15 de abril de 2021

Serra critica BC e defende juros mais baixos

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou hoje que a taxa de juros no país deveria ter sido reduzida no passado e destacou que o Banco Central não é a Santa Sé, ao comentar sobre a autonomia do BC

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou hoje que a taxa de juros no país deveria ter sido reduzida no passado e destacou que o Banco Central não é a Santa Sé, ao comentar sobre a autonomia do BC.
Serra demonstrou irritação ao ser questionado sobre também agir como presidente do BC, se eleito. O tucano defendeu a autonomia do BC, mas afirmou que se houver “erros calamitosos”, o presidente deve interferir e opinar. “O presidente tem que fazer sentir sua posição.”
“O Banco Central não é a Santa Sé. Não sou contra incentivos tributários, mas é preciso um mecanismo que não puna os municípios”, disse ele em entrevista à rádio CBN.
Segundo ele, o Brasil continua com a maior taxa de juros do mundo. Como alternativa, defendeu uma política de médio e longo prazo para evitar a alta da taxa como mecanismo de conter a inflação.
“O Brasil foi o último País do mundo a baixar, em um contexto que não tinha deflação, foi simplesmente um erro. Mesmo as pessoas que têm um conhecimento melhor, mesmo no mercado financeiro, sabem disso”.
Em outro momento da entrevista, Serra disse estar preocupado com o atual nível dos juros e que o País deveria aproveitar, no futuro, os momentos favoráveis para reduzir a Selic (a taxa básica de juro da economia). “No curto prazo, a margem de manobra é pouca. Agora é aproveitar as oportunidades no futuro para diminuir os juros sem traumas para a economia. Estou preocupado porque entra governo e sai governo e o Brasil continua com a maior taxa de juros do mundo. O governo passado era muito atacado por isso, mas com esse governo voltou”, disse
Serra foi questionado sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter dito, em entrevista ao jornal espanhol “El País”, sobre a certeza da vitória do PT nas eleições. O tucano afirmou que isso é normal, estranho seria Lula ter dito o contrário, e destacou que mais importante foi a declaração de que qualquer candidato que vencer as eleições não trará “nada de absurdo” para o Brasil.
Para o tucano, essa foi uma afirmação importante porque é quase um “jogo de terrorismo” dizer que se o candidato do PT não vencer, haverá uma calamidade no país. “O Lula não deve estar preocupado, tanto como imaginam, se a candidata dele [Dilma Rousseff] não ganhar.”
Serra também defendeu um estado forte, “musculoso, mas não obeso”, e afirmou que do ponto de vista da análise convencional, é de esquerda. “Defendo um projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil, defendo o ativismo governamental.”
O tucano afirmou que, se eleito, irá criar o Ministério da Segurança. “É uma coisa indispensável no Brasil, o consumo de drogas e o tráfico de armas é alimentado no exterior. O governado federal tem que jogar, não pode se esquivar mais.”
Serra destacou como suas prioridades a segurança, a saúde e a educação. Segundo ele, o Bolsa Família deve ser mantido. “Ele ajuda os necessitados, mas precisa ser fortalecido.”
O tucano evitou comentar sobre o nome que irá compor sua chapa como vice. “Não estou me metendo muito nesse assunto. Vai ser alguém da base aliada, mas qualquer coisa que eu disser aqui vai dar margem à fofoca.” Serra afirmou que não vai lotear cargos e nem aparelhar o Estado com o PSDB.

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