29 de junho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Setor madeireiro busca soluções

Um dos territórios com maior potencial para produção de madeira do mundo, o Amazonas, busca há anos, tornar-se um produtor respeitável neste setor

Um dos territórios com maior potencial para produção de madeira do mundo, o Amazonas, busca há anos, tornar-se um produtor respeitável neste setor, mas ainda esbarra em problemas como logística, licenciamento, certificação e baixa qualificação tecnológica e de mão de obra. Para tentar buscar soluções, lideranças e representantes do segmento madeireiro se reúnem em Manaus, esta semana, para mais uma rodada de debates.
Aplicar metodologias que agreguem valor à produção madeireira do Amazonas é a proposta do seminário “Diagnóstico da Cadeia de Valor de Madeira do Estado do Amazonas”, evento iniciado nesta segunda feira (25) com duração até a próxima quarta feira (27). A abertura do seminário contou com a presença de representantes do WWF-Brasil, cooperativas, órgãos governamentais de fomento e pesquisa como a Seafe/SDS (Secretaria de Florestas e Extrativismo do Estado), Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas), secretarias municipais e prefeituras do interior e ONGs. O seminário espera ao final consolidar compromissos governamentais e com setores estratégicos para frear os entraves que contribuíram para a queda da produção amazonense.
Estão previstos no seminário a apresentação de relatos de experiência (vídeos de associações comunitárias), a divulgação de leis específicas para o manejo florestal de pequena escala, de linhas de créditos para esta atividade econômica, além de plenárias e a estruturação de um plano de monitoramento de atividades para o aperfeiçoamento da cadeia produtiva da madeira. Outros temas que também serão tratados são: a regularização fundiária, o licenciamento ambiental e o fortalecimento das associações envolvidas neste setor.
Ainda no evento foi lançado um estudo que mapeia a cadeia produtiva de cinco municípios amazonenses (Apuí, Boa Vista do Ramos, Lábrea, Manacapuru e Tefé). O estudo é baseado nas oficinas de aplicação de metodologia ministradas nestes municípios, desde o mês de agosto, conforme explicou o analista de conservação da WWF- Brasil, Marcelo Cortez “em cada cidade que recebeu as oficinas, vimos realidades diferentes, umas mais comerciais, outras com foco na indústria, mas todas com dificuldades semelhantes. O estudo para ser mais abrangente, precisou ser dividido em partes, em quatro elos fundamentais da cadeia: insumos, produção, transformação e comércio.”
Entre as propostas do seminário está a discussão e a busca por melhorias no setor que ainda é incipiente no Estado. Cortez cita a burocracia como um dos principais entraves para a produção no Amazonas “para se conseguir o licenciamento para o comércio, se espera uma média de 340 dias à partir da requisição. Nenhum produtor aguenta ficar tanto tempo com a produção na espera. Em conversas com o setor, foi estipulado como tempo hábil, 120 dias. Isso não pararia a produção, evitaria a perda de madeira e a tentação do produtor de comercializar de forma ilegal.”
De acordo com Cortez, o comércio ilegal seria facilmente combatido com novas políticas florestais “é necessário a criação de mecanismos que promovam a cadeia de valores da madeira, em uma produção sustentável e manejada. A falta de certificação leva o consumidor para o ilegal, já que a madeira usada na região provém de floresta nativa, que não atende a demanda do Estado. A tentação em comercializar e adquirir é grande, já que a madeira ilegal chega a ser 50% mais barata.” afirma o analista do WWF- Brasil.
Os coordenadores do evento esperam a adesão de atores da cadeia produtiva amazonense. A falta de entidades representativas é sentida nas discussões do setor “a interlocução é prejudicada pela falta de representantes, como discutir melhorias se não temos entidades de peso nos eventos? São poucos os sindicatos, associações e cooperativas de madeireiros no Amazonas e quando existem, não têm representatividade,” lamenta Cortez, lembrando que Estados que competem com o Amazonas são fortes no setor, Mato Grosso, Pará e Rondônia têm sindicatos que chegam a 400 empresas filiadas.

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