16 de abril de 2021

Seminovos na expectativa da retomada do IPI

A retomada do valor da alíquota do IPI é vista como símbolo da retomada do crescimento de um segmento do comércio varejista de veículos que hoje está “mal das pernas”, como dizem os gerentes de lojas especializadas em carros usados e seminovos

A retomada do valor da alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) é vista como símbolo da retomada do crescimento de um segmento do comércio varejista de veículos que hoje está “mal das pernas”, como dizem os gerentes de lojas especializadas em carros usados e seminovos. As empresas da área apostam em um crescimento mínimo de 20% mensal até dezembro, assim como um retorno aos índices de vendas conferidos pela última vez no ano passado, no período pré-crise.
Enquanto o segmento de usados e seminovos espera ansioso pelo fim do incentivo do imposto, as revendedoras de automóveis novos correm contra o relógio para vender todo o estoque e compensar os números negativos do início do ano.
“Não teremos um aumento grande nas vendas porque o IPI será elevado aos poucos até o ano que vem, mas esperamos pelo menos um incremento mensal de 20% até dezembro”, ponderou o gerente geral da Lucar, Evandro Lucena. Na visão do gestor da empresa, que oferece carros usados e seminovos, o setor poderá finalmente voltar aos números positivos vividos antes de setembro de 2008.
Lucena explicou que as vendas estavam quase estagnadas porque frequentemente os clientes encontravam carros novos com descontos que os igualavam ao valor dos usados. “Os feirões de vendas que aconteciam todos os finais de semanas acabavam por diminuir nossa clientela e ficamos registrando números negativos durante todo esse tempo de queda do IPI”, lamentou.
O governo federal já decidiu e a partir da quinta-feira, 1º, o IPI voltará para a ser incorporado na nota fiscal dos veículos comercializados no país, encarecendo ainda mais este símbolo de independência para muitos brasileiros. Em Manaus, a venda de carros novos está aquecida desde maio e os meses de agosto e setembro elevaram os índices de vendas acima das metas mensais das empresas. Os clientes aproveitaram os últimos dias com preços reduzidos devido à cobrança diferenciada do imposto para compra de seu carro com mais facilidade.
Segundo Ulisses Ariel, supervisor de vendas da Logos, loja que além de vender carros novos e usados pratica a intermediação da compra de automóveis, comemora a superação das metas de vendas da empresa. “Desde julho, estamos batendo os recordes de venda da loja e superando as expectativas dos dirigentes da empresa. Somente neste fim de semana, saíram em torno de cem veículos”, comemorou Ariel.
Nas lojas Via Marconi e Murano, especializadas na comercialização de automóveis novos da marca Fiat na cidade, de janeiro a agosto, 478 veículos deixaram o pátio de vendas. Até ontem, os números atingiram a marca de 689 carros vendidos, de acordo com o gerente de vendas da Via Marconi, Antônio Carlos Lima.
Apesar de faltar menos de uma semana para a volta dos preços normais –sem desconto de IPI–, algumas empresas garantem que poderão manter os preços para atrair os consumidores. “Estamos com um bom nível de estoque e estamos avaliando a possibilidade de praticar os preços atuais mesmo quando o IPI voltar ao normal”, afirmou o supervisor de vendas da Logos. Ele explicou que além de colocar o preço antigo “na placa”, a empresa poderá exibir o valor com o ajuste do imposto, mas oferecer desconto equivalente à parcela do IPI para garantir o fechamento de uma venda difícil.
O Jornal do Commercio pesquisou os veículos em cinco grandes revendedoras de carros novos e usados de Manaus e contatou quais os automóveis mais vendidos. No primeiro lugar, ficou o Ka, seguido pelo Palio e Gol. Os modelos Celta e Siena completam a lista dos automóveis mais queridos pelo manauense. O nível de estoques das empresas de carros novos está normal, sem excessos e atendendo à demanda, segundo os gerentes das revendedoras procuradas pelo jornal.

GM e Fiat têm a preferência do consumidor amazonense

A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) informou que em todo o Amazonas, julho totalizou a venda de 2.090 veículos, ficando abaixo da quantidade registrada em agosto, quando 2.223 automóveis deixaram as concessionárias. O volume de vendas superior representa crescimento de 6,36% na passagem do mês e contabiliza 15.538 carros faturados no acumulado do ano.
Em agosto de 2008, apenas 1.929 carros foram vendidos, acumulando 15.673 automóveis comercializados até aquele mês. A variação positiva entre os meses de agosto dos dois últimos anos foi de 15,24%. Porém, a reunião do acumulado destes anos figurou negativamente (-0,86%).
Entre as empresas que praticam a intermediação no processo de compra e venda de automóveis, a vantagem da mudança de tributação do Imposto sobre Produtos Industrializados está na falta de interesse do anunciante do veículo à venda em ajustar o seu preço. “As pessoas que enviarem o cadastro de seus carros até quarta-feira, quando o IPI voltará a ser cobrado, certamente não se preocuparão em aumentar o preço, como já ocorreu em oportunidades anteriores. Desta forma, poderemos oferecer um valor abaixo do mercado quanto o carro for de intermediação”, garantiu Ariel.
As fabricantes GM (General Motores) e Fiat ficaram nos dois primeiros lugares do pódio entre as empresas que abocanharam as duas maiores fatias do mercado automobilístico urbano para veículos leves não comerciais, na praça amazonense no mês passado. A GM marcou 23,70% frente aos 22,89% da Fiat. Enquanto isso a Mitsubishi conseguiu apenas 1,38% do mercado ficando com a última posição do ranking da Fenabrave.
De acordo com o cronograma estabelecido pelo goveno federal, a alíquota do IPI será restabelecida aos poucos, até janeiro de 2010. Já em outubro, a tributação ficará em 1,5%, passando para 3%, em novembro, e para 5%, em dezembro, atingindo a marca de 7% no primeiro dia do próximo ano. Os números valem para carros de até 1000 cc movidos à gasolina e flex (álcool e gasolina).
Para os modelos entre 1001 e 2000 cc –todos a gasolina–, o imposto começa a pesar no bolso já no próximo mês. Em outubro, o IPI passará a 8%, sendo elevado para 9,5% e 11% em novembro e dezembro. Em janeiro, a tributação atingirá o patamar de 13%.

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