7 de maio de 2021

‘Serviços de estética são essenciais’ diz Beto Pontes

O empresário Beto Pontes, CEO do Grupo Amanda, admite que o segmento de estética e beleza volta a ser impactado pelas novas medidas baixadas para conter o avanço da Covid-19 no Amazonas.

Com três marcas em operação (Amanda Beauty, Espaço Amanda e Barbearia Procópio), a empresa tem mais de 40 anos de atuação em Manaus. E é uma referência para quem busca um serviço de qualidade e inovador.

Segundo Pontes, desde março de 2020, as empresas e profissionais do setor vêm registrando uma retração de pelo menos 50% nas atividades em Manaus. A situação foi muito difícil, de muita penúria, no ano passado. De lá para cá, são amargados grandes prejuízos.  

Foram praticamente quatro meses de paralisação em 2020. E, num momento em que os empresários apostavam tudo na recuperação a partir de 2021, uma possível segunda onda do novo coronavírus frustrou as expectativas do setor na região.

Por exigência da Justiça, a capital está sob lockdown por 15 dias, só funcionando os serviços essenciais que cumpram rigorosamente as medidas de prevenção por conta da pandemia de coronavírus.

No entanto, Pontes faz uma ressalva, mesmo sabendo que milhares de pessoas correm risco de não ter como sustentar suas famílias nos próximos dias ou meses, como aconteceu na fase mais aguda da crise sanitária no ano passado.

“Claro, não nos opomos a essas novas ações. Tudo deve ser feito para preservar a vida da população, mas esperamos que esse auxílio chegue para ajudar as pessoas que estão impedidas de trabalhar, de buscar o seu sustento diário”, ressalta o empresário.

Pontes alerta que a situação agora é mais preocupante. Em 2020, houve uma ajuda emergencial por parte dos poderes públicos. Dessa vez, nada garante que essa contrapartida financeira terá continuidade.

O mercado de salões, barbearias, estética e beleza é gigantesco no Amazonas. São pelo menos 6,3 mil estabelecimentos na região –isso, sem contar os que operam na clandestinidade, de acordo com números dos sindicatos patronal e de trabalhadores da categoria. E dessas atividades dependem diretamente aproximadamente 19 mil pessoas, incluindo os que trabalham na capital e nos municípios do interior.

Beto Pontes defende que o segmento seja incluído na lista de serviços essenciais durante a pandemia. Para ele, muito profissionais continuam prestando serviços em domicílio e nem sempre os clientes estão preparados para ter esses cuidados nas residências em termos de prevenção à doença. E é aí que mora o perigo.

“Ao contrário, os salões de beleza, estética, podem oferecer toda essa segurança porque foram preparados para isso. Seguimos à risca todos os protocolos de cuidados com a saúde, tanto dos clientes como dos trabalhadores. E essa proposta levamos para as autoridades constituídas”, salienta. “Esperamos que os governos avaliem com carinho essas sugestões”, acrescenta.

O empresário Beto Pontes falou com exclusividade ao Jornal do Commercio.   

Jornal do Commercio – O segmento de beleza e estética foi um dos mais atingidos pela pandemia que levou à suspensão de várias atividades econômicas. Como está o setor, principalmente agora com o lockdown?

Beto Pontes – Realmente, a situação está muito difícil. Entendemos o receio com a saúde das pessoas, também dos profissionais. Nossa empresa existe há mais de 40 anos.

Claro, 2020 foi um ano desafiador. Tivemos que fechar os negócios para preservar a vida.

Ficamos quase 100 dias fechados. Os negócios despencaram pelo menos 50% e até hoje não recuperamos essas perdas. Nunca recuperamos o mesmo desempenho registrado em 2019, que foi muito promissor.

JC – O ano de 2021 sinalizava boas perspectivas na economia, mas a possível segunda onda da pandemia de coronavírus pegou a todos de surpresa. Como o setor recebeu essa nova crise?

