Setor de comércio e serviços cobram definição do governo

O Executivo do Amazonas sinalizou, nesta segunda (11), em comunicado à imprensa, que deve endurecer nas medidas de combate ao Covid-19. Empresários de comércio, serviços e indústria aguardam um adiamento no calendário de retorno às atividades, diante dos números mais recentes da pandemia. Há quem espere também, na pior das hipóteses, medidas de controle mais severas para os setores essenciais já em operação.

Após decretar luto de três dias em nome das mais de mil vítimas fatais do Covid-19 no Amazonas, o governador Wilson Lima disse que vai se reunir, nesta terça (12), com dirigentes de classe, representantes de poderes e de órgãos de controle para definir medidas mais rígidas. Embora as lideranças setoriais as perdas decorrentes da quarentena, há consenso em torno da necessidade de medidas de austeridade para achatar a curva de contágio.  

O Estado amargou 320 novos registros da doença, nesta segunda-feira, totalizando 12.919 casos confirmados do novo coronavírus, segundo boletim epidemiológico divulgado pela FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas). Foram confirmadas também mais 31 mortes pelo Covid-19, elevando as estatísticas para 1.035, desde o começo da pandemia na região.

Segundo Wilson Lima, o estudo encomendado pelo governo indica que o Estado já atravessava o pico de casos de Covid-19 no início de maio. Também aponta a necessidade de análise do comportamento da curva de incidência, o que vem sendo feito para avaliar, inclusive, possibilidade de um repique de casos. 

“Estarei reunindo com os poderes, com a indústria e o comércio para a gente reavaliar a possibilidade de estabelecermos medidas mais restritivas, porque quanto maior for o isolamento, mais rápida há a possibilidade da gente sair dessa situação e retomar a nossa rotina”, frisou, em material divulgado pela Secom (Secretaria de Comunicação do Estado).

Indagado pelo Jornal do Commercio a respeito do calendário de retorno das atividades presenciais dos segmentos essenciais de comércio e serviços não essenciais – previsto para esta quinta (14), o titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga, disse que ainda não dispunha dessa informação e que o órgão só poderia confirmar isso, na manhã desta terça (12). 

“Amanhã, pela manhã, vamos revisar os números e análise de risco feita pela FVS, para definir os próximos passos. Nesse momento, não tenho outra informação. Se os números estiverem dentro de previsto e as análises de risco assim o recomendarem, o calendário poderá ser mantido. Se não, terá que ser alterado”, ponderou.

Equilíbrio na austeridade

No entendimento do presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, a escalada dos números locais da contaminação de Covid-19 e as deficiências no sistema de saúde amazonense pedem, de fato, ações mais severas, sem esquecer da busca por um equilíbrio com a recuperação econômica. O dirigente estima que 30% das empresas já se encontram em “momento extremamente delicado” em suas contas.

“Sei que esse equilíbrio é muito difícil de ser conseguido. Um lockdown não funcionaria, como já não está funcionando em Belém e São Luiz. Mas, precisamos de mais austeridade. Nem as campanhas do governo, nem o noticiário sobre a pandemia conseguiram conscientizar parte da população, que não leva as medidas a sério e não se cuida, esquecendo de usar máscaras e evitar aglomerações. Vemos muito isso, principalmente nas zonas Leste e Norte”, desabafou. 

Adiamento esperado

Já o presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Seccional Amazonas), Fabio Cunha, disse que vai esperar para ver “o que o governo tem a dizer”. Concorda, contudo, que medidas mais duras para conter a curva de contágio do novo coronavírus se fazem necessárias, em decorrência da desobediência civil em relação ao isolamento social, fator que alonga o período de quarentena. 

“Infelizmente, a população não se cuida e não obedece. Vemos esse comportamento até em alguns lojistas. Mas, o adiamento do retorno já é esperado pelo setor, que já vem sofrendo perdas muito fortes. Em torno de 20% das empresas, em todo o país, já anunciaram que não vão voltar, mesmo quando a pandemia passar. Ainda estamos levantando os números locais, mas tudo indica que será maior por aqui”, lamentou. 

“Vamos aguardar”

Procurado pelo Jornal do Commercio para falar sobre suas expectativas em torno do que pode ser definido para os setores na reunião de hoje, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, preferiu não entrar em detalhes: “Não tenho como avaliar sem a oficialização das medidas. Vamos aguardar”, comentou.

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, seguiu a mesma linha: “A reunião com o governador Wilson Lima será sobre a retomada ou não da economia nas datas estabelecidas no calendário. Ainda não posso adiantar se será postergado o prazo para o cumprimento do calendário da retomada”, encerrou. 

Fonte: Marco Dassori

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