Setembro Amarelo: Políticas públicas no combate ao suicídio

‘’Você não está sozinho’’; ‘’Falar é a melhor opção’’; ‘’Eu ouço você’’. Essas são frases que costumam serem usadas com freqüência para dar visibilidade ao movimento Setembro Amarelo. Com foco na valorização da saúde mental e combate ao suicídio, o nono mês do ano concentra atividades de educação social com temáticas e debates que incomodam a sociedade geral.

Não é fácil falar tudo o que passa na nossa cabeça, interpretamos as situações da vida de acordo com nossas vivências e cada ação contribui para a experiência pessoal de cada um. Por conta da pandemia, muitas pessoas ficaram reclusas em casa; e sem acesso direto ao contato humano, procuraram outras formas de interação. A internet se tornou a via de informação e contato indireto mais utilizado durante os últimos anos, onde qualquer pessoa pode expressar sua ‘’opinião’’, independente dos sentimentos dos outros. Um meio que deveria ajudar tornou-se o vilão da saúde mental das pessoas pré-dispostas a terem problemas sociais. 

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto IPSOS, 53% dos brasileiros declaram que sua saúde mental ficou mais fragilizada nos últimos anos, tento um agravamento por conta da pandemia. A gerente de pesquisa digital da Ipsos, Helena Junqueira, pontuou que o crescimento de dados já era esperado.  ‘’A gente já havia percebido isso em outra pesquisa global que fizemos em março do ano passado, quando 41% dos brasileiros relatavam ter sintomas como ansiedade, insônia ou depressão já por consequência da pandemia”, citou Junqueira.

Atualmente, o CVV (Centro de Valorização da Vida), juntamente com o Sistema Público de Saúde (SUS), oferece atendimento através da escuta de pessoas que precisam de atenção especial. Através da ligação para o número 188, a ajuda na prevenção ao suicídio é realizada de forma anônima, todos os dias da semana. Mas, mesmo assim, sentimos que apenas essas ações não são suficientes. 

Podemos citar como exemplo, as ações realizadas pelo Uruguai. Através de uma oficina realizada com profissionais da imprensa e de outros setores, a mídia de comunicação recebeu treinamento oferecido pelo Ministério da Saúde do país para promover campanhas de conscientização e desenvolver atividades voltadas ao debate do tema que ainda continua sendo um tabu no meio tradicional da sociedade. 

A saúde mental e o suicídio ainda são vistos como atos de ‘’frescura’’ ou ‘’falta de fé’’ por muitas pessoas. Um problema de saúde é diminuído, apesar da crescente em número de dados, apenas pela não-aceitação de suas causas e conseqüências. Milhares de pessoas serão prejudicadas se nada for feito, mas a mobilização pode começar através das políticas públicas.

Segundo dados do ‘’Congresso em Foco’’, atualmente, tramitam na Câmara dos Deputados, cerca de 120 projetos de lei voltados à saúde mental. A prevenção ao suicídio começa com ações voltadas a essa área, que promove o debate e a valorização da vida de cada pessoa que se sente insuficiente.

Com o intuito de integrar a rede de saúde mental oferecida pelo SUS, o PL 2083/2020, do senador Acir Gurgacz (PDT-RO), visa dar assistência à saúde primária que ficou mais fragilizada durante a pandemia do coronavírus. O senador defende a importância do setor público nas ações de conscientização. ‘’O SUS já tem uma forte rede de saúde mental atuando e a intenção é fortalecer esse serviço”, reforça Gurgacz.

Instituída pela Lei N° 13.819/19, a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio ainda se mostra ineficaz em sua totalidade. Sem profissionais suficientes para atender a demanda da população, a sociedade carece, mais uma vez, em relação a ações voltadas para as áreas em foco. 

Profissionais do ramo reafirmam que o cuidado mental é estritamente fundamental na prática de tirar sua própria vida. As ações de prevenção começam com o cuidado cognitivo de cada pessoa e só assim será possível traduzir em números a diminuição de dados estatísticos. Em um debate realizado no Senado Federal em 2019, a psiquiatra Sandra Peu reiterou que a prevenção ao suicídio precisa ser iniciada através de práticas de conscientização. ‘’ A cada 10 pessoas com ideação suicida que você trata adequadamente, você salva a vida de nove. Suicídio é uma emergência médica, é um médico quem deve diagnosticar e começar a tratar a doença mental. O suicídio é a consequência trágica das doenças mentais e assim deve ser tratado ‘’, finalizou Peu. 

A OMS relatou que apenas no ano de 2019, cerca de 700 mil vidas foram levadas em todo mundo por conta do suicídio. Precisamos de políticas públicas mais eficazes, que possam oferecer e dar suporte aos milhares de brasileiros que se sentem prejudicados pela falta de apoio na rede pública de saúde. 

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