Setor de comércio e serviços ainda na incerteza sobre volta

O comércio Amazonas recebeu duas boas notícias e uma ruim, nesta quinta (30), na reunião do Gabinete de Crise para o Covid-19. De positivo, viu afastada a possibilidade de um lockdown no curto prazo e o aceno com um calendário de retorno para os segmentos não essenciais – fechados por força do Decreto 42.185/2020, cuja validade se encerrou ontem. A questão é que a data inicial de retorno, marcada para 14 de maio, pode ser revista, caso a evolução dos números locais da doença não atendam as expectativas.   

Os comerciantes amazonenses já perderam R$ 840 milhões em cinco semanas de crise e restrição às atividades – de 15 de março a 18 de abril –, conforme estudo inédito da CNC. As perdas de faturamento acumularam R$ 86,4 bilhões em todo o país, queda de 39% em relação ao período pré-pandemia, já que até 80% dos estabelecimentos foram fechados, em decorrência de decretos estaduais e municipais. 

O Estado foi o segundo em termos de números absolutos de perdas em toda a região Norte, ficando atrás apenas do Pará (R$ 980 milhões). As regiões Sul e Sudeste concentraram 70% dos decréscimos de receita do varejo no período. São Paulo (R$ 26,58 bilhões) encabeçou a lista, sendo seguido por Minas Gerais (R$ 6,90 bilhões) e Rio Grande do Sul (R$ 6,63 bilhões).

Entre a terceira semana de março e a segunda semana de abril, as perdas mais expressivas se concentraram nos segmentos varejistas especializados na venda de itens não essenciais (R$ 78,27 bilhões). “As vendas de alimentos e medicamentos, segmentos que respondem por 37% do varejo brasileiro, acumularam perda de R$ 8,13 bilhões no período”, destacou o economista da CNC responsável pelo estudo, Fabio Bentes.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estima, ainda, que a crise do Covid-19 tem potencial para eliminar 28% dos postos formais de trabalho do setor em todo o país em até três meses – o equivalente a 2,2 milhões de vagas. Não há estimativas para o Amazonas, nesse quesito, mas dirigentes ouvidos pelo Jornal do Commercio apontam que o comércio já mandou para casa mais de 6.000 trabalhadores nesse período e estimam que os cortes podem limar de 10% a 15% de sua força de trabalho (400 mil).

Flexibilização e números 

Os números locais mais recentes da pandemia estreitam o horizonte para a retomada do varejo. O Amazonas registrou mais 453 casos de Covid-19, nesta quinta (30), totalizando 5.254 casos confirmados do novo coronavírus. Manaus concentra 62,30% dos registros (3.273) e 49 municípios do interior respondem pelos 37,70% restantes (1.981). Também foram confirmados mais 45 óbitos pela doença, elevando para 425 o total de mortes no Estado. Os dados são da FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde). 

“A data de flexibilização dos segmentos vai depender dos números evoluírem conforme o esperado. Serão levados em conta não apenas a quantidade de casos diários, mas também fatores como os números de propagação da doença por pessoa e a capacidade de atendimento do sistema de saúde, entre outros. Vai depender também da adesão às medidas de segurança, como o uso de máscaras e álcool gel”, ressaltou o titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga.

“Estamos apresentando um plano para retomada gradual das atividades, baseado em estudo que fizemos com especialistas, indicando que estamos no pico da doença. Mas, é preciso levar em consideração que esse pico pode se manter, de acordo com o comportamento social. Estabelecemos um prazo que, a partir do dia 14, essas atividades retomam gradualmente. Até lá, estamos renovando nosso decreto que suspende serviços não essenciais e as pessoas têm que respeitar o isolamento social”, declarou o governador Wilson Lima, em texto veiculado pela Secom (Secretaria de Estado de Comunicação Social).

Procurado pelo Jornal do Commercio, o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, comemorou o afastamento do lockdown do horizonte do comércio, mas lamentou o fato de que as datas previstas para retorno podem sofrer nova revisão e que o foco econômico da reunião tenha se limitado ao calendário. “Tudo bem que estamos em uma emergência, mas acho que devem dar mais atenção à economia, que é importante também”, arrematou.

Menor adesão

Em contrapartida, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, disse que o enfraquecimento da adesão ao isolamento social atenuou os prejuízos do setor em todo o país. “Embora a adoção de estratégias de venda através de canais digitais, como e-commerce e serviços de entrega, tenha reduzido as perdas de receita por conta das restrições impostas às vendas presenciais, as quedas menos intensas a partir do fim de março podem ser atribuídas a um maior fluxo de consumidores nas ruas”, ponderou, no texto da assessoria da CNC.

Segundo a consultoria Inloco, que mede a movimentação de consumidores por meio do rastreamento de celulares, o Índice de Isolamento Social chegou a se aproximar de 70% na segunda metade de março, mas recuou para 50% na segunda metade de abril. Já o Google Community Mobility Report registrou, ao fim de março, um aumento de 17% no fluxo de pessoas próximas a estabelecimentos comerciais especializados na venda de produtos essenciais, como alimentos e medicamentos. Nas proximidades de estabelecimentos que comercializam produtos não essenciais, o aumento foi ainda maior: 29%.

Fonte: Marco Dassori

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