7 de maio de 2021

Setor de serviços foi o que mais sofreu em 2020

O setor de serviços foi o mais duramente abalado pelos impactos econômicos da crise da covid-19 em todo o país, e no Amazonas não foi diferente. Composto, em sua maioria, por atividades que dependem de aglomeração, como os serviços de eventos, alimentação, alojamento e turismo, entre outros. Também esteve entre os últimos a ser liberado na flexibilização econômica de junho/julho, sendo que segmentos como o de bares e restaurantes voltou a sofrer restrições mais severas em setembro e outubro.

As exceções vêm de poucos segmentos que trabalham com tecnologia e podem capitalizar o momento de distanciamento social, como a tecnologia de informação. Mas, diante desse cenário de poucos altos e muitos baixos, e das dificuldades de adaptação a um novo normal que limita a clientela, o setor de serviços do Amazonas é o mais cético em relação a 2021. Especialmente após o repique dos casos de covid-19 no Amazonas e a decisão do governo estadual voltar a endurecer nas medidas para inibir a escalada de contaminações, internações e mortes, com a publicação do decreto nº 43.236. 

Em entrevista ao site G1, o presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Amazonas), Fábio Cunha, afirmou que o segmento de alimentação fora do lar teme um novo decreto que determine o fechamento total das atividades de comércio e serviços não essenciais no Amazonas e inclua mais restrições à operação dos estabelecimentos. 

O dirigente reafirmou, como já havia dito em ocasiões anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, que os estabelecimentos maiores e “de salão” não têm condições de viver apenas de delivery, dada a relação dos custos fixos com o benefício de uma clientela gradativamente menor, e não deixou de mencionar que, a cada decreto e fechamento, o movimento cai e o comerciante perde matéria prima, que é perecível.

A Abrasel-AM estimou, em ocasião anterior, a partir de conversas entre seus associados, que um em cada três trabalhadores do subsetor foi mandado para casa, por força da pandemia e das medidas de isolamento, só entre abril e maio. Os números de mortalidade de CNPJs pelos mesmos motivos também foram consideráveis entre os bares e restaurantes do Amazonas: pelo menos 25% já fecharam as portas em definitivo. 

Também em depoimento anterior ao Jornal do Commercio, Fábio Cunha mencionou que, após os fechamentos de setembro e outubro, o relaxamento das medidas trouxe melhorea, mas houve queda de 50% no último bimestre, quando comparado ao mesmo período de 2019. A expectativa era conseguir recuperar parte das perdas em dezembro. “Não dá para ser otimista. Vivemos um momento de incerteza, pois outros Estados já estão até implementando lockdown na atividade”, desabafou.

Distanciamento e bolha 

O ceticismo em relação a 2021 é compartilhado entre as atividades que estão atreladas a setores mais dinâmicos, como a indústria do PIM. Para o presidente do Sifretam (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento de Manaus), Aldo Oliveira, o segmento termina o ano com um saldo equilibrado, após sofrer os fortes impactos iniciais da pandemia. 

“A necessidade de produção industrial e reposição de estoques gerou um crescimento para as empresas, assim como a necessidade de distanciamento entre os assentos de passageiros implicou na necessidade de utilização de mais veículos”, explicou.

O dirigente, entretanto, vê no aquecimento do segundo semestre uma bolha gerada pelas “variáveis do momento”, que podem não gerar soluções de continuidade. Por isso, e pelo fato de que o subsetor de fretamento já atravessa pelo menos três anos seguidos de dificuldades, que inibem investimentos, Aldo Oliveira encara 2021 com cautela extrema.

“A reposição dos estoques vai normalizar e a produção vai se adequar à demanda real de mercado. Com o relaxamento das restrições e a saída da quarentena, o povo queria gastar fazer alguma coisa, como uma forma de remédio ou compensação pelo período de lojas, shoppings e balneários fechados. Mas, os reflexos da pandemia, a meu ver, ainda estão por vir. E a injeção de dinheiro pelo governo federal, com os auxílios emergências, não vai continuar”, alertou.

Indagado sobre o índice de crescimento dos negócios em 2020 e sobre os planos de renovação da frota, já acalentados há alguns anos, o dirigente informou que o segmento continua “na mesma” e sem condições de substituir veículos no grau necessário. Aldo Oliveira reforça ainda que o crescimento de 30% deve-se basicamente à quantidade de veículos rodando, ao final da pandemia. 

“A quantidade de funcionários do PIM permaneceu igual e um dos motivos de não ter reduzido foi  porque todos os segmentos estavam com estoque baixo precisando de reposição. Estava faltando tudo no mercado e ainda não normalizou. Mas, não considero esse crescimento real. Como só posso ocupar um a cada dois bancos, esse aumento da operação se dá também pelo distanciamento, e não apenas por uma maior quantidade de funcionários”, asseverou. 

Incerteza e crescimento

A presidente do SISBISIM (Sindicato dos Salões de Barbeiros, Cabeleireiros, Institutos de Beleza e Similares de Manaus), Antônia Moura de Souza, informa que, apesar das dificuldades, o segmento de beleza conseguiu aumentar em 1,5% seu volume de negócios em 2020. Conforme a dirigente, apesar das dificuldades, foram poucas as empresas que fecharam no decorrer do ano, limitando-se a uma dezena. As fusões, por outro lado, deram a nota, reduzindo o número de pessoas jurídicas de 6.000 para 5.000, na comparação com 2019.

Antônia Moura de Souza diz que a expectativa das empresas para 2021 é de crescer em torno de 1%, porque a área de beleza “não cai”, mas admite que o panorama não é positivo para isso, no curto prazo. “A gente não pode nem ter certeza de nada para o ano que vem. Temos muita esperança que passe tudo isso, mas tudo depende dessa pandemia. Creio que não vamos ter esse crescimento logo nos primeiros trimestres, por causa de toda essa situação. Mas, estamos preocupados também com a vida e com a saúde. Nosso foco, agora, não é nem trabalhar e ganhar dinheiro, mas nos mantermos vivos”, lamentou.

Um dos entraves vem do fato de que as limitações de jornada e imposição de cuidados redobrados ao comércio de bens e serviços não essenciais, previstas pelo decreto nº 43.236, também valem para o segmento de beleza, embora o SISBISIM tenha tentado argumentar que a atividade é essencial. “Eu estava na reunião e expliquei toda essa situação. Só que temos que comprovar isso aí. Agora que damos entrada na Câmara e vamos fazer isso no Estado, também. Pedimos para trabalharmos em um horário mais extenso e expliquei que a situação de fim de ano, quando tivemos mais despesas com a proteção da vida e produtos. Mas, não adiantou”, finalizou.  

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