Serviços avançam acima da média nacional no Amazonas

Depois do mergulho de abril e do esboço de recuperação em maio, o setor de serviços do Amazonas emendou seu segundo resultado positivo mensal em junho. Com a reabertura das lojas em Manaus, as empresas amazonenses superaram a média nacional em volume de serviços e receita nominal, mas o desempenho ainda não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas do ano. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE, divulgada nesta quinta (13). 

O volume de serviços subiu 8,3% frente a maio de 2020, melhor do que no levantamento anterior (+3,4%). No confronto com junho de 2019, a trajetória se manteve descendente (-1,8%). O acumulado do ano também não conseguiu sair do vermelho (-2,1%), ao passo que o aglutinado de 12 meses já entrou no campo positivo (+1,2%). A média nacional foi ainda pior, em todos os casos: +5%, -12,1%, -8,3% e -3,3%, respectivamente.  

A alta na comparação com maio fez o Estado decolar da décima para a segunda posição entre as 27 unidades federativas do país. O Estado só perdeu para o Amapá (+8,8%), mas ganhou por uma boa margem do Pará (+6,8%). Na outra ponta, os piores desempenhos do país vieram de Rondônia (-4,3%), Tocantins (-4,2%) e Espírito Santo (-3,2%), em um cenário com seis dados negativos.

No acumulado do semestre, apesar da permanência em terreno positivo, o Amazonas conseguiu subir da quarta para a terceira colocação do ranking nacional. Ficou atrás apenas de Rondônia (+3,7%) e Mato Grosso (-1,6%). Em contrapartida, Alagoas (-17,8%), Bahia (-16,5%) e Piauí (-16,4%) figuraram no rodapé de uma lista com apenas um desempenho positivo.

Receita nominal

Já a receita nominal dos serviços do Amazonas – que não leva em conta a inflação – voltou subiu um pouco menos entre maio e junho (+5,2%), em resultado melhor do que a variação anterior (+0,1%). O tombo se manteve no confronto com o junho de 2019 (-4,7%). O setor manteve estabilidade no semestre, mas conseguiu avançar 5,2% no acumulado dos últimos 12 meses. O Estado saiu na frente da média brasileira em todas as comparações: -14,3%, -10,8%, -7% e -1,1%, respectivamente.

Assim como ocorrido no volume de vendas, o incremento da receita nominal na variação mensal fez o Estado subir do 12º para o oitavo lugar no ranking do IBGE. As primeiras posições foram ocupadas por Maranhão (+6,7%), Distrito Federal, Piauí (ambos com +6,2%) e Rio Grande do Sul (+6,1%). Em sentido inverso, Rondônia (-5,6%), Mato Grosso (-4%) e Espírito Santo (-2,9%) tiveram os piores números.

A despeito da estagnação da receita nominal registrada no acumulado dos seis meses iniciais do ano, o Amazonas se manteve em segundo lugar, em uma lista com 25 desempenhos negativos. Perdeu de Rondônia (+4,9%) e ganhou do Mato Grosso do Sul (-0,4%). As maiores quedas acumuladas do setor de serviços em todo país se situaram em Alagoas (-17,4%), Bahia (-15,3%) e Piauí (-15%).

Recuperação à vista

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, considerou que o segundo crescimento mensal consecutivo registrado pela atividade no Amazonas aponta para processo positivo no faturamento das empresas, que pode se consolidar nos próximos meses, mantidas as atuais condições.

“Os números do acumulado do ano ainda estão negativos. Mas, se nos próximos meses a atividade continuar crescendo, haverá uma recuperação das perdas do período de isolamento. De certa forma, o desempenho vem surpreendendo porque a atividade tradicionalmente recupera-se muito lentamente”, ponderou.

Demanda reprimida

Em material divulgado por sua assessoria de imprensa, o titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga, avaliou que os números do IBGE para o setor de serviços do Amazonas – assim como os referentes à indústria e comércio local – demonstram que as empresas amazonenses estão recompondo estoques da cadeia produtiva, que haviam se esgotado durante o período de paralisação, tal movimento, segundo o secretário estadual, permite recuperação de vendas.

“No caso do comércio e dos serviços, com a abertura da economia e a diminuição das restrições à circulação de pessoas, a demanda reprimida acabou puxando as compras. O funcionamento, ainda que com restrições, das várias atividades, como restaurantes e academias, por exemplo, fez com que as pessoas circulassem mais e comprassem mais”, analisou.

Fechamento e restrições

O IBGE-AM informa que não é possível afirmar quais foram as atividades de serviços do Amazonas que elevaram o indicador, já que a pesquisa para o nível regional não estratifica os dados por segmento. A Sedecti, por outro lado, aponta a divisão de bares e restaurantes como uma das que mais vem alcançando números positivos no setor de serviços, no período. 

O presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seção Amazonas), Fabio Cunha, concorda que os números do segmento de alimentação fora do lar vêm apresentando melhora sensível a partir da reabertura das lojas. O dirigente ressalta, contudo, que o fechamento de 25% das empresas e a consequente redução na quantidade de opções melhoraram o desempenho do segmento.

“Outra questão é que bares e restaurantes ainda trabalham com muitas restrições, em virtude da pandemia, incluindo horários e limitação de capacidade. Com isso, algumas operações vão bem e outras não. Quem trabalha com almoço está se saindo melhor do que os que oferecem jantar, pois boa parte da população ainda está em casa. Acredito que, à medida em que essas restrições puderem ser flexibilizadas, as vendas vão melhorar”, concluiu.

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