Senadores pedem revisão

Senadores que integram a subcomissão da Memória,

Verdade e Justiça afirmaram ontem que vão apoiar o

movimento pela coleta de assinaturas para a revisão da

Lei da Anistia. A campanha que está sendo organizada

pela Anistia Internacional começa hoje (1º), com uma

petição online para que casos de tortura, assassinato

e estupro sejam considerados crimes contra a

humanidade.
A colaboração dos parlamentares foi anunciada durante

uma sessão do Senado marcada para lembrar os 50 anos

do golpe militar de 1964. No evento, o senador João

Capiberibe (PSB-AP), autor do requerimento para que a

solenidade ocorresse, disse que o país tem hoje mais

liberdade para tratar sobre os crimes praticados na

época, mas alertou que é preciso continuar desvendando

fatos e punindo criminosos.
“As oportunidades de informar a sociedade sobre o

golpe e suas consequências foram raras ao longo dos

últimos 50 anos. Pela primeira vez estou sentindo que

a comunicação está fluindo e a população tem a

oportunidade de saber de fato o que aconteceu. Havia

denúncias de pessoas presas, torturadas, exiladas,

corpos desaparecidos, mas não havia debate amplo. A

imprensa não informava com a liberdade que está

informando hoje”, afirmou.
Capiberibe lembrou que a divulgação da verdade sobre

os fatos que marcaram os anos de chumbo é fundamental

para que a democracia seja fortalecida. “Os

desaparecidos não são apenas os políticos. Temos

milhares de Amarildos. A maioria deles desaparecidos

depois de presos por agentes do Estado. Para acabar

com isto e essa insegurança é necessário rever a Lei

da Anistia, punir os torturadores do passado e

combater os torturadores do presente”, explicou.
Randolfe Rodrigues (AP), líder do PSOL, criticou a

posição defendida por um grupo de brasileiros que

aponta conquistas do período da ditadura e a Marcha da

Família, realizada há uma semana, em que manifestantes

exaltaram o regime militar. “A ditadura criou uma das

maiores concentrações de renda da América Latina,

destruiu famílias brasileiras e produziu um país de

desigualdade que mesmo os anos de redemocratização não

conseguiram reconstruir. O bolo econômico só serviu

para criar uma legião de miseráveis e de

analfabetismo”, afirmou.
Líder do PSB, o senador Rodrigo Rollemberg (DF) também

destacou a importância do período militar ser lembrado

“para que o Brasil não mais seja governado por uma

ditadura”. Rollemberg lembrou que recentemente o

Congresso aprovou leis importantes como a da ficha

limpa e a de acesso à informação, mas, segundo ele, os

parlamentares precisam se voltar agora para aprofundar

ainda mais a democracia no país. “Temos que refletir o

que precisamos fazer para aprofundar essa democracia.

O que fazer para aproximar a política da população

quando vivemos uma grave crise do modelo de

representação do país”, disse.
Os 50 anos do golpe militar também serão lembrados com

uma série de eventos na Câmara ao longo da semana.

Hoje, Maria Thereza Goulart, viúva do ex-presidente

João Goulart, é a principal convidada de uma sessão

solene sobre a data. A cassação de João Goulart foi um

marco inicial para o início da ditadura.
Além da solenidade e de exposições montadas para

lembrar o regime militar, deputados esperam ouvir na

quarta-feira (2) o general reformado do Exército José

Antônio Nogueira Belham sobre a prisão, tortura, morte

e ocultação de cadáver do ex-deputado federal Rubens

Paiva, que foi cassado após o golpe militar de 1964,

ficou exilado por um período e quando retornou ao

Brasil, em 1971, foi preso. Paiva morreu no dia 21 de

janeiro.
Belham, que comandava o DOI (Destacamento de Operações

e Informações), onde Paiva ficou preso, é apontado

como um dos responsáveis pelo desaparecimento do

cadáver do ex-parlamentar.

Ato pede punição a torturadores da ditadura
Um grupo de manifestantes participou ontem de um ato

unificado para exigir a punição dos torturadores,

assassinos e ocultadores de cadáveres durante a

ditadura militar (1964-1985) na Vila Mariana, zona sul

de São Paulo.

Dilma: golpe não pode ser esquecido
A presidente Dilma Rousseff lembrou ontem os 50 anos

do golpe militar que deu início à ditadura no Brasil,

em 1964, e disse que as atrocidades cometidas no

período não podem ser esquecidas, em memória dos

homens e mulheres que foram mortos ou desapareceram

enquanto lutavam pela democracia.
“O dia de hoje (ontem) exige que lembremos e contemos

o que aconteceu. Devemos aos que morreram e

desapareceram, devemos aos torturados e aos

perseguidos, devemos às suas famílias. Devemos a todos

os brasileiros”, disse a presidente em discurso no

Palácio do Planalto, durante a assinatura de contrato

para construção da segunda ponte sobre o rio Guaíba.

“Toda dor humana pode ser suportada se sobre ela puder

ser contada uma história. A dor que nós sofremos, as

cicatrizes visíveis e invisíveis que ficaram nesses

anos podem ser suportadas e superadas porque hoje

temos uma democracia sólida e podemos contar nossa

história”, disse a presidente, ao citar a filósofa

alemã Hannah Arendt.
Dilma disse que lembrar e contar o que aconteceu às

novas gerações é parte do processo iniciado pelos

brasileiros que lutaram pelas liberdades democráticas,

pela Anistia, pela Constituinte, por eleições diretas

e, mais recentemente, pela criação da Comissão

Nacional da Verdade.

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