Setor de motos do PIM prevê crescimento até o fim do ano

O setor de motocicleta do PIM (Polo Industrial de Manaus) projeta um crescimento de 26,8% de sua produção até o fim do ano. A meta é que as montadoras fabriquem 1,22 milhão de unidades e supere as 961.986 motos fabricadas em 2020. A projeção foi feita pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), que revisou os números do setor de acordo com o cenário econômico afetado pela segunda onda da Covid-19. 

Segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian,  a pandemia ainda influencia no planejamento das montadoras que precisam criar estratégias para atender o mercado consumidor. Apesar dos desafios, o setor olha para o atual cenário de forma positiva com objetivo de crescimento na produção.

Mesmo com a baixa produtividade, as empresas mantiveram o compromisso com a mão de obra local e montaram estratégias para manter os postos de trabalho. Segundo dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), em 2021 o setor registrou 20,1 mil postos de trabalho, um cenário animador para o atual cenário econômico. 

“As unidades fabris registram uma curva de aceleração das produções e cumprem o seu planejamento. Aliado a isso, temos um mercado bastante aquecido, pois a motocicleta hoje é instrumento de trabalho e opção de deslocamento seguro para evitar a aglomeração do transporte público”, destacou.

Fermanian mostrou-se animado com o aumento de vacinação na cidade de Manaus e com a queda de casos de contaminação do vírus na região. E com isso, destacou, que o atual cenário anima o setor a produzir e manter a curva de crescimento de forma contínua até alcançar a meta estabelecida pelas associadas.

“É do nosso interesse produzir e manter a curva de crescimento. Queremos muito isso, mas ainda é necessário manter os cuidados de distanciamento e zelo pela saúde dos colaboradores dentro das fábricas. E precisamos continuar adequando a produção às normas de segurança de saúde”, disse.

Montadoras

A empresa Moto Honda da Amazônia está monitorando a situação e, no momento, não há problemas na produção por falta de insumos. Os impactos da covid-19 nas cadeias de suprimentos e no setor de logística apresentam desafios, porém a empresa vem trabalhando continuamente junto aos seus fornecedores para manter os volumes estabelecidos para todos os modelos.

Em relação ao seu plano de estratégia, entre janeiro e julho deste ano, a montadora registrou 42% de crescimento nos emplacamentos, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a companhia, esse é um resultado positivo que reforça o cenário de que a demanda por motocicletas continua aquecida. Com o crescimento do setor de entrega em domicílio devido à pandemia, a tendência de priorizar o transporte individual para a mobilidade diária é muito grande.

No entanto, a empresa destaca que mesmo com os resultados positivos do período, é preciso cautela. Ainda há incertezas diante do elevado nível de desemprego, da situação fiscal e da inflação, e com a própria pandemia que ainda não foi superada. A empresa projeta crescimento em relação a 2020, e continuará monitorando a situação.

Em relação à mão de obra, a empresa conta com cerca de 7 mil funcionários, sendo aproximadamente 6 mil diretamente ligados à produção. No momento, não há planos de aumento significativo no quadro de colaboradores. De acordo com os novos cenários do mercado e economia, podem ser realizadas contratações pontuais.

A rede de concessionárias ainda enfrenta a indisponibilidade de alguns modelos, o que é consequência direta do impacto da pandemia nas operações produtivas. A disponibilidade será normalizada gradativamente ao longo do segundo semestre deste ano, considerando um cenário de estabilidade na produção e no nível de demanda.

Já a Yamaha Motor da Amazônia, ultrapassou 19.000 unidades fabricadas no mês de julho. Segundo o diretor de relações institucionais da Yamaha, Hilário Kobayashi, a demanda por insumos está em alta e ainda deve levar algum tempo para que se regularize o fluxo regular pré pandemia. “No mais, a Yamaha vem cumprindo o cronograma de produção previamente estabelecido, que já considera ganhos de produtividade”, disse.

Em relação ao plano de estratégia para a produção, a empresa vem trabalhando em dois turnos, com sua capacidade máxima, e atende ao mercado seguindo programação estipulada em parceria com sua rede de concessionárias, que considera a alta demanda e os ajustes de produção havidos no período mais agudo da pandemia. Em relação à mão de obra, a montadora está com seu quadro funcional completo que atende ao plano de produção que vem sendo seguido.

Meta

Segundo Fermanian, a indústria ainda não conseguiu zerar as demandas pendentes das concessionárias devido ao tempo dos transportes da fábrica ao mercado consumidor. Além disso,o mês de julho com o período de férias contribuiu para a redução da produção nas fábricas para atender a demanda. “Com a produção de agosto, setembro e outubro, o setor pretende atender a demanda com todos os esforços adicionais”, disse.

Fermanian destaca que com a nova previsão, o setor deve ficar próximo ao patamar de 2015, quando foram fabricadas 1.262.708 motocicletas. “Ainda estamos bem distantes do recorde de 2011, que teve mais de dois milhões de unidades produzidas, mas o importante é que a indústria está consolidando sua recuperação e os sinais indicam o início de um novo ciclo de expansão”, explica. 

Vendas e exportação

A Abraciclo destacou que houve a revisão para o número de vendas e exportações. A estimativa é de que sejam comercializadas 1.140.000 motocicletas, alta de 24,6% em relação às 915.157 unidades emplacadas em 2020. Já para as exportações, a perspectiva é de que sejam embarcadas 51.000 motocicletas, volume 51,1% superior ao registrado no ano passado (33.750). 

A perspectiva anterior, também apresentada no início do ano, era de que os licenciamentos somariam 980.000 unidades e as exportações totalizariam 40.000 motocicletas.

Exportações

Em julho, foram exportadas 6.026 motocicletas, alta de 36,7% na comparação com o mês anterior (4.409 unidades) e de 36% em relação a julho de 2020 (4.432 unidades). Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, a Colômbia foi o principal destino, com 1.582 unidades e 33,6% volume exportado. A Argentina ficou em segundo lugar (1.100 motocicletas e 23,3% do total exportado), seguida pelos Estados Unidos (732 motocicletas e 15,5%). De acordo com Fermanian, a política econômica do governo vizinho não tem contribuido para a compra de motos no Brasil

De janeiro a julho, foram exportadas 32.286 motocicletas, aumento de 115,4% na comparação com o mesmo período do ano passado (14.990 unidades). A Argentina lidera o ranking dos destinos, com 9.445 unidades e 29,7% do volume total exportado. Na sequência, ficaram a Colômbia (7.039 unidades e 22,1% das exportações) e Estados Unidos (6.570 unidades e 20,7%).

Foto/Destaque: Divulgação

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