Setor de serviços do Amazonas perde receita bruta em dez anos

Em dez anos, o setor de serviços do Amazonas registrou altas no número de empresas (+37,3%) e de empregos (+13,2%) – com destaque para os serviços profissionais, administrativos e complementares (45,9% do total, ou 58.186 pessoas). Mas, a remuneração média (de 2,1 para 1,9 salários mínimos) sofreu queda, assim como a receita bruta das empresas – especialmente o segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (46,1% de participação e R$ 9,1 bilhões). É o que revela a Pesquisa Anual de Serviços – 2019, divulgada pelo IBGE, nesta quarta (25).        

Em linhas gerais, a sondagem mostra que “a atividade de prestação de serviços não financeiros” reuniu 6.682 empresas ativas e 126.675 trabalhadores no Amazonas, em 2019. A massa salarial foi de R$ 3,06 bilhões, com remuneração média de 1,9 salários mínimos. A receita bruta, por sua vez, totalizou R$ 19,8 bilhões, no intervalo analisado, levando o Estado a obter a maior participação na Região Norte (38,2%), pouco à frente do Pará (36,5%) e com boa vantagem em relação ao terceiro colocado – Tocantins (8,7%).

No intervalo de tempo analisado pela pesquisa do IBGE, o número de empresas aumentou de 4.865 (2010) para 6.682 (2019), e avançou 37,3%. “[É um número] que vem aumentando a cada ano. (…) Este é um crescimento decorrente da evolução do mercado, e influenciado pelas exigências fiscais e tributárias quanto à regularização dos prestadores de serviços”, assinalou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa.

Apesar do crescimento, o Amazonas perdeu representatividade regional. Em 2010, o Estado possuía 4.865 unidades, e liderava o ranking da região, com 33,8% de representatividade. Mas, em 2019, as empresas amazonenses respondiam por apenas 29,9% da região Norte, ficando logo atrás do Pará (32,4%), nesse quesito. Embora minoritário, Tocantins foi o Estado que mais cresceu no período (+4,4 p.p.).

Os segmentos com maior número de empresas no Amazonas foram serviços profissionais, administrativos e complementares (2.908 empresas ou 43,5% do total), serviços prestados às famílias (1.536 empresas ou 23%) e transportes e serviços auxiliares aos transportes (1.004 empresas ou 15%). Em termos de crescimento, as atividades imobiliárias (+93,4% e 176 empresas), comunicação e informação (+66,1% e 485 empresas) e serviços profissionais, administrativos e complementares (+61,8%) lideraram um ranking onde o único dado negativo veio dos serviços de manutenção e reparação (-6,1% e 341 empresas).

A divisão de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio foi responsável pela maior parte da receita bruta dos serviços do Amazonas, com 46,1% de participação (R$ 9,1 bilhões). Em seguida estão os serviços profissionais, administrativos e complementares (23,1% ou R$ 4,5 bilhões), serviços de informação e comunicação (15,7% ou R$ 3,1 bilhões), serviços prestados principalmente às famílias (9,9% ou R$ 1,9 bilhão), outras atividades de serviços (3,1% ou R$ 620,6 milhões), atividades imobiliárias (1,1% ou R$ 209,6 milhões) e serviços de manutenção e reparação (1% ou R$ 207,6 milhões).

Empregos e salários

Em paralelo, o contingente de pessoal também subiu, de 111.897 (2010) para 126.675 (2019), uma diferença de 13,2%. O Amazonas ficou em segundo lugar na região Norte e também perdeu participação percentual nesse quesito, ao passar de 36,4% (2010) para 33,9% (2019). “O Pará, por sua vez, é a unidade regional com maior número de mão de obra no setor de serviços e a cada ano vem ganhando mais representatividade em relação aos outros Estados da região, tendo passado de 36,8% de participação, em 2010, para 38,2%, em 2019”, assinalou o IBGE-AM.

Todos os segmentos aumentaram o contingente, com destaque para serviços profissionais, administrativos e complementares (45,9% do total ou 58.186 pessoas), seguido por transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (26,5% ou 33.559 pessoas), serviços prestados às famílias (18% ou 22.819 pessoas), informação e comunicação (4,23% ou 5.359 pessoas), outras atividades de serviços (2,64% ou 3.351 pessoas), serviços de manutenção e reparação (2,06% ou 2.613 pessoas) e atividades imobiliárias (0,62% ou 788 pessoas). 

O salário médio mensal nas empresas, no entanto, foi na direção contraria e recuou 9,52%, ao passar de 2,1 (2010) para 1,9 salários mínimos (2019). Todos os subsetores amargaram queda, especialmente os serviços de manutenção e reparação (-0,8 s.m.), atividades imobiliárias (-0,8 s.m.) e transportes e serviços auxiliares aos transportes (-0,6 s.m.). Os menores salários médios mensais foram apontados nos serviços prestados às famílias e nos serviços de manutenção e reparação (ambos com média de 1,4 s.m.). Na outra ponta, o melhor número veio de informação e comunicação (3,3 s.m.).

Legalização e logística

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que o “bom desempenho” do faturamento da atividade de serviços do Amazonas, na década analisada pelo órgão federal de pesquisa, não se refletiu na performance do quantitativo de empresas, pessoal ocupado e salários. Na análise do pesquisador, o fato da evolução do Amazonas não ter acompanhado o ritmo de outras unidades federativas vizinhas e perder representatividade, se deve à combinação da dinâmica econômica do período com os diferenciais do Estado.

“O crescimento no número de empresas de 2010 para 2019, tem origem no crescimento econômico e também na necessidade da legalização contábil e fiscal das empresas prestadores de serviço. Quanto ao faturamento, o agrupamento que mais faturou foi transporte. Isso é uma consequência da logística necessária para movimentar mercadorias e matérias-primas (de/para) o Amazonas e Manaus”, arrematou.

Foto/Destaque: Divulgação

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