Setor cresce 4,2% no 1º trimestre

A agroindústria brasileira cresceu 4,2% no primeiro semestre de 2008, ante igual período do ano passado, informou ontem o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado ficou abaixo da expansão média da indústria nacional, que foi de 6,3% no período.
Apesar do resultado menor do que a média industrial, os técnicos do IBGE consideram, no documento de divulgação da pesquisa, que houve “bom desempenho da agroindústria, relacionado ao crescimento da safra, ao aumento do consumo do mercado interno, por conta da expansão da renda, e a um cenário externo favorável para a agricultura, com crescimento do volume exportado e dos preços”.
Segundo a pesquisa do IBGE, esses fatores contribuíram ainda para o aumento dos investimentos em máquinas e equipamentos agrícolas (43,5% no primeiro semestre ante igual período do ano passado), adubos e fertilizantes (10,3%) e rações (7,5%).
No semestre, a expansão dos setores associados à agricultura (3,2%), de maior peso na agroindústria, superou a dos vinculados à pecuária (1,6%).
O grupo inseticidas, herbicidas e outros defensivos para uso agropecuário apresentou forte acréscimo (46,6%), “por conta, principalmente, do aumento da produção de soja, cana-de-açúcar e milho, lavouras intensivas no uso destes produtos”. Já o segmento de madeira recuou 24,2%, “influenciado pela queda das exportações”.
Segundo os técnicos do IBGE, o baixo crescimento da pecuária está relacionado ao embargo às exportações brasileiras de carne bovina pela UE (União Européia), no início deste ano, que impactou negativamente a produção de derivados de carne bovina e suína (-3,7%).
Em bases trimestrais, a agroindústria apresentou resultados positivos nos dois primeiros períodos de 2008. Após crescer 6,1% no primeiro trimestre, o setor desacelerou no segundo (2,8%), sempre na comparação com igual período do ano passado.

Safra recorde

O Lspa (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola) estima para 2008 safra recorde de 143,6 milhões de toneladas de grãos, resultado 7,9% superior ao de 2007 (133,1 milhões de toneladas), com destaque para a produção de soja, milho e arroz, que representam cerca de 90% da safra.

Contratação crescente de crédito rural demonstra confiança do agricultor

Os recursos aplicados com o crédito rural (custeio, comercialização e investimento) da safra 2007/2008 superaram os R$ 58 bilhões programados pelo governo para agricultura empresarial. Os recursos contratados pelos agricultores chegaram a R$ 65 bilhões, 12,2% a mais do que o previsto.
Entre os fatores que contribuíram para aumentar o volume de crédito está o cenário do agronegócio brasileiro e mundial, que motivou os agentes financeiros a ofertarem mais crédito, e as boas perspectivas de negócios para os produtores rurais.
O diretor de Economia Agrícola, da Secretaria de Política Agrícola, do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Wilson Vaz de Araújo, disse que o desempenho do crédito agrícola retrata as boas expectativas do agronegócio brasileiro.

Recursos para custeio

Os recursos para custeio e comercialização aumentaram 18,2% em relação ao ano passado, sendo R$ 41,4 bilhões a juros controlados e R$ 16,6 bilhões a juros livres, totalizando R$ 58 bilhões.
O aumento de 37% dos recursos de investimentos, de acordo com o diretor, reflete a retomada de confiança dos agricultores que vivenciaram a crise agrícola de 2005 e 2006. Os investimentos devem persistir em alta na atual safra.
Houve aumento também na contratação de créditos de custeio e comercialização a taxas livres, com destaque para o volume de empréstimos para a agroindústria, que por sua vez,alcançou R$ 11,1 bilhões. Esses recursos, à medida que forem sendo amortizados, serão direcionados ao financiamento de operações de custeio agrícola a produtores rurais e suas cooperativas.

Depósitos à vista

O aumento na disponibilidade de recursos foi favorecido pelos depósitos à vista (25% exigíveis sobre os depósitos à vista que os bancos são obrigados a emprestar ao setor rural) e pela captação da caderneta de poupança rural (os bancos oficiais e os cooperativos têm de aplicar 65% da captação na poupança rural), que totalizaram R$ 39,4 bilhões, em empréstimos ao setor rural.
Embora o total de recursos aplicados na safra passada tenha coincidido com a programação da safra atual (R$ 65 bilhões), “merece destacar que os recursos a taxas de juros controlados, programados para 2008/2009, aumentaram 14,4% em relação ao montante aplicado no ciclo passado”, avaliou Araújo. Os contratos tanto para custeio quanto para comercialização e investimentos a juros controlados atingiram R$ 48,4 bilhões.

Juros controlados

Os recursos a juros controlados, autorizados pelo governo para custeio e investimento para a safra 2008/2009, são de R$ 55,4 bilhões. Além disso, em torno de R$ 2,5 bilhões de créditos contratados, em maio e junho, financiaram a safra 2008/2009.

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