Setor de ceias prontas afetado pela alta nos preços

Há pouco mais de dez dias para o Natal, pesquisas sugerem que os brasileiros devem fazer um verdadeiro malabarismo em relação às tradicionais ceias para as celebrações de fim de ano. Isso porque alguns produtos como aves estão mais caros que em 2019. Diante desse cenário de ascendência, estabelecimentos que lucram com encomendas nesta época, temem queda na demanda, considerando que o setor acompanha o dinamismo  do mercado e precisa repassar os valores ao consumidor final.  

“Para o setor de alimentos e bebidas, esse aumento é bem desfavorável se levarmos em consideração a situação socioeconômica que o mundo vive. Colocar na ceia natalina produtos como ave, pernil, frutas secas e in natura, azeites e vinhos,sendo que  esses últimos, com a alta do dólar, pode até ficar de fora da mesa do consumidor. O consumidor  final vai acabar pagando em uma ceia pronta  aproximadamente 60% a mais do que pagou no ano passado. Penso que a quantidade de pedidos venha ser baixa e que até mesmo para quem for produzir em casa vai sentir no bolso e a solução vai ser utilizar com mais frequência os produtos regionais”, afirma Bruno Raphael Leitão, proprietário do restaurante Taberna 88, que trabalha com ceias sob encomenda.

Ele não tem dúvidas que o impacto será o baixo número de adesão das ceias prontas e até mesmo a falta de alguns itens tradicionais que sempre fazem parte da ceia natalina do brasileiro. “Infelizmente, com a alta do dólar, os produtos acabaram refletindo diretamente no preço nas prateleiras dos supermercados e, devido à crise financeira que não só o país vive, mas também o mundo, isso acaba impactando muito mais pela situação da pandemia”. 

Ele segue a linha de que a melhor solução para este momento de aumento de preço acima da inflação é a criatividade. Substituir os produtos tradicionais pelos regionais como, por exemplo, utilizar o bacon de pirarucu no lugar do tender e passar a utilizar frutas regionais.

O empresário reitera que o setor de alimentos e bebidas já vem sofrendo desde o início da pandemia, mas agora a situação parece ser mais crítica, principalmente por conta da alta dos preços. Ao aumentar o valor dos nossos produtos afastam os clientes, mas em contrapartida, se formos aplicar os preços que trabalhávamos antes, teremos prejuízo. A situação é bem delicada e, como falei anteriormente, quem for mais criativo, sairá na frente tanto na questão da venda quanto na elaboração da ceia em casa.

Minimizando prejuízos

Para o chef Dedé Parente, além de um ano atípico para todos os setores com efeitos negativos para a alimentação fora do lar, o aumento na inflação surge com o grande inimigo. “Eu não entendo como o governo chega a esses índices baixos de inflação sendo que  é perceptível o aumento em tudo de uma forma desleal. Além disso, há a falta de material no mercado. As aves chegaram com um aumento sem explicação. A própria carne bovina tiveram cortes que subiram entre 70% a 80%. E a gente está ‘dançando conforme a música’. Estamos fazendo malabarismo para segurar as operações em uma data super importante”, diz o chef. 

Há 25 anos, a empresa dele tem o serviço de ceias. Ele conta que em novembro reformulou  o cardápio, precificou e começou a divulgar. Mas para surpresa os preços estão perdendo o controle. “Até o momento, eu ainda não consegui comprar os perus que nós vamos precisar justamente por conta dessa alta. A minha expectativa é que os supermercados entrem numa guerra de preço para ver se a gente de alguma maneira vai ser beneficiado porque está inviável comprarmos direto dos fornecedores. Vai mexer muito na nossa margem, isso é uma preocupação muito grande”.

Ele diz ainda que tudo indica que as pessoas não irão fazer aquela grande reunião em família, e  uma das coisas que fez para se defender deste cenário, buscou alternativa em relação a quantidade de pessoas devido a pandemia e com a segurança alimentar. “Nós ficamos preocupados e resolvemos adaptar, diferente do ano passado, que eram pirex de vidros, este ano investimos numa máquina seladora para lacrar as embalagens, dando mais  conforto e garantia para quem vai encomendar. “Temos porções de até três litros dando oportunidade para as famílias que têm duas e até três pessoas fazer uma ceia com o valor mais reduzido proporcionalmente ou com a família maior, ter a oportunidade de pedir dois pratos de dois litros com o cardápio da sua preferência. Vai dar muito certo. Além da garantia das comidas que estarão bem embaladas e bem vedadas é uma embalagem prática que  quem quiser esquentar no forno convencional ou no microondas vai conseguir e até transportar para o sítio ou para qualquer outro lugar que não corre o perigo de  derramar”. 

Apesar dos desafios e percalços deste ano, com a força do  investimento em maquinário algo em torno de R$ 40 mil, ele é otimista. “A gente vai ter um número animador, mas lamento a falta de sensibilidade do governo em relação ao setor”. 

Em reunião sobre metas para este ano, Dedé explica que tem um número limitado de encomendas por conta da capacidade de produção. “As comidas são todas  feitas todas no dia. Ano passado vendemos em torno de 600 pratos servindo cerca de cinco mil pessoas. “Hoje eu cobro proporcionalmente mais barato”.  Até o dia 18 de dezembro a empresa está recebendo encomendas. 

Números

Pesquisa da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (CDC/Aleam) indica que os itens que compõem a cesta natalina em Manaus, sofreu uma variação de 84,05%..

Na mesma direção,  um outro levantamento  realizado pelo Procon-AM (Instituto Estadual de Defesa do Consumidor) constatou variação de até 256,65% nos produtos da ceia de Natal. A pesquisa foi realizada em 11 supermercados de Manaus, entre os dias 1º e 11 de dezembro.

A equipe do Procon-AM levou em consideração 93 produtos, divididos em dez categorias (azeites, batata-palha, bombons, carnes congeladas, conservas, farofas, frutas em calda, leite condensado/creme de leite, panetones/chocotones e vinhos/espumantes).

O produto com maior variação foi o pernil desossado temperado (congelado) da marca Sadia, com preços de R$ 19,90 a R$ 69,90. Outro item com grande diferença foi o chocolate Alpino, com menor preço a R$ 5,25, e maior a R$ 17,99, o que sinaliza variação de 242,67%.

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