Senadores querem “destravar” exploração

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e o senador Blairo Maggi (PR-MT) defenderam nesta terça-feira (10) a formação de uma frente parlamentar para viabilizar a exploração de reservas de potássio existentes no Estado do Amazonas. Eles se manifestaram durante audiência pública sobre o tema, realizada na CMA (Comissão de Meio Ambiente), Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle.
Usado principalmente como fertilizante agrícola, o potássio forma, juntamente com nitrogênio e fósforo, a base da adubação utilizada nas lavouras de grãos. No entanto, dos três elementos, é o potássio o mais dependente de importação. O Brasil compra de outros países 92% das cerca de cinco milhões de toneladas que consome por ano -é o terceiro consumidor mundial de potássio, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.
Os senadores querem mostrar ao governo federal a necessidade de ampliar a produção nacional do fertilizante, a partir da exploração das reservas no Amazonas, para garantir segurança e competitividade à produção de grãos, a preços mais baixos, conferindo maior competitividade ao agronegócio brasileiro.
“Vamos formar essa frente pela autossuficiência na produção de potássio”, ressaltou Vanessa Grazziotin. Presente à audiência pública na CMA, Roberto Ventura Santos, diretor de Geologia e Recursos Minerais da CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais e Serviço Geológico do Brasil), informou que o país tem uma única mina de potássio em operação, com produção já declinante.
Canadá, Rússia e Bielorrússia são responsáveis por cerca de 65% da produção mundial de potássio e, conforme alertou Daniel Borges Nava, secretário de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos do Amazonas, um problema com esses países fornecedores comprometeria toda a produção agrícola brasileira.
“Se nada for feito, a produção nacional estará esgotada até 2019, ficando o Brasil totalmente dependente do potássio importado”, frisou.
Reservas
O Amazonas tem grandes reservas de sais de potássio, em especial a silvinita, descobertas na década de 1980 pela Petrobras, mas ainda não exploradas. Daniel Nava explicou que as principais reservas estão entre os municípios de Autazes e Nova Olinda do Norte, no corredor do rio Madeira. Conforme informou, as estimativas apontam para uma produção que poderá atender a toda a demanda brasileira e ainda ser exportada.
As vantagens da localização das reservas foram destacadas pelo senador Blairo Maggi. Conforme enfatizou, a região conta com hidrovias e portos fluviais que comportam navios com capacidade de transporte de até 60 mil toneladas de carga.
“Havendo viabilidade técnica e econômica para a extração da silvinita, a infraestrutura de transporte fluvial existente permite o abastecimento de Estados produtores de grãos e a exportação do minério”, disse.

Desenvolvimento

Vanessa Grazziotin considera que a exploração da silvinita favorecerá o crescimento econômico com distribuição de renda na região. Ela lembra que muitos municípios no Amazonas são dependentes de repasses do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e de ICMS, sendo a mineração uma opção para viabilizar a geração de empregos.
“Não queremos apenas explorar as reservas de silvinita do Amazonas, mas, a partir delas, estabelecer um polo petroquímico, pois também produzimos gás. É uma luta não só do meu Estado, mas também dos Estados produtores de alimentos e do Brasil”, afirmou.

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