27 de junho de 2022

 Serviços manteve crescimento no Amazonas, mas desacelera novamente

O setor de serviços do Amazonas emendou uma terceira alta consecutiva nas vendas, em março. Mas, o desempenho desacelerou, sinalizando perda de fôlego. Em mês de altas renovadas na inflação e nos juros, a atividade local subiu 1,1% ante fevereiro, em ritmo muito menor do que o dos dois levantamentos mensais anteriores (+2,4% e +4,9%, respectivamente). O Estado também perdeu para a média nacional (+1,7%), que foi sustentada pelos segmentos de transportes e de informação e comunicação. É o que aponta a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), divulgada pelo IBGE.

Na comparação com março do ano passado, o incremento foi de 11,6%, em que pese a fraca base de comparação. No período, o setor ainda estava quase que inteiramente de portas fechadas e limitado apenas a divisões que trabalhavam com delivery, transportes e atividades remotas, em razão da segunda onda e das políticas de isolamento social. Com isso, os serviços do Amazonas já somam incrementos de 10,5%, no trimestre, e de 12,4%, no acumulado dos 12 meses. O Estado superou a média brasileira (+11,4%, 9,4% e +13,6%, na ordem) em quase todas as comparações.

A despeito do acréscimo mensal no volume de serviços (+1,1%), o Estado despencou da quinta para a 18ª posição no ranking do IBGE. Distrito Federal (+10,3%) e Sergipe (+8,8%) tiveram os melhores números, enquanto Mato Grosso (-3%) e Acre (-1,3%) ficaram no rodapé. Com a variação do trimestre (+10,5%) consolidada no azul, o Amazonas se segurou na 11ª colocação. Alagoas (+24,3%) e Rondônia (-0,5%) protagonizaram os extremos. Em relação ao mesmo mês de 2021 (+11,6%), o Estado caiu do nono para o 16º lugar, em uma lista também iniciada por Roraima (+28,7%) e encerrada por Rondônia (-6%). 

A receita nominal, por outro lado, voltou a se descolar do volume de serviços registrado no Amazonas no mesmo período, em virtude da resiliência da inflação. O avanço na variação mensal foi de 0,8%, e ficou abaixo do número de fevereiro (+1%). No confronto com março de 2021, a elevação foi de 17,1%, mantendo os acumulados do ano (+17,5%) e dos 12 meses (+18,8%) no campo positivo. As respectivas médias nacionais foram +1,2%, +17,9%, +15,4% e +18,2%. 

“Demanda retida”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressaltou à reportagem do Jornal do Commercio que este foi o terceiro mês seguido de crescimento do principal indicador dos serviços do Amazonas. “Isso incrementou ainda mais os acumulados de crescimento. Os dados confirmam o bom momento do setor, principalmente se comparado com a indústria e o comércio. Com um bom acumulado e uma média móvel apontando para cima, são boas as possibilidades de crescimento na próxima divulgação. Mas, dado às circunstâncias de inflação alta, há possibilidade das vendas de serviços sofrerem redução”, ponderou.

Na análise do pesquisador, o arrefecimento das estatísticas de contágio da Covid-19, e a consequente flexibilização das restrições sanitárias às atividades econômicas foi o fator preponderante para a alta. “A pandemia suspendeu muitos serviços de empresas e famílias. Nesse caso, temos uma demanda retida que vem sendo atendida. Por outro lado, a atividade abriu ou aprimorou novas frentes de vendas. Com isso, ela está andando com suas próprias pernas, sem depender tanto do desempenho do comércio e da indústria”, frisou. 

Efeito pandemia

O IBGE-AM reforça que, em virtude do tamanho da amostragem, a pesquisa no Amazonas ainda não apresenta os dados desagregados por segmentos em âmbito local. A alta apresentada na média nacional se disseminou em todas as cinco atividades investigadas pelo IBGE dentro do setor. As maiores influências vieram dos segmentos de transportes (+2,7%), e de informação e comunicação (+1,7%). Os serviços prestados às famílias (+2,4%), serviços profissionais administrativos e complementares (+1,5%) e “outros serviços” (+1,6%) também colecionaram resultados favoráveis no mês.

“Entre os subsetores que mais influenciaram a alta dos transportes está o rodoviário de cargas, especialmente o vinculado ao comércio eletrônico e ao agronegócio. É a principal modalidade nas cidades brasileiras e seu uso ficou ainda mais acentuado após os meses mais cruciais da pandemia. Outra influência veio do transporte aéreo de passageiros. Não só pelo aumento do fluxo de passageiros, o que gerou maiores receitas, mas também porque foi ajudado pela queda do preço das passagens aéreas em março”, assinalou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, em texto da Agência de Notícias IBGE.

O turismo também saiu fortalecido em todo o país, em março. O índice de atividades turísticas cresceu 4,5% em março, após recuo acumulado de 0,9% nos dois primeiros meses do ano. Mas, mesmo com o aumento, o subsetor ainda se encontra 6,5% abaixo do patamar pré-pandemia. “O indicador vai na esteira de serviços prestados às famílias e transportes, crescendo também em março, muito influenciado pela alta de transportes aéreos, restaurantes, hotéis e serviços de bufê”, explicou.

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, ressaltou que comércio e serviços ainda estavam começando a reabrir em março de 2021, após dois meses de portas fechadas, o que ajuda a explicar o crescimento expressivo na base anual. O dirigente avaliou que os serviços se recuperaram mais rápido também por estarem menos sujeitos aos fatores negativos de frete, variação cambial, ou mesmo pagamento antecipado de tributos. Mas, alertou que o aumento dos custos e dos índices de inadimplência são obstáculos ao crescimento.    

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