25 de junho de 2022

Setor primário do Amazonas experimenta “boom” de investimentos e apoio à produção

O setor primário do Amazonas nunca recebeu tantos incentivos, principalmente agora às vésperas das próximas eleições majoritárias. Hoje, a maioria dos municípios conta com várias frentes de obras que recuperam estradas, revigoram vicinais e melhoram a infraestrutura urbana, além de investimentos na logística para o escoamento da produção.

Tudo caminha para tornar a região num potencial agrícola, agregar valor aos produtos da floresta, mantendo, porém, a preservação do ambiente. “Essa questão é sempre uma pauta mundial.  Países do mundo inteiro estão cada vez mais pressionando pela intocabilidade da rica biodiversidade, exigindo projetos que não tenham qualquer impacto neste gigantesco ecossistema”, avalia o engenheiro agrônomo Edberto Alves, com larga experiência em atividades de campo no interior do Estado. “Hoje, os próprios agricultores estão mais conscientes sobre a importância de preservar o habitat em que vivem”, acrescenta ele.

O governo do Estado já recuperou pelo menos 69 ramais no entorno de Manaus e em municípios mais distantes da capital. O principal gargalo é a falta de logística para trazer a produção até Manaus, o principal mercado consumidor. O agricultor Solano Silva, que cultiva hortaliças em áreas da RMM (Região Metropolitana de Manaus), diz ter atualmente mais condições para comercializar os seus produtos.

“Antes, era praticamente impossível levar a produção para as principais feiras de Manaus. Caminhávamos muito tempo a pé, enfrentando lama pelo caminho. E muitas vezes os produtos acabavam apodrecendo”, conta. “No entanto, a situação hoje está diferente. Temos mais apoio para escoar os produtos”, diz.

Durante a pandemia, a situação foi grave. A paralisação da maioria das atividades econômicas atingiu muito o setor. Feiras e mercados funcionaram com muitas restrições, com horários diferenciados. O pouco tempo em que os negócios ficavam funcionando culminou em muitos prejuízos.

Os fornecedores ficaram empacados. Sem ter para quem vender, foram obrigados a estocar os produtos, mas a maior parte (por ser muito perecível) acabava ficando imprópria para o consumo. “Tive que reduzir o meu número de funcionários. Não teve jeito. Os atendimentos por delivery impactaram muito em meus custos. Felizmente, hoje a situação está melhor, com a economia funcionando já regularmente”, afirma Valdir Amarantes, que explora uma hortifrutigranjeiros na região de Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus.

O governador Wilson Lima, que disputará a reeleição, vem investindo pesadamente no setor primário.  Para ele, é importante dar mais apoio ao produtor regional, principalmente nas adjacências de Manaus e nos outros 61 municípios do Estado. “Queremos fixar o homem no campo, dando oportunidades a ele para ter melhores meios de vida. E essa estratégia começa por apoiar financeiramente os agricultores, dando ainda orientações técnicas e condições para o escoamento dos produtos cultivados”, ressalta ele.

Investimentos

Hoje, já são mais de R$ 2,5 bilhões de investimentos nas atividades agropecuárias desde que o atual governo assumiu o comando do Estado, segundo dados oficiais.  Com a proximidade das eleições, os financiamentos devem dobrar, estimam expertises do setor.

Equipes técnicas de órgãos estaduais (Idam, principalmente) percorrem os municípios ribeirinhos para orientar agricultores sobre a melhor forma de cultivos. Atualmente, essa atividade é formada em sua maioria pela agricultura familiar.

São cultivados todos os tipos de verduras, legumes e hortaliças, além de aves e gado (bovino e suíno). Porém, a cheia deste ano já comprometeu parte das lavouras, gerando muitos prejuízos aos produtores.

Animais foram transferidos para flutuantes até as águas baixarem. Famílias inteiras tiveram que construir marombas e pontes para enfrentar a situação. As águas invadem casas. E, à medida que avançam, esses recursos são cada vez mais improvisados nesta época.

“Não tive outra opção. Fui obrigado a deixar minhas cabeças de gado, parte das galinhas e dos porcos num flutuante. O problema é que a sucuri sempre aparece e leva um dos animais”, lamenta a agricultura Eva Silva, que vive na zona rural de Benjamin Constant, na tríplice fronteira do Alto Rio Solimões, reunindo as outras cidades –Tabatinga e Marco (no lado brasileiro), Petrópolis e Islândia (Peru) e Letícia, Colômbia.

Nessa região, o intercâmbio comercial e cultural é intenso. A população dos países já internalizou o português, o espanhol e o portunhol, absorvendo gírias e costumes com essa interação diária. “Muy mala la situación de los brasileños en estos tempos (na realidade tiempos)”, diz o colombiano Alcides Ramirez, comerciante, num portunhol daqueles carregados, que chega a ser hilário para quem ouve.

Parte da produção agrícola de Benjamin Constant está perdida. Os cultivos nas áreas de várzeas foram os mais prejudicados. Esse tipo de terreno proporciona mais nutrientes em relação à terra-firme, onde o calcário e outras substâncias químicas são mais escassas. Porém, a enchente recorrente em cada ano é fundamental para renovar o arsenal químico que possibilita a sobrevivência de um ecossistema que abriga várias espécies de vidas na Amazônia. E, assim é, todos os anos, há séculos.

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