Sindicalizados em queda e informais crescem no Amazonas

A população com ocupação remunerada no Amazonas cresceu 16,3% entre 2012 e 2019, puxada por comércio e agricultura –em detrimento de indústria e na construção. O número de trabalhadores sindicalizados caiu 38,2%, embora a taxa tenha permanecido mais alta na administração pública e na agricultura. Em paralelo, a quantidade de empregadores por conta própria cresce a cada ano, puxado pelos setores de comércio e serviços. 

Em compensação, o mesmo pode ser dito do trabalho em via pública ou na residência. No primeiro caso, o contingente avançou de 47 mil para 103 mil em oito anos, uma diferença de 119,15%. No segundo, o salto foi de 119,44%, elevando a quantidade de amazonenses nessa condição de 36 mil para 79 mil pessoas, no mesmo período. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar) Contínua – Características de Mercado de Trabalho 2019, do IBGE.

A sondagem estimou em 1,65 milhão a população do Amazonas ocupada em 2019, o que representa acréscimo de 3,6% em relação a 2018 (1,60 milhão) e de 16,3% frente a 2012 (1,41 milhão). A atividade que mais empregou foi o comércio (19,8% ou 327 mil), seguida por agropecuária (18,1% ou 298 mil) e administração pública (17,8% ou 294 mil).

A indústria representou apenas 10,8% (178 mil). Na sequência vieram os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (7,4% ou 123 mil), de alojamento e alimentação (5,9% ou 97 mil) e de transporte, armazenagem e correio (5,8% ou 97 mil), além da construção (5,6% ou 93 mil), entre outros.

Em relação a 2012, houve expansão especialmente para agropecuária (de 298 mil contra 267 mil) e comércio (327 mil contra 255 mil), assim como nos serviços de transporte, armazenagem e correio (97 mil frente 81 mil) e de alojamento e alimentação (97 mil frente 58 mil). A indústria foi na direção contrária e encolheu de 183 mil para 178 mil, sendo seguida pela construção (de 102 mil para 93 mil).   

Sindicalização x informalidade

Em 2019, o Amazonas contabilizou 139 mil trabalhadores associados a sindicatos, respondendo por apenas 8,4% do total, em um número abaixo do registrado em 2012 (225 mil ou 15,85%). A taxa foi maior para homens (91 mil ou 9,2%) do que para mulheres (48 mil ou 7,21%), mas ambos apresentaram diminuição em relação a 2012 –149 mil e 77 mil, respectivamente.

Na região Norte, eram 670 mil as pessoas ocupadas com associação a sindicatos, e a maioria (232 mil) estava no setor público. Trabalhadores por conta própria (188 mil) e empregados com carteira assinada (155 mil) vieram na sequência. Na outra ponta, os números menos representativos vieram dos trabalhadores informais (33 mil), familiares auxiliares (31 mil) e domésticos (10 mil). Empregadores (21 mil) ficaram na última posição.

A administração pública (242 mil) respondeu pelo maior contingente entre os sindicalizados do Norte. Foi seguida de longe pela agropecuária (176 mil), indústria geral (73 mil) e comércio (49 mil), entre outros. Com exceção da categoria de serviços domésticos, em todas houve queda na comparação com 2012.

O total de habitantes do Amazonas com atividade remunerada e autointitulados como empregadores foi de 607 mil pessoas em 2019, mas o registro em CNPJ era um atributo para apenas 67 mil deles. Considerando somente os trabalhadores por conta própria, o total foi de 558 mil pessoas, mas só 37 mil eram formalizados.

Entre os amazonenses no setor privado (1,3 milhão), 47% (167 mil) trabalhavam em estabelecimento do próprio empreendimento, 16,4% (216 mil) em fazenda, sítio, granja, chácara, e 12,4% (167 mil) em local designado pelo patrão ou freguês. O local poderia ser a via ou área pública (7,6% ou 103 mil), um veículo automotor ou mesmo a própria residência (5,9% ou 79 mil, para ambos os casos).

Crescimento e precariedade

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, lembrou ao Jornal do Commercio que o aumento da população ocupada já é um dado que a Pnad Contínua Trimestral vem apresentando. Mas, não deixa de ressaltar que a expansão não tem sido suficiente para atender os desocupados, uma vez que a cada dia aumenta o número das pessoas na força de trabalho local, assim como a informalidade.

“A expansão no número de pessoas trabalhando por conta própria é um indicativo de crescimento da informalidade. E isso incluiu o trabalho nas residências. Esse grupo é bem destacado no Estado, e bem acima da média nacional. Certamente, que essa dinâmica precariza a situação dos trabalhadores, do ponto vista dos direitos trabalhistas e previdenciários”, lamentou.

Em relação à evolução nos números de ocupação por atividade, o pesquisador acrescenta que “é do conhecimento geral” que a indústria amazonense vem diminuindo o número de postos de trabalho, a cada ano. De acordo com Adjalma Nogueira Jaques, setores como a construção, por outro lado, estão com suas atividades reduzidas devido “à crise por que passam”.

“A consequência é a queda no número de trabalhadores para essas atividades. Por outro lado, administração pública e agropecuária tradicionalmente possuem vínculos muito forte com o sindicalismo. Os trabalhadores da agricultura encontram no sindicato uma forma de organização também para acesso a benefícios sociais e financiamentos. Já os trabalhadores da administração, têm nos sindicatos o braço da reivindicação coletiva”, finalizou.

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