Beto Pontes – Tememos que essa paralisação passe dos 15 dias exigidos pela Justiça, que ela se estenda mais ainda. Nosso segmento discute muito a questão dos serviços essenciais.

Acho que poderíamos ser incluídos nessa lista, como está acontecendo agora com as academias.

Será que as pessoas conseguem ficar sem cortar os cabelos?

As mulheres conseguem assumir os cabelos brancos?

Apesar das proibições, os profissionais continuam se locomovendo, atuando, em serviços delivery, em domicílio.

As pessoas vão ter mais garantias em casa?

Os salões têm mais condições para essa garantia, criando condições mais adequadas como exigem os protocolos de segurança.

Essas questões deveriam ser avaliadas tantos pelo segmento como pelos poderes públicos.

Sabemos que todos somos culpados pelo agravamento na saúde, governos, a sociedade em geral, indústria, comércio.

Mas gostaríamos que fôssemos colocados como serviços essenciais, pois poderemos oferecer a contrapartida exigida pela saúde.

Agora, estamos trabalhando com delivery de cosméticos, mas isso representa menos de 5% de nossas atividades em situações normais.

JC – O governador disse que continuará mantendo diálogo com lideranças. O segmento de beleza está associado a algum tipo de entidade que sirva de interlocução junto aos poderes constituídos?

Beto Pontes – Sim, temos os sindicatos patronal presidido pela empresária Antônia Moura, e o de trabalhadores. Ela esteve na primeira reunião quando foram decretadas as medidas e que depois o governo recuou, mas com restrições.

Nosso segmento é muito novo. Só foi normatizado em 2016, quando se criou uma lei para o funcionamento de salões, tratando de questões tributárias, trabalhistas etc.

As atividades são muito antigas. Os egípcios já cuidavam da beleza na antiguidade.

Mas no Brasil, carecemos ainda muito de legislações.

Está evoluindo. Hoje, 90% das pessoas que trabalham no segmento são autônomas profissionais liberais, com CNPJ, MEIs.

Com essa paralisação, sabemos que todos esses profissionais não têm o amparo federal como tiveram na primeira onda da pandemia.

Como é que vão ficar essas pessoas? É essa nossa principal preocupação.

JC – Quais os serviços que são feitos nas casas dos clientes….?

Beto Pontes – Normalmente, ´o corte do cabelo, manicure, determinadas depilações e coloração dos cabelos brancos, são as maiores demandas dos delivers, raramente as maquiagens.

JC – O governo está dando alguma contrapartida por esses dias parados….?

Beto Pontes – Antes, lá atrás, houve diversas ações em termos de ajuda assistencial até dezembro.

Tivemos também o crédito especial via Basa, Afeam, bancos privados, ajuda na folha de pagamento, redução na jornada de trabalho.

Hoje, 20% dos trabalhadores de salões exercem atividades pela CLT. O restante, 90%, são de profissionais liberais.

Essa turma da CLT foi amparada.

As empresas ficaram isentas de pagar aluguel nos shoppings durante o tempo em que estarão fechadas.

Mas ainda não sabemos, realmente, como vamos sobreviver, conseguir recuperar os prejuízos….

JC – O grupo Amanda é um grupo forte, tem como sobreviver durante esses sobressaltos. E como ficam as pequenas empresas, que não contam com essa infraestrutura….?

Beto Pontes – Claro, a maioria do segmento não tem muitos recursos. Eles é que vão sentir mais os impactos. As realidades são diferentes.

Uma pessoa que tem salão dentro de casa não vai continuar atendendo. E não vai ter  dinheiro pra comprar comida.

Não temos como abrir. Não podemos ir contra as determinações da justiça, do governo.

Claro, temos os recursos legais pra questionar.

Falei com o presidente da Associação de Salões de Beleza do Brasil, que disse existir hoje um projeto de lei em Campinas pra tornar o segmento como essencial. Mas a matéria ainda vai ser votada.

