Sem acordo, trabalhadores de supermercados preparam greve

Após duas rodadas de negociações na convenção coletiva deste ano, o impasse entre patrões e empregados do segmento supermercadista e atacadista do comércio amazonense permanece. As empresas já aceitaram conceder o reajuste pedido pelos trabalhadores, mas querem se restringir às cláusulas econômicas, em face das perdas sofridas pela pandemia e pela inflação dos últimos meses. Estes, por sua vez, usam o mesmo argumento e  não abrem mão de “cláusulas sociais”.

Sem acordo, o SINDECVARGAM (Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista, Atacadista e Representantes de Gêneros Alimentícios de Manaus) promete novas mobilizações para a próxima semana, quando deve consultar suas bases para um indicativo de greve, algo inédito no segmento de supermercados e empresas de atacado do Amazonas. O Sindivarejista (Sindicato do Comércio Varejista no Estado do Amazonas), por outro lado, diz não acreditar na possibilidade e aposta que os dois lados chegarão a um consenso nos próximos dias.

Na última terça (15), o sindicato laboral chegou a paralisar as atividades de um centro de distribuição de um grande hipermercado de Manaus, durante toda parte da manhã. Na ocasião, o SINDECVARGAM já havia assinalado a possibilidade de novas paralisações relâmpago em outras unidades de centros de distribuição e supermercados da capital amazonense, como medida de pressão .

A ação ocorreu cinco dias depois da primeira reunião entre os representantes das empresas e dos trabalhadores do segmento, para o acerto da convenção coletiva deste ano. O Sindivarejista já havia subido sua proposta inicial de 2% para 2,94% para os comerciários que recebem acima do piso salarial – que atualmente é de R$ 1.133 e deve ser corrigido por um índice próximo ao que for acertado para os trabalhadores da categoria que ganham mais. O aumento de auxílio alimentação, dos atuais R$ 11,50 para R$ 14, é outra reivindicação, mas os lojistas acenam com o congelamento do valor.

Benefícios e greve

O SINDECVARGAM