15 de abril de 2021

Serviços pressionam inflação oficial desde 2006, avalia Ipea

Desde 2006, a inflação do grupo Serviços supera os 4,5% do centro da meta de inflação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Desde 2006, a inflação do grupo Serviços supera os 4,5% do centro da meta de inflação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Mas, a dor de cabeça para o Banco Central se tornou mais intensa a partir de 2010, quando o segmento apresentou variação de 7,6%, ante alta de 5,5% nos dois anos anteriores. Nos últimos 12 meses até junho, a inflação no grupo foi de 8,7%, reflexo do crescimento econômico e do fortalecimento do mercado interno, de acordo com o relatório “A Dinâmica da Inflação Brasileira: Considerações a Partir da Desagregação do IPCA”, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
O Ipea atribui o aumento às políticas de redistribuição de renda e combate à pobreza e de expansão do crédito implementadas pelo governo federal. Os preços do segmento “são particularmente sensíveis ao salário mínimo e à redução do desemprego”, destaca o relatório.
O relatório do Ipea mostra dois períodos distintos da dinâmica inflacionária – antes e depois de 2006. Entre 2000 e 2005, o item que mais pressionava a inflação era o de preços monitorados –regulados por contrato, como transporte público, combustíveis e telefonia. Estes tiveram reajustes acima da meta da inflação. A perda de peso na inflação se deve, segundo o Ipea, a mudanças de indexadores e aprimoramento das regras de repasse de custos ocorridos em 2005 e 2006, que levaram o grupo a permanecer abaixo do centro da meta (exceto em 2009).
O IPMI (Índice de Pressão sobre a Meta de Inflação), que mede a contribuição de cada bem ou serviço para o desvio do indicador do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em relação ao centro da meta, mostra que a pressão dos serviços começou a se intensificar em 2008. À época, o IPMI pulou de 0,15% em 2007 para 0,43%. E não voltou mais aos níveis antigos: 0,41% em 2009, 0,72% em 2010 e 1,01% nos 12 meses acumulados até junho de 2011.

Doméstica e cabeleireiro

O Ipea destaca, dentro desse grupo, os serviços pessoais – como empregada doméstica, cabeleireiro, entre outros -, que apresentaram variação próxima a 7,5% em 2007 e 2009 e ao redor de 9,5% em 2008 e 2010, anos de crescimento econômico mais intenso. “Para a maioria dos outros componentes dos serviços e para o grupo como um todo, esse aquecimento aparece com mais força no ano de 2010”, disse o relatório.
O Instituto prevê um cenário pessimista para os preços monitorados neste ano, resultado da influência de combustíveis, transporte público e taxas como as de água e esgoto e de emplacamento e licença de veículos.

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