A situação preocupa. Empresas que levaram gerações pra construir um patrimônio correm risco de perder suas economias.

Mas estamos lutando pela vida. Isso é o mais importante.

O lastro dessa destruição econômica vai deixar suas marcas em todo o Brasil, que cresceu apenas 4% na última década. Uma negação.

JC – Como está dividio hoje o Grupo Amanda?

Beto Pontes – O grupo nasceu com a iniciativa de minha mãe. Ela montou um salão pra ajudar no sustento da família logo após a morte de minha avó. Eram sete irmãos.

Minha mãe faleceu em 2005. A paixão dela era esse serviço – de cuidar das outras pessoas, tinha um prazer muito grande no que fazia.

Ela assumiu o salão. E eu a administração do grupo. Inicialmente, não sabia se realmente era isso que eu queria.

Dois anos depois da morte dela, decidi abraçar essas atividades.

Hoje, os salões são basicamente três marcas – o Amanda Beauty, o mais antigo,

o Espaço Amanda e a Barbearia Procópio.

Inicialmente, achava-se que as barbearias eram uma moda, mas hoje elas estão consolidadas num mercado muito competitivo.

JC – Como está acontecendo essa inovação no segmento de estética e beleza?

Beto Pontes – Antes existia o profissional que cortava tanto cabelo de mulher como o de homem. Hoje, eles estão mais especializados, concentrando-se só numa atividade.

As técnicas das tesouras são diferentes – tanto pra homens como pra mulheres.

Quanto mais se faz uma coisa, mas se aprimora nos serviços.

As barbearias se especializaram – oferecem sinucas, bebidas, espaço recreativos, bem socializados e climatizados, permitindo mais interação, aconchego, conforto.

É um estilo que se consolida cada vez mais.

A força das barbearias é a profissionalização.

JC – Clínicas odontológicas já realizam serviços que eram feitos antes só por médicos, como aplicação de botox E agora também os salões começam a proporcionar essas  opções. Como está essa atividade?

Beto Pontes – Para um salão oferecer esses serviços basta ter um profissional especializado, habilitado.

Tudo evolui. Mulheres que alisavam os cabelos desde os 15 anos não lembram como são agora, de tanto empreenderem mudanças nos visuais.

Agora, a pandemia trouxe essa questão da naturalidade, uma coisa muito forte. Elas passaram a fazer os próprios cosméticos, essa coisa do passado que está voltando.

JC – O ano de 2020 foi de muita reflexão, impactando praticamente em todos os segmentos, levando à necessidade de ‘reinventar-se’. No caso de vocês, como está sendo essa reinvenção….?

Beto Pontes – A pandemia trouxe algumas mudanças de hábitos. As mulheres aprenderam a cuidar dos cabelos, da beleza em casa.

O crescimento do e-commerce permitiu a elas terem acesso a produtos.

Basicamente, nosso caminho é melhorar mais a cada dia, prestando um serviço de maior qualidade, com inovação, como acontece com os celulares.

Por exemplo, o segmento de fotografias foi um dos que mais cresceu nos últimos tempos.

Então, o cabeleireiro tem o dever de aprimorar ainda mais a sua técnica, o seu atendimento.

Nós temos essa responsabilidade, de aumentar ainda mais a qualidade do nosso serviço

A cultura do brasileiro é tirar um momento pra ir ao salão, às barbearias, que remetem a cada dia ao bem-estar, conforto.

Podemos orientar como os clientes podem cuidar da beleza em casa, fornecendo os produtos mais adequados, através de aplicativos, deliverys  etc.

O mercado brasileiro de cosméticos é o terceiro do mundo.

Somos também o terceiro país do mundo em quantidade de salões de beleza e de trabalhadores nesse segmento.

A gente tem que preservar esse mercado.

E a competitividade é bem-vinda.

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