Serafim contraria Lula e promete montar palanque múltiplo no Amazonas

Com 371.845 votos obtidos na última eleição para a prefeitura de Manaus, o que já é mais da metade dos 687.912 votos que reelegeram o governador Eduardo Braga em 2006, Serafim Corrêa (PSB), iniciou o ano de 2010 saindo da incômoda posição de político esquecido pela cúpula dos poderosos, para despontar como candidato potencial ao governo do Amazonas.

Após ser atacado por todos os atuais poderosos do Estado, o candidato da oposição já vem sendo assediado pelos mesmos políticos que o abandonaram nas últimas eleições (2008). Em entrevista ao Jornal do Commercio, Serafim Corrêa voltou a desconsiderar formação de palanque único com o ministro Alfredo Nascimento (PR) e reafirmou que é candidato pelo PSB ao governo. O candidato revelou que, ao contrário do que pretende o presidente da República, Lula da Silva, está construindo um palanque múltiplo para agregar os partidos: PV, PSB, PSDB e DEM ou PPS e seus candidatos: Marina Silva, José Serra e Ciro Gomes, se forem confirmados no pleito.

O candidato socialista, que vem realizando viagens ao interior do Amazonas desde 2009, quando deixou a prefeitura de Manaus, iniciou o ano disparando críticas contra o atual prefeito da cidade e ao governo do Estado. Apesar de ter perdido as eleições e estar há um ano sem mandato político, o ex-prefeito vem se mantendo ativo na mídia e na cidade, apostando, ainda, nas ferramentas de comunicação virtuais, como blogs e microblogs para divulgar seus projetos e ganhar a simpatia do público jovem e moderno.
Serafim Corrêa entrou, definitivamente, para a elite da política e chama a atenção por ser articulado e possuir armas para entrar em combate, o que é bom para o exercício da democracia.

Jornal do Commercio – O senhor é candidato ao governo do Estado. Como está se preparando para estas eleições?

Serafim Corrêa – Sim, serei candidato ao governo do Estado nas eleições deste ano. O processo está apenas no começo. Reuniões internas no partido, convite a algumas pessoas para contribuírem na formulação de uma proposta de plano de governo e visitas na capital e no interior são algumas das iniciativas neste momento.

JC – Como avalia os quatro anos em que esteve á frente da prefeitura de Manaus?

Serafim Corrêa – Como uma gestão que enfrentou os problemas mais graves da cidade – destino final do lixo, abastecimento de água, transporte coletivo, iluminação pública, saúde, educação – buscando quebrar paradigmas e estabelecendo condições para que mesmo depois que saísse não fosse possível ter retrocesso. Veja que a atual gestão só está seguindo a minha agenda, concluindo aquilo que iniciei e deixei os recursos para concluir.

JC – A sua derrota para o atual prefeito Amazonino Mendes pode se explicar pela falta de publicidade dos seus atos como prefeito?

Serafim Corrêa – Houve um conjunto de fatores. Esse foi um deles, mas isso é coisa do passado do qual devo tirar lições dos erros cometidos, para não repeti-los, e reafirmar a minha disposição de trabalhar no sentido de legar às novas gerações a esperança de um futuro mais justo e melhor para todos. No meu governo, enfrentei 7 horas diárias de programas de televisão e rádio com propagandas políticas disfarçadas. Hoje um ano e um mês depois, a sociedade amazonense está vendo, a serviço de quem, estavam estes programas: do crime organizado, tráfico de drogas. Foi pra esse pessoal que eu perdi as eleições. Aquilo era manipulado para me diminuir. Hoje eu sinto mais confortavelmente um entendimento positivo nas ruas, nas feiras, no carnaval da Banda da Bica, do Galo de Manaus, ou seja em todo lugar.

JC – Para as eleições deste ano, sua meta é manter a parceria com o PSDB/DEM e partir para a condição de oposição aos governos estadual e federal?

Serafim Corrêa – Vou disputar a eleição para governador compondo com a oposição, mas não tenho porque fazer oposição ao governo federal. Oposição ao governo estadual, sim; ao federal, não, até porque não tem no Amazonas alguém que tenha apoiado mais o Lula do que eu. Pode até ter quem tenha apoiado tanto quanto eu. Mais do que eu não tem. Apoiamos o seu governo que fez muito. Agora, no entanto, é um novo tempo, é o pós-Lula e é esse o espaço que vai ser disputado pelos candidatos a presidente, inclusive o nosso candidato Ciro Gomes.

JC – Existe possibilidade de repetir a parceria com o ministro Alfredo Nascimento (PR) que recebeu seu apoio nas últimas eleições para o Senado, ou com Eduardo Braga (PMDB) de quem já foi candidato a vice na mesma chapa anos atrás?

