Setor vende 6 milhões de peças no semestre

Após amargar dois anos de forte queda na produção, o setor de brinquedos do PIM (Pólo Industrial de Manaus) dá amostras claras de resistência à crise mundial e retomada no ritmo de crescimento observado no ano passado. Para isso, manteve o equilíbrio no faturamento nos seis primeiros meses com a venda de 6,12 milhões de peças para o mercado interno e a expansão em 15,17% nas exportações.
O fato é que grande parte dessa recuperação do setor se deve em parte às exportações, que, em 2007, foi o responsável pela entrada de US$ 14.46 milhões na receita das empresas durante o primeiro semestre, volume financeiro 16,85% maior que o faturamento de 2006. Este ano, durante os primeiros seis meses, esse faturamento já atingiu US$ 18.66 milhões. Ou seja, contrariando a tendência de baixo-astral generalizada no país, o setor de brinquedos do PIM teve o melhor desempenho dos últimos cinco anos.
Na opinião do presidente do Sindicato das Indústrias de Brinquedos no Estado do Amazonas, Maurício Marsiglia, a virada de jogo dos empresários começou com a implantação de uma série de estratégias de marketing e políticas de combate ao contrabando e falsificação há três anos, que contou com o apoio da Alfândega de Manaus e da Receita Federal. Além disso, a reintrodução de conceitos tecnológicos em produtos já consolidados no mercado, como os brinquedos educacionais, por exemplo, também foi apontada pelo executivo como uma das razões para a retomada desse ritmo de expansão nas indústrias locais. “Os telejogos representam, hoje, o carro-chefe da indústria de brinquedos do PIM, mas o dólar baixo, apesar de afetar a disputa de mercado contra os importados, facilitou para várias empresas equipar suas linhas de produtos com inovações voltadas para tendência mais modernas”, explicou.
Ao que parece, as empresas de brinquedos vêm apostando na diversificação cada vez maior dos produtos, incrementando o mercado com esse mix de tecnologia e princípios tradicionais.
A explicação do sucesso desse novo nicho de atuação ainda pouco explorado reside no fato de as empresas terem lançado a tendência do ‘edutenimento’, onde educação, entretenimento e uso de tecnologias formam a base do produto a ser posto no mercado.
“Essa foi uma tendência no início dos anos 90 e que vem sendo retomada neste fim de década, só que agora com a introdução da informática”, explicou Marsiglia.
Citando números do Instituto de Pesquisas e Estatísticas In-Stat sobre a nova tendência dos produtos para o Dia das Crianças e festas natalinas, o vice-presidente da divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática, André Caldeira, disse, em exclusividade para o Jornal do Commercio, que o mercado mundial do edutenimento, onde a empresa estréia com lançamentos de uma linha de brinquedos neste mês, deve movimentar em três anos cerca de US$ 7.3 bilhões.
O executivo frisou que a nova atuação de mercado da Positivo foi inspirada justamente na projeção desse instituto de tecnologia e nas estimativas de expansão que esse segmento alcançará em todo o país.
“E o mercado do Norte, principalmente do Amazonas, é estratégico para essa expansão dos negócios da Positivo”, projetou o executivo.

Tecnológicos e eletrônicos são os mais preferidos do públlico infanto-juvenil

Caldeira acrescentou que a nova linha de brinquedos (cinco bichos de pelúcia) foi especialmente desenvolvida pela equipe de educadores da Positivo Informática e dará acesso ao portal interativo, onde a criança terá brincadeiras e atividades pertinentes ao universo de cada animal e criadas exclusivamente para estimular o aprendizado. “Aproveitamos nossa expertise em educação para desenvolver um produto que une o concreto ao virtual, dentro de um conceito que equilibra diversão e aprendizado, adequado às aspirações das crianças desta geração 100% conectada”, disse.
Há anos que os brinquedos tradicionais vêm sendo substituídos na preferência dos consumidores pelos jogos multimídias. Muitos fabricantes não conseguiram acompanhar a tendência, o que explicaria em parte a crise pela qual o setor passou no início da década. Na análise do diretor-industrial da Emotech Industrial Amazônia, Eduardo Mota, essa tendência de aliar multimídia aos conceitos já incorporados pelo público infantil foi a grande válvula de escape das empresas. “De dez anos para cá, o interesse das crianças e adolescentes por jogos high tech tem crescido em progressão geométrica. As empresas amazonenses demoraram para se atentar a esse fato, o que pode ter influenciado a crise da qual estão se recuperando”, afirmou o executivo.
Mas as estratégias de mercado das indústrias locais parecem ir além. Em busca da excelência operacional, vantagem competitiva e redução de custos, as empresas têm realizado a terceirização de forma irreversível das suas atividades-meios.
No entendimento do consultor de finanças e gestão empresarial, Roni de Oliveira Franco, a prática cresceu muito nos últimos anos, servindo como rota de fuga para crises, como a que atingiu o setor de brinquedos.

Prática da terceirização ajuda a reduzir riscos

Segundo o consultor, “essa prática, atualmente, está fazendo com que os prestadores de serviço do setor se tornem não somente um fornecedor de mão-de-obra, mas, acima de tudo, um parceiro nos riscos do negócio do contratante e, ainda, um forte aliado na conquista de mercado”,.
Franco ainda acrescentou que a tendência de terceirização de processos de negócios ainda está em crescimento no país, o que possibilitará empresas cortarem  seus gastos anteriormente existentes com estruturas internas, em geral, inchadas e pouco produtivas. “No caso dos brinquedos, a terceirização foi uma das saídas da crise, porque otimizou e valorizou sobremaneira o tempo dedicado pelas organizações às práticas fora da atividade-fim, fazendo com que ganhassem eficiência no desenvolvimento de produtos e no oferecimento de serviços aos, cada vez mais, exigentes clientes”, analisou.
Com a introdução das novas tendências no mercado, a indústria de brinquedos do PIM parece enfim ter entendido o recado do consumidor moderno e busca a recuperação definitiva. Ganchos não faltam, já que, conforme o Instituto de Pesquisas e Estatística In-Stat, 37% das crianças entre 6 e 12 anos dão preferência a um computador, laptop ou videogames.

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