Setores querem prorrogação de pacote

O governo do Estado ainda não bateu o martelo se prorroga ou não o pacote ‘anticrise’ para os setores de duas rodas e plásticos do PIM (Polo Industrial de Manaus). A resposta governamental deve sair até sexta-feira, data prevista para a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) se reunir com o governador Eduardo Braga e definir o que fazer após o dia 30 de junho, quando encerra o prazo para as fabricantes se valerem de incentivos fiscais a exemplo da isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) referente à energia elétrica, para se equilibrarem do desarranjo econômico decorrente da crise financeira.
O secretário de Fazenda, Isper Abrahim, informou que estudos estão sendo levantados para serem entregues ao governador, que é quem vai decidir se as indústrias vão continuar recebendo os benefícios, em vigor desde janeiro de 2009. O pacote de incentivos fiscais foi lançado no início do ano para vigorar até 31 de março. Novo acordo entre governo e empresários foi firmado e o mesmo foi prorrogado para até 30 de junho.
Os dirigentes dos dois segmentos estão reivindicando que o governo prorrogue esses incentivos por mais três meses, pois acreditam que até 30 de setembro já tenham conseguido se estabilizar no mercado novamente e partir para os negócios de fim de ano que prometem ser aquecidos.
O presidente do Simplast (Sindicato das Indústrias Plásticas do Estado do Amazonas), Carlos Monteiro, garantiu que as empresas do setor ainda precisam desse reforço governamental, pelo menos até setembro.
Além da isenção do ICMS na energia elétrica, o pacote de incentivos para o setor consiste numa linha de crédito para gerar capital de giro às empresas, outra para o financiamento dos impostos do FTI (Fundo de Fomento ao Turismo e Infraestrutura) e a sua contribuição para a UEA (Universidade do Estado do Amazonas).
Na opinião do dirigente, o pacote de medidas do governo estadual deu fôlego para as fabricantes de componentes plásticos direcionados as empresas de bens finais como duas rodas e eletroeletrônicos. “Fabricamos partes e peças para montar produtos como motocicletas e televisores, principalmente”, informou Monteiro.

Número de empregos pode aumentar

Quanto ao segundo semestre de 2009, a expectativa de Monteiro é de que a prorrogação dos incentivos até 30 de setembro somado à demanda natural de fim de ano das fabricantes de aparelhos do PIM puxe a produção das empresas de plásticos. A reboque, ele acredita que os empregos do setor que atualmente somam 7 mil postos de trabalho diretos saltem para 8 mil a partir de agosto, visando reforçar o setor produtivo que vai direcionar suas baterias para a demanda de pedidos do Natal e Ano Novo.
Segundo Carlos Monteiro, em agosto do ano passado as 80 empresas que formam o setor plástico do PIM estavam gerando 12 mil empregos e neste ano devem chegar apenas a 8 mil, o que representa uma queda de 33,3%.
Na opinião do presidente do Sinmem (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Athaydes Mariano Félix, a prorrogação do ICMS concernente à energia elétrica, do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) às motos zero quilômetro, pelo governo do Estado, e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), pelo governo federal, ainda se faz necessário porque os efeitos da crise global foram muitos fortes para as empresas de motocicletas, decorrente da dificuldade de crédito e só aos poucos serão recuperados.
O dirigente lembrou que a crise econômica só está amenizada, mas seus efeitos ainda estão sendo sentidos porque as empresas tiveram que reduzir produção, mão-de-obra, investimentos e que só ao longo do tempo vão ser recuperados. “Uma nova prorrogação vai deixar o setor mais preparado, inclusive para atender a demanda natalina”, defendeu Félix, ressaltando que se o PIM caminhar de forma firme para sair definitivamente da crise econômica é possível que atinja o faturamento de 2008, que foi superior a US$ 30 bilhões.
Na semana passada, o deputado Marcos Rotta (PMDB) apresentou uma indicação ao governador Eduardo Braga pedindo que estude a prorrogação desses incentivos fiscais por mais 90 dias como forma de garantir a produtividade das empresas e os empregos dos trabalhadores, bastante comprometidos com a crise deflagrada no país em meados de setembro de 2008. O encaminhamento foi feito por meio da mesa diretora da Assembleia Legislativa do Estado.

Economia interna apresenta melhora

Ao avaliar o atual panorama econômico, o economista Rodemarck Castelo Branco disse que a economia interna está melhorando, a média de consumo também, mas que as vendas no segundo semestre serão menores em relação a igual período de 2008. Isso porque o primeiro semestre de 2009 iniciou em queda e aos poucos deixou de cair e só agora começou a se recuperar. “A tendência é que 2009 seja inferior a 2008 por conta dos efeitos drásticos da crise global; crescimento mesmo deve ser sentido somente em 2010”, disse.
O segmento de motocicletas, que em 2008 cresceu significativamente, começa a se recuperar do vendaval causado pela crise econômica. O consultor avaliou que o retorno do crédito e os prazos elásticos para os financiamentos estão puxando as vendas novamente. O mesmo acontece com o segmento de televisores de plasma e de LCD. No caso desse segmento, ele explicou que a tecnologia é quem manda. “Um novo produto (LCD e plasma) está acelerando o ciclo de vida do outro (TVs de tubo catódico), cuja produção e venda está minguando diante da nova tecnologia”, comparou.
Segundo Rodemarck Castelo Branco, a queda da atividade industrial foi grande –decorrente da crise financeira– e aos poucos está se recuperando. Ele acredita que os efeitos serão sentidos no decorrer do ano. “A crise foi menos profunda nos países emergentes, entre os quais o Brasil, daí a retomada do crescimento de forma mais rápida”, comentou, ressaltando que o comércio internacional –importações e exportações– deve cair torno de 25% em 2009 se comparado ao ano passado.

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