18 de maio de 2021

‘Sempre estive aberto ao diálogo’ diz Wilson Lima

JORNAL DO COMMERCIO – O senhor confirma que existe a possibilidade de uma terceira onda, no Amazonas? 

WILSON LIMA – O potencial do novo coronavírus e suas variantes ainda estão sendo estudados no mundo inteiro, portanto é um vírus que pode ter implicações ainda imprevisíveis. Um exemplo é o que estamos vivendo aqui no Amazonas, com essa nova variante que chegou ao Estado de forma devastadora. Com alto poder de contágio, a nova cepa fez com que o número de casos com necessidade de internações explodissem, em um curto período de tempo, superando tudo o que tínhamos planejado inicialmente. Embora a Secretaria de Saúde tenha iniciado, ainda em novembro, um Plano de Contingência, prevendo o recrudescimento dos casos de Covid e das Síndromes Respiratórias Agudas Graves, principalmente porque temos a questão da sazonalidade, dessas doenças que coincidem com o nosso período chuvoso, fomos surpreendidos com o poder da nova cepa. Isso tudo tem nos exigido trabalhar de forma rápida, buscando todas as alternativas e parcerias possíveis para ampliar, o máximo que pudermos, nossa rede de assistência. É um desafio enorme e não só para o Amazonas. Hoje, países vivem o mesmo drama, como Portugal, que também enfrenta dificuldades e está, assim, como o Amazonas, mandando pacientes para tratamento fora do país. Los Angeles, nos Estados Unidos. O México também passa por uma grave crise na oferta de oxigênio. 

JC – O Estado resolveu a falta de oxigênio? 

WILSON LIMA – O Estado está trabalhando para uma solução sustentável, que permita a ampliar a rede de assistência com a segurança necessária. Hoje todas as unidades de saúde estão abastecidas, mas ainda estamos buscando ampliar a oferta de oxigênio, e para isso não temos medido esforços, contando com a parceria do Governo Federal e também de doações de outros governos, iniciativa privada e a sociedade de um modo geral, que tem sido muito solidária com tudo que estamos enfrentando. Também estamos implantando 62 miniusinas, 50 delas que o Estado está adquirindo e que vão socorrer principalmente os municípios do interior. Atualmente, as unidades de saúde precisam de 86 mil metros cúbicos por dia de oxigênio. Estamos conseguindo abastecer, mas precisamos ampliar a abertura de leitos e, para isso, a previsão é que a demanda chegue a 130 mil metros cúbicos por dia. Temos um planejamento de abrir mais 350 leitos, sendo 100 de UTI, contudo, à medida que formos conseguindo ampliar o abastecimento de oxigênio. Mais recentemente, abrimos a Enfermaria de Campanha, com a ajuda do Exército, que funciona no Delphina Aziz e também o Hospital Nilton Lins, ampliando o atendimento com mais 87 leitos.

JC – O senhor considera que o Amazonas vai dar a volta por cima, em razão do colapso na saúde pública?

WILSON LIMA – Sou otimista. Temos trabalhado muito para fazer com que o Amazonas volte a crescer, mesmo com o grande desafio que tem sido a minha gestão. Durante o segundo ano do governo e, agora, o início deste terceiro ano de gestão, estamos enfrentando a mais grave crise de saúde pública dos últimos 100 anos.  Estou trabalhando para melhorar a estrutura da rede de saúde que já herdamos com muitas deficiências por causa de décadas de falta de investimento, mas, também, enfrentando os efeitos da pandemia nas atividades econômicas e, principalmente, na vida da população mais vulnerável e que mais precisa dos serviços e da assistência do Governo. Ainda assim, temos conseguido avançar muito, na infraestrutura, por exemplo, conseguimos concluir 100 obras em dois anos. Também convocamos mais de 6 mil concursados, fortalecendo serviços nas áreas de educação, segurança e o setor rural. Conseguimos, até aqui, manter a saúde financeira do Estado. Somos classificados como bons pagadores e estamos conseguindo manter o equilíbrio nas contas.

JC – Como o Estado vem tentando recuperar a saúde pública e a credibilidade?

WILSON LIMA – O que estamos fazendo no governo é a maior ampliação da capacidade de saúde pública da história do Amazonas, em um período muito curto de tempo, comparado a décadas que outros governos tiveram para aumentar a rede estadual de saúde e não O fizeram. Um exemplo, é o Hospital Delphina Aziz, que desde que foi inaugurado, em 2014, funcionava com menos da metade da capacidade e, hoje, ocupamos todos os seis andares do hospital. No interior, colocamos Unidades de Cuidados Intermediários equipadas com respiradores em todos os municípios, além de transferir recursos para as prefeituras. Foram mais de R$ 76 milhões do FTI para as prefeituras municipais, sem contar todo o apoio que demos na implantação de 875 leitos clínicos, para Covid, no interior. Nossos investimentos na saúde vão além do enfrentamento a Covid. No ano passado lançamos o programa Saúde Amazonas para modernizar a gestão e melhorar os serviços. Muitos dos avanços são frutos do programa, que vai avançar muito mais quando conseguirmos reduzir os impactos da pandemia no nosso Estado.

JC – Nova Assembleia Legislativa. Desta vez terá diálogo?

WILSON LIMA – Sempre estive aberto ao diálogo e agora não será diferente. Nos últimos dois anos, infelizmente, alguns poucos deputados colocaram interesses políticos acima dos interesses maiores do Estado, que é trabalhar para o bem estar da população, com a ampliação e melhoria dos serviços prestados pelo Governo. Enquanto isso, nós sempre respondemos com trabalho. E agora espero que o Governo e Assembleia, consigam avançar ainda mais na discussão de propostas que realmente beneficiem a população que mais precisa.

JC – O prefeito David Almeida continua aliado?

WILSON LIMA – Assim como com a Assembleia Legislativa do Amazonas, meu relacionamento com a Prefeitura de Manaus, com o prefeito David Almeida sempre será com base no diálogo para que consigamos avançar no que realmente interessa à população. Não tenho problemas com o prefeito e, de minha parte, a relação sempre cordial e respeitosa.

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