10 de abril de 2021

Shoppings crescem no Natal, mas devem fechar o ano no vermelho

Segundo os lojistas, a alta de até 10% em relação às festas de 2008 não será suficiente para compensar o desaquecimento das vendas no período de crise

A redução de preços dos importados – puxada pela queda do dólar -, aliada à facilidade na obtenção de financiamento e ao retorno dos prazos elásticos para pagamento das compras não foram suficientes para os shoppings de Manaus encerrarem o ano com perspectivas positivas em comparação a 2008. Pelo menos no entendimento de representantes do varejo e empresários atuantes nos principais centros de compra da capital, cuja expectativa de fechamento com retração nas vendas é unânime.
A instabilidade econômica e o clima de insegurança que povoou o setor industrial nos primeiros trimestres foram apontados como os principais vetores desse impacto no volume de vendas perdido pelo varejo em Manaus. Apesar da queda global em relação a 2008, o período natalino deve representar um incremento real (descontada os percentuais inflacionários) de 8% a 10% no faturamento dos lojistas locais em relação a igual período do ano passado.
Segundo a presidente da Alasc (Associação dos Lojistas do Amazonas Shopping Center), Mercedes Braz, até mesmo os eletroeletrônicos que prometiam ser as vedetes do varejo amazonense no Natal 2009 não alcançaram elevação nas vendas. “Da cadeia de lojistas atuantes em shoppings pelo país, Manaus foi seguramente uma das que mais sofreram com a crise financeira. O setor que menos reclamou desse período instável foi o de alimentação”, revelou.

Oferta de crédito

Ao comentar sobre as perspectivas para o próximo ano, Mercedes Braz afirmou que a venda nos shoppings vai crescer inicialmente pelo menos 7% impulsionada pela entrada das classes C e D no mercado consumidor efetivo. O retorno da oferta de crédito com juros competitivos e os incentivos fiscais em setores que amargaram um fraco desempenho nas vendas do Natal passado, segundo a representante, vão contribuir para que o varejo de shopping em 2010 conquiste um crescimento real comparado ao de 2009. “Este ano, muitas pessoas das faixas B e C ficaram desempregadas. Houve insegurança do público de maior poder aquisitivo que preferiu comprar muito mais fora de Manaus. Neste Natal, grande parte dos consumidores está com o orçamento comprometido com dívidas de imóveis e veículos”, explicou.
Já o empresário Silvio Fernando Baraúna prefere acreditar que a redução percentual nas vendas deste ano se deve em grande parte às dívidas no cartão de crédito acumuladas ao longo dos últimos meses de 2008 que reduziram o otimismo do consumidor em dezembro. “A maior parte do consumidor utilizou o 13º para pagar dívidas atrasadas. Bom para as operadoras de cartões. No nosso caso, o setor que mais vendeu foi o de telefone celulares. Uma surpresa positiva que demonstra como vai ser o mercado consumidor em 2010”, explicou.
No canto oposto ao discurso geral, o superintendente do Manaus Plaza Shopping e diretor da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Jorge Daou, garantiu que apenas 10% a 11% de empresários reclamaram do volume de vendas ao longo deste ano. Citando levantamento feito pela CDL-Manaus, o executivo afirmou que, no geral, o varejo de shoppings no Amazonas passou ao largo da crise financeira. “O que existe é empresário que trabalha mal seus negócios, lojistas que não operam direito, superestimando o valor da mercadoria ou mesmo não investindo em tecnologia e treinamento de funcionários que é a base do atendimento. Se não tiver um bom atendimento, ainda que se tenha a melhor mercadoria da capital, a contrapropaganda feita pelo cliente mal atendido pode ser fatal para qualquer empresa”, considerou.
Segundo Daou, o varejo vem se ampliando a cada dia. “Alguns segmentos como de telefones celulares, TVs de LCD e outros eletrônicos tendem a crescer em torno de 10%. Não existe mais aquele Natal em que as vendas dobravam, pois estamos com a economia estável. Não há mais probabilidade do ‘boom’ de anos atrás”, finalizou o superintendente.

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