) apresentaram algum dos sintomas pesquisados de síndromes gripais. Ficou bem abaixo das marcas de julho (206 mil ou 5,1%), julho (342 mil ou 8,5%) e maio (764 mil ou 18,9%). No mesmo mês, 51 mil pessoas (1,3%) apresentaram sintomas conjugados de síndrome gripal que podiam estar associados à doença, como perda de olfato/paladar, febre, tosse, dificuldade ou dor no peito. Houve nova queda em relação a julho (55 mil e 1,4%), junho (148 mil e 3,7%) e maio (356 mil e 8,8%).

Entre os domicílios do Estado onde vivia, no mínimo, um habitante considerado “idoso” (254 mil), 11,42% (29 mil) tinham pelo menos uma pessoa com sintomas conjugados e que poderiam estar relacionados à covid-19. Em julho, havia pelo menos uma pessoa com sintomas conjugados em universo de 32 mil domicílios com idosos no Amazonas. Em junho, os registros chegaram a 75 mil domicílios com habitantes com 60 anos de idade ou mais.

Assim como no mês anterior, a região Norte foi uma das que teve a mais baixa proporção de pessoas com algum sintoma gripal (5,8%), superando apenas o Sudeste (5,4%). Mas, ainda apresentou o maior percentual de pessoas com algum dos sintomas conjugados (1,3%). Os Estados do Norte do país registram retração nos sintomas conjugados desde maio (8,8%), passando por junho (3,4%) e julho (1,4%).

Testes e comorbidades

Em termos de testagem, o Amazonas ocupa a 12ª posição no ranking nacional. Em torno de 182 mil pessoas (4,5%) realizaram o teste através de furo no dedo, 121 mil (3%) por exame de sangue, e 75 mil (1,9%) pela coleta da saliva. Os testes foram realizados em maior proporção entre as mulheres (51,1%), em detrimento dos homens (48,9%) e especialmente por pessoas de 30 a 59 anos, que representaram 50,8% dos testes realizados do início da pandemia até agosto. 

Quanto maior o nível de escolaridade e renda, maior foi o percentual de pessoas que buscou fazer algum teste. Pessoas sem instrução ou limitadas ao ensino fundamental representaram 5,9% desse público, enquanto os amazonenses com ensino superior ou pós-graduação, representaram 17,5% do total. A fatia com renda inferior a meio salário mínimo representou 6,2%, ao passo que a parcela que ganha quatro mínimos ou mais chegou a 31,1% – sendo que o crescimento foi maior para esta faixa, em relação a julho (18,2%).

Outro dado positivo é que a quantidade de habitantes do Amazonas com alguma comorbidade que pode agravar o quadro clínico do paciente com covid-19 diminuiu de 445 mil (11%) para 386 mil (9,5%). Hipertensão foi o registro mais frequente (5,9%). As outras foram diabetes (2,6%), asma, bronquite ou enfisema (2,2%), doenças do coração (0,8%); depressão (0,5%); e câncer (0,2%). O percentual de amazonenses com alguma dessas doenças que testou positivo foi de 6,6% (26 mil), até agosto.

‘Relaxamento social’

Houve, contudo, um novo relaxamento nas medidas tomadas para restrição de contato a despeito da declararam não ter feito continuidade da pandemia. A quantidade de pessoas que dizem não ter tomado nenhuma medida nesse sentido subiu de 124 mil (3,1%) para 194 mil (4,85%). Jovens de 14 a 29 anos de idade lideraram as estatísticas dos amazonenses que não fizeram qualquer restrição de contato (35%), seguidos pelos que têm entre 30 e 49 anos (32,3%).

Houve aumento também no grupo de habitantes reduziu contato, mas continuou saindo de casa e/ou recebendo visitas – de 1.486 milhão (36,7%) para 1,810 milhão (45,25%). Na outra ponta menos pessoas ficaram em casa só saindo por necessidade básica (1,476 milhão e 36,9%) ou ficaram rigorosamente isolados (198 mil e 4,95%). No mês anterior, esses números foram 1,664 milhão (41,1%) e 746 mil (18,4%), respectivamente. 

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que as medidas de restrição foram relaxadas por parte da população amazonense, o que vem ocorrendo principalmente entre os mais jovens. “Também aumentou o número de empréstimos junto às financeiras ou bancos, representando aí uma necessidade por parte das famílias de algum recurso para custeio ou investimento em algum negócio. Aos poucos, as famílias estão voltando à normalidade, ao mesmo tempo em que encontram mais obstáculos a superar”, finalizou.

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