22 de julho de 2024
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Setor de serviços do Amazonas consolida recuperação em setembro

O setor de serviços do Amazonas consolidou recuperação, ao crescer pelo segundo mês seguido, em setembro. O acréscimo de 0,5% diante de agosto – que teve três dias úteis a mais – foi o sexto saldo positivo do ano nesse tipo de comparação. O resultado veio novamente na contramão da média nacional, em um mês negativo para 17 das 27 unidades federativas do país. O confronto com o mesmo mês de 2022, contudo, indicou queda de 0,4%, em sentido inverso ao do mês anterior. O Estado ainda conseguiu fechar os acumulados do ano (+2,8%) e dos últimos 12 meses (+4,1%) no azul, mas segue perdendo terreno. Os dados são da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), do IBGE.

O aquecimento posicionou o Amazonas acima da média nacional em metade das comparações. Com o segundo dado negativo consecutivo na variação mensal (-0,3%), os serviços brasileiros também declinaram (-1,2%) ante setembro de 2022. Foram desfavorecidos pelas divisões de serviços profissionais, administrativos e complementares; de informação e comunicação; e de transportes. Os aglutinados de 2023 (+3,4%) e dos 12 meses (+4,4%) se mantiveram em progressão. A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) manteve suas expectativas de alta para os serviços (+3,6%) e para o turismo (+8,3%) em 2023.

Apesar do IPCA ainda ameno de setembro (+0,26%) o descolamento da receita nominal se manteve em relação ao volume de serviços. A variação mensal do faturamento a preços correntes veio muito acima do resultado efetivo das vendas, ao avançar 2,9%, reforçando o ganho de agosto (+1,9%). A comparação com setembro de 2022 apontou uma escalada de 7,1%, ajudando nos acumulados do ano (+6,3%) e dos 12 meses (+8%). As respectivas variações da média nacional (+1%, +3,1%, +7,3% e +8,7%) também foram todas positivas. 

Estados e atividades

Com a alta de 0,5% perante agosto, o Amazonas decolou da 16ª para a oitava posição do ranking, em meio a 17 resultados negativos. A lista foi liderada por Piauí (+2,9%), Rio de Janeiro e Ceará (ambos com 1,9%), sendo que os piores resultados ficaram em Rondônia (-6,7%) e Rio Grande do Norte (-6,2%). Em relação ao mesmo mês de 2022, o Estado (-0,4%) passou da 23ª para a 18ª colocação, com o Mato Grosso (+20,8%) e o Amapá (-12,6%) nos extremos. Também subiu para o 22º melhor número no acumulado do ano (+2,8%), em um rol também liderado pelo Mato Grosso (+18,1%) e encerrado pelo Amapá (-3,8%).

O IBGE-AM reforça que, em virtude do tamanho da amostragem, a pesquisa no Amazonas ainda não apresenta os dados desagregados por segmentos. O retrocesso mensal de 0,3% para os serviços de todo o país se disseminou em três das cinco atividades. Só os serviços prestados às famílias (+3%) e os “outros serviços” (+0,8%) conseguiram avançar. Segundo o IBGE, o primeiro grupo foi favorecido pela atividade de espetáculos musicais, já que “houve um grande festival de música, realizado em São Paulo, em setembro”. 

Em contraste, os serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%) declinaram, sendo influenciados pela menor receita vinda das atividades: jurídicas, de limpeza e de serviços de engenharia. Outra queda que chamou a atenção do IBGE veio do segmento de informação e comunicação (-0,7%), que foi pressionado principalmente pelas atividades de suporte técnico, manutenção e outros serviços em TI. Já o segmento de transportes (-0,2%) foi prejudicado principalmente pelo transporte rodoviário de carga e o transporte aéreo de passageiros. 

Sem perspectivas

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, enfatizou que os serviços do Amazonas apresentaram mais um mês de vendas positivas, com uma “variação quase que constante” durante o ano. O pesquisador acrescenta que os números da receita nominal mostram que os números do setor poderiam ser “bem melhores”. Mas, ressalta que o cenário de curto prazo ainda é incerto para o setor.

“A queda na comparação com setembro do ano passado foi a nota baixa do mês. Com isso, o acumulado do ano e dos 12 meses que vê perdendo forças a cada mês. A média móvel trimestral dos serviços do Amazonas está praticamente estável. Isso não demonstra cenários e perspectivas futuras. Por isso, precisamos esperar os próximos meses, para saber como será o comportamento das vendas de serviços”, ponderou.

Acomodação e sazonalidade

O presidente em exercício da Fecomercio-AM, considera que os números do IBGE confirmam que o setor de serviços do Amazonas ainda é um dos mais dinâmicos no atual momento econômico estadual e nacional. “Evidentemente que o crescimento se acentua no segundo semestre, que traz o verão e uma série de vantagens de circulação de consumidores e realização de obras. A atividade é a mais robusta do Estado e a que emprega mais trabalhadores. A tendência é que, com o fim da vazante e a recuperação das condições logísticas, teremos uma efetiva retomada”, frisou.

Para a ex-vice-presidente do Corecon-AM, e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, a “singela” recuperação do setor nos últimos seis meses reflete a dificuldade de recuperação da economia. “Esperamos melhores resultados para o último trimestre, devido às datas comemorativas, e em vista da elevação de moeda em circulação. O cenário macroeconômico do ano é de desafios, no que tange ao controle inflacionário, e de espera, em relação à continuidade do processo de queda da Selic, de forma a favorecer empréstimos e investimentos. Mas, apesar dos desafios, somos otimistas”, arrematou.

Boxe ou coordenada: CNC mantém apostas para o setor em alta

Mesmo com o resultado morno de setembro, a CNC manteve suas apostas para o crescimento dos serviços (+3,6%) e do turismo (+8,3%). A entidade destaca que os serviços têm mostrado resistência aos impactos da crise monetária dos últimos anos, destacando-se em atividade e preços. “O papel vital desempenhado pelos serviços na recuperação e no avanço econômico é inegável. Apesar de registrarmos uma segunda queda mensal, a revisão é otimista, e as projeções refletem a confiança na tendência de uma aceleração global”, amenizou o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

De acordo com CNC, por outro lado, o turismo teve variação positiva de 7,9% nos nove primeiros meses de 2023, situando-se 6,1% acima dos níveis pré-pandemia. No plano regional, a demanda por transporte aéreo se aproximaria dos níveis de 2019, com volume 3% acima desse patamar nos 20 maiores aeroportos do país. Mas, conforme o economista da CNC, responsável pela análise, Fabio Bentes, o contingente de passageiros ainda está 9% abaixo dessa marca, e os reajustes das passagens aéreas podem contribuir para desacelerar o segmento, nos próximos meses. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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