Setor que garantia de venda de mil megawats anuais

O executivo afirma que, no caso da conexão entre a Usina de Belo Monte e as distribuidoras, o custo vai ser pago pelo consumidor

O setor sucroalcooleiro pode garantir a venda de 1.000 MW de bioeletricidade por ano em leilões de energia realizados pelo governo como forma de estimular investimentos em cogeração, afirmou o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank. A sugestão faz parte de regras pedidas pelo setor para o governo.
Segundo ele, o setor precisa de garantia de demanda para poder investir e as usinas não estão vendo vontade política para que isto aconteça. Jank explicou, durante evento “O Brasil e a Energia do Amanhã”, realizado na última sexta-feira, 6, na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), que é necessário que exista isonomia das políticas públicas para todas as formas de energia renovável. “O que foi feito para a Usina de Belo Monte e eólicas também tem que ser feito para o setor sucroalcooleiro”, disse.
O executivo afirma que, no caso da conexão entre a Usina de Belo Monte e as distribuidoras, o custo vai ser pago pelo consumidor. “No caso da cogeração, é a usina que tem que pagar por estes custos”, disse. Ele lembrou também que os preços fixados para o próximo leilão de energia de reserva que será realizado no final de agosto ficou aquém do necessário para garantir novos investimentos, principalmente nas usinas mais antigas, que precisam realizar o retrofit, ou troca de caldeiras e modernização de equipamentos. “A metodologia utilizada hoje para formação de preço dos leilões precisa ser revista”, acredita.
O estabelecimento de um programa sustentado de oferta em leilões específicos e regulares daria um novo fôlego para a realização de investimentos. Segundo Jank, apenas com a cana disponível atualmente no país, o setor sucroalcooleiro poderia fornecer 14 mil MW ou o equivalente à produção de três usinas de Belo Monte, caso todas as usinas fossem equipadas com caldeiras eficientes. “Hoje, fornecemos apenas 1.000 MW”, disse.
Segundo ele, até 2008, por exemplo, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) tinha um programa específico para cogeração de biomassa. “Este programa foi unificado dentro de outro, voltado para energias renováveis, e ai dentro a importância da biomassa se perdeu”, disse.

Marco Regulatório

O presidente da Unica também defendeu a elaboração de um marco regulatório para o etanol diante da ciclotimia da matriz energética brasileira. “Nos últimos 40 anos, o Brasil já foi para todas as direções em relação à matriz energética. É preciso garantir que o etanol continuará fazendo parte dela nos próximos anos para atrair novos investidores”, disse. Segundo ele, enquanto o mundo discute as energias de baixo carbono, no Brasil este debate se arrefeceu por conta do pré-sal. “Se o Brasil tiver gasolina barata por conta do Pré-Sal, será que a matriz energética limpa ainda será buscada?”, disse.
O setor sucroalcooleiro trabalha, agora, para realizar uma expansão vertical através do aumento da produtividade. “Já estamos fazendo testes para produzir 14 mil litros de etanol por hectare ante 8 mil litros atuais. Nos anos 70, a produção por hectare era de 3 mil litros apenas”, disse. O executivo disse também que a consolidação que o setor atravessa vai permitir que mais investimentos em tecnologia sejam realizados. “Os grupos consolidadores são maiores e tem mais condições de atuar tanto na produção, como distribuição e também no desenvolvimento de novas tecnologias”, disse.

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