Senadores querem falar com Snowden

Integrantes da CPI da Espionagem do Senado querem ouvir Edward Snowden, o ex-técnico da NSA (Agência de Segurança Nacional) que vazou documentos secretos revelando que os EUA monitoram diferentes países, entre eles o Brasil.
Os congressistas vão sugerir a ida de um grupo de integrantes da CPI à Rússia, onde Snowden está asilado, para que o ex-técnico conte detalhes da espionagem dos EUA no Brasil.
Os senadores vão recorrer ao Itamaraty para fazer a ponte com autoridades russas que possam viabilizar o encontro do grupo com Snowden. Presidente da comissão, a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) disse que as investigações precisam ir à “fonte” dos vazamentos de informações para não se basearem apenas nos relatos de Glenn Greenwald, jornalista norte-americano responsável por divulgar a papelada de Snowden.
“A fonte não é o Glenn, é o Snowden. Não sabemos as condições que ele está na Rússia, pode ser que em troca do asilo ele não fale nada. A conversa com o Snowden seria importante para entender o que está acontecendo”, afirmou a senadora.
A ida dos senadores à Rússia ganhou força depois da denúncia de que a rede privada de computadores da Petrobras também foi alvo direto da espionagem realizada pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos).
Reportagem exibida ontem pelo “Fantástico”, com base em documentos secretos obtidos por Greenwald, mostra um treinamento interno para funcionários da agência sobre como espionar “redes privadas de computadores” -que cita a Petrobras como um dos “muitos alvos” que “usam redes privadas”.
Outros alvos citados foram a diplomacia francesa e o Google. Segundo o “Fantástico”, o nome da petroleira brasileira aparece em vários momentos nos documentos, mas não há dados sobre que tipo de informação a NSA estava buscando. A apresentação exibida é de maio de 2012.
Além dos senadores, a Polícia Federal também quer ouvir Snowden pessoalmente sobre a espionagem norte-americana.
Na avaliação dos agentes federais, que abriram inquérito para apurar as acusações de espionagem contra o Brasil, Snowden é a pessoa que mais pode colaborar com a investigação e indicar que tipo de dado sigiloso foi monitorado.
Depois de passar por Hong Kong e ficar mais de um mês na área de trânsito do aeroporto de Moscou, o norte-americano ganhou asilo na Rússia.

O caso

Snowden repassou cerca de 20 mil documentos sobre o esquema de monitoramento comandado pelos EUA ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald, responsável por divulgar parte da papelada, que indica até que a presidente Dilma Rousseff foi alvo da espionagem.
Na terça, integrantes da recém instalada CPI da Espionagem no Senado aprovaram pedido de proteção da Polícia Federal para o jornalista e o namorado dele, David Miranda, que mês passado foi detido quase nove horas no aeroporto de Londres e teve equipamentos apreendidos. Os dois moram no Rio.
A PF esclareceu que tão logo chegue o pedido do Senado, será feita uma análise técnica e emitido um parecer, para posterior decisão. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos também pode ser responsável por uma eventual proteção. Nesse caso, policiais estaduais seriam disponibilizados.
À Folha de S.Paulo, o jornalista disse que não pediu proteção. “Nós não pedimos isso, mas aprecio muito do apoio que o Senado e brasileiros estão expressando. Quando o jornalista faz uma reportagem que o governo mais poderoso na mundo não gosta, claro tem riscos”, afirmou Greenwald.

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