Setor de serviços sobe 2,9% em agosto, aponta IBGE

Último setor da economia a iniciar retomada após o pico da pandemia, os serviços apresentaram crescimento de 2,9% em agosto na comparação com o mês anterior, informou nesta quarta-feira (14) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Foi o terceiro mês consecutivo de alta, mas as vendas do setor ainda se encontram 9,8% abaixo do verificado antes da crise causada pela chegada da Covid-19 no país. Na comparação com agosto do ano passado, as vendas do setor de serviços caíram 10%.

A alta, porém, ainda não recupera as perdas causadas pelos efeitos da Covid-19 no país. No acumulado de janeiro a agosto, o setor registra retração de 9%. Considerando os últimos 12 meses, a queda é 5,3%.

O setor de serviços é o principal componente do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e o maior gerador de empregos do país. Sua recuperação é considerada fundamental para definir o ritmo de retomada da economia após as flexibilização das medidas de isolamento social.

É nesse setor que estão atividades como bares e restaurantes, hotéis, cinemas ou salões de beleza. Com maior dependência de contato pessoal, elas tiveram grandes perdas e demoram mais a se recuperar, seja porque ainda enfrentam restrições ao funcionamento seja pelo temor de contaminação.

Segundo o IBGE, quatro das cinco atividades pesquisadas tiveram crescimento e puxaram a alta no setor, com destaque para serviços prestados às famílias, que cresceu 33,3%, influenciado pela melhora no segmento de restaurantes e hotéis.

Apesar da alta recorde na série histórica, o ramo ainda está 41,9% abaixo do patamar de fevereiro, último mês antes das medidas restritivas entrarem em vigor para conter o avanço do novo coronavírus no Brasil.

Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa, apontou que o segmento de restaurantes e hotéis já tinha batido recordes em maio (13,8%) e junho (14,4%), mas mesmo assim segue longe do patamar pré-pandemia.

“Mesmo com esses recordes, ainda está muito distante de recuperar as perdas de março e abril, tamanha a queda. Para que os serviços prestados às famílias voltem ao patamar de fevereiro, ainda precisam crescer 72,2%”, disse o gerente da pesquisa.

Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios cresceu 3,9% em agosto, também sem recuperar as perdas de março e abril (-25,2%), apesar do ganho acumulado de 18,8% nos últimos quatro meses.

A recuperação dos transportes em agosto foi puxada por armazenamento, transporte aéreo de passageiros, rodoviário de cargas e rodoviário coletivo de passageiros, que podem ser creditados ao retorno gradual do comércio e das viagens em família.

Ainda cresceram os segmentos de serviços profissionais, administrativos e complementares (1%) e outros serviços (0,8%). Apenas informação e comunicação (-1,4%) teve resultado negativo, sinal de acomodação, segundo o IBGE, já que o segmento é dinâmico e acumula saldo positivo de 6,3% entre junho e julho.

No turismo, o índice de atividades turísticas cresceu 19,3% em agosto, acumulando ganho de 63,4% nos últimos quatro meses, ainda sem recuperar as perdas de 68% entre março e abril. Na comparação com agosto de 2019, o volume de atividades turísticas caiu 44,5%, sexta taxa negativa seguida.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, se surpreendeu positivamente com a divulgação do volume de serviços em agosto. Ele aponta que segmentos que estavam no fundo do poço, como transporte aéreo (14,6%) e alojamento e restaurantes (37,9%), demonstraram recuperação.

“Com o processo de flexibilização das restrições na pandemia, isso tende a ir se recuperando gradativamente”, disse o economista.

Sanchez alertou, porém, que uma retomada consistente só deve vir após uma vacina contra a Covid-19, o que traria uma normalização da confiança das pessoas.

“Só assim para que a gente tenha plenitude e um patamar pré-crise. No verão, deve ter uma recuperação em patamar melhor, mas não positivo ainda”, avalia.

Para chegarem ao nível de antes da pandemia, os serviços de transporte aéreo e alojamento e alimentação precisam crescer 112,1% e 78,3%, segundo o IBGE.

A retomada da economia brasileira com a flexibilização das medidas restritivas pelo país não tem sido igual em todos os grandes setores.

Indústria e comércio emendam quatro meses consecutivos de alta. Este último, que no PIB é parte dos serviços, já recuperou os níveis de venda pré-pandemia e ficou 2,6% acima do recorde de outubro de 2014. Segundo o IBGE, a diversidade do setor de serviços e a dependência do contato explicam a recuperação mais lenta.

O comércio brasileiro fechou com alta de 3,4% em agosto. De acordo com o IBGE, o setor está 8,9% acima do patamar de fevereiro, superando totalmente as perdas acumuladas durante a pandemia.

Na produção industrial, o crescimento em agosto foi de 3,2%. O setor, porém, ainda não conseguiu recuperar as perdas do pior período da crise, quando teve perdas de 27%. Diante desse cenário, a indústria ainda continua 2,6% abaixo do nível de fevereiro, período pré-pandemia.

Rodrigo Lobo explicou que a recuperação lenta em serviços na comparação com outros setores da economia se deve ao caráter presencial de algumas atividades e do receio de algumas famílias em consumir esses serviços.

“Os serviços prestados às famílias, que incluem restaurantes, hotéis, academias de ginástica e salões de beleza foram os que mais sentiram os efeitos adversos da pandemia. Com a retomada das atividades, algumas empresas abriram, mas com capacidade de atendimento limitada”, disse o gerente da pesquisa.

Ele acrescentou que as empresas que abriram mostram alguma recuperação, mas com um ‘teto de retomada’, já que não têm plena capacidade de atendimento, comparada ao período pré-pandemia. “Isso piora com o receio de algumas famílias de consumir esses serviços, como ir a restaurantes ou viajar”, afirmou Lobo.

A pandemia também segue deteriorando o mercado de trabalho no Brasil. A taxa de desemprego atingiu o patamar inédito de 13,8% no trimestre encerrado em julho.

É recorde também o número de brasileiros que se declararam desalentados, ou seja, que desistiram de procurar emprego por acreditarem que não vão encontrar uma vaga: 5,8 milhões. Igualmente inédito é o número de trabalhadores que se consideram subutilizados -trabalham menos horas do que gostariam. Esse contingente reunia 32, 9 milhões de pessoas.

No total, em julho, eram 52 milhões atingidos pela crise no emprego causada pela Covid-19 e seus efeitos.

Fonte: Folhapress

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