Setor de áudio tem dias contados

A linha de áudio, que já foi um símbolo da Zona Franca atraindo turistas para compras nos idos da década de 80, parece estar definhando. Dados parciais dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, divulgados na última sexta-feira (11) pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), mostram que, em fevereiro, os quatro produtos do setor produzidos no PIM apresentaram quedas acentuadas na produção. Segundo os números, a quantidade de auto-rádios produzidos no segundo mês de 2014 foi 10,53% menor que o produzido no ano anterior. Já a produção de rádios não-portáteis apresentou uma queda de 14,14% na mesma comparação; enquanto os portáteis (incluindo MP3 e MP4) caíram 37,30%. Este último, no entanto, apresentou, em 2013, uma variação positiva de 789% em relação a 2012, o que justifica uma natural redução neste ano.
De acordo com Celso Piacentini, presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), este é um caminho sem volta.
“Isso é sucateamento tecnológico. Esses aparelhos estão sendo substituídos por aparelhos de frente. Esse produto está tecnicamente defasado. Ninguém compra rádio portátil hoje para escutar CD, por exemplo. A produção de CDs está caindo também. Para que vamos comprar um rádio para ouvir uma coisa que também está acabando?”, questiona o presidente do Sinaees.
De fato, as quedas na produção de aparelhos acompanham uma queda ainda mais acentuada na produção das mídias. Pelos números da Suframa, a fabricação de CDs e DVDs no PIM apresentou baixa de 81,13% no mês de fevereiro, em comparação com igual período do ano anterior. No caso dos discos, os avanços tecnológicos que mudaram a forma como o consumidor se relaciona com as mídias audiofônica e a aprovação da PEC da Música, que garantiu imunidade sobre ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e IPI (Impostos sobre Produtos Industrializados) sobre produções nacionais, influenciaram negativamente o setor.
Para Celso Piacentini, não há medidas que possam ser tomadas pela indústria ou mesmo pelo governo que sejam capazes de reverter as perdas no setor. “Não há o que fazer. O que poderia ser feito, o governo do Estado já fez, que foi elevar o crédito estímulo (isenção do ICMS) a 100%”, lamentou.

Empregos
Além de perdas na produção e faturamento, a convergência tecnológica, além de derrubar o faturamento e a produção no setor de áudio no PIM, também foi um dos fatores responsáveis pelo declínio no nível de empregos. Atualmente existem 3,5 mil trabalhadores do setor no PIM, número 65% menor em relação ao que havia em 2005, quando cerca de 10 mil trabalhadores frequentavam as fábricas do segmento em Manaus.

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