Serafim Corrêa – Não. O ministro é candidato a governador e o governador vai apoiar o seu vice.

JC – Como o senhor avalia esta forma de fazer política, com a famosa ‘rasteira’ em época de eleição. O senhor considera que foi abandonado, às vésperas do pleito, pelo PCdoB, o ministro Alfredo Nascimento e até mesmo pelo presidente Lula?

Serafim Corrêa – Eu já entreguei tudo isso nas mãos de Deus.
JC – Quais os programas principais que o senhor irá apresentar para concorrer ao cargo de governador. O que pensa de programas atuais como Prosamin, Zona Franca Verde, entre outros?

Serafim Corrêa – Embora discorde do conceito do Prosamin, de aterrar margens dos igarapés, que do ponto de vista ambiental, segundo especialistas, é equivocado, reconheça-se que houve uma mudança para melhor. Quanto ao Zona Franca Verde convido a imprensa a ir ao interior e conhecer a realidade.

JC – O senhor tem percorrido o interior do Amazonas como candidato? Quais as considerações sobre suas viagens pelo Amazonas?

Serafim Corrêa – O que se sente no interior é a ausência do Estado em todos os sentidos. Isso não é uma crítica, é uma constatação. Vamos propor um programa para o interior objetivando enfrentar os seus principais problemas – energia elétrica, abastecimento de água, destino final do lixo, comunicações, portos, aeroportos – sem a superação dos quais o homem do interior vai continuar isolado e com baixa qualidade de vida.

JC – O senhor se arrepende de algo durante sua trajetória política?

Serafim Corrêa – Arrependimento, não. Reconhecer erros e equívocos, sim. Ao longo da vida cometi erros e acertos, como todo homem. Pelos erros assumo as minhas responsabilidades. Pelos acertos, divido com os companheiros que me acompanham nessa caminhada.

JC – Acredita na formação de um palanque único entre os aliados de Lula no Amazonas e o fortalecimento de apenas um candidato da base aliada para concorrer ao governo?

Serafim Corrêa – Não. Isso é um sonho de noite de verão. A verticalização já acabou. A realidade de cada Estado é diferente da realidade nacional e dos outros Estados. Não há como fazer isso. E para a democracia é importante que não aconteça. O povo precisa ter opções cabendo a ele escolher quem acha ser o melhor.

Deputados defendem nova regularização da mineração no Brasil

A ALE (Assembléia Legislativa do Estado) realizou nesta sexta-feira, audiência pública para debater o novo marco regulatório da mineração que está em fase de elaboração pela Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia. O autor da propositura é o líder do governo na ALE, deputado Sinésio Campos (PT), que ressaltou a importância de debater mudanças no código de mineração com o objetivo de aumentar os investimentos no setor e garantir que o País tenha maior acesso à riqueza gerada pela mineração.

“Amazônia e, em especial no Estado do Amazonas, que sempre foram reconhecidos por sua exuberante biodiversidade, também tem no setor mineral grande potencialidade, por isso defendemos o desenvolvimento sustentável do setor, levando em consideração a conservação do meio ambiente”, declarou.

As normas que irão compor a regulação da indústria mineral tem como objetivo fortalecer a ação do Estado no processo regulatório (soberania sobre os recursos minerais), estimular a maximização do aproveitamento das jazidas, a prevenção da saúde e a segurança das minas e o controle ambiental até o encerramento da atividade de mineração. O novo marco regulatório prevê ainda a regulação das atividades de mineração em terras indígenas e a ampliação das compensações financeiras pela exploração de recursos minerais, os conhecidos royalties.

De acordo com o deputado Sinésio, uma das reservas minerais de expressão internacional existente no Estado são as jazidas de silvinita – minério de onde é extraído o potássio utilizando como fertilizante agrícola – nos municípios de Nova Olinda do Norte e Itacoatiara. “O projeto silvinita não é mais interesse apenas dos municípios amazonenses, mas do Brasil inteiro que importa 90% do potássio utilizado na produção agrícola. Por isso, a Petrobrás já mostrou interesse em viabilizar o projeto, firmado contrato com a empresa Progen Engenharia que ficará responsável pelo estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental e trará detalhes sobre o melhor método de exploração e beneficiamento do minério”.

Para debater as mudanças do código de mineração participaram da audiência pública representantes do Ministério de Minas e Energia, Ministério de Ciência e Tecnologia, DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), CPRM (Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais), Secretaria Executiva de Geodiversidade e Recursos Hídricos, Prefeituras Municipais e demais interessados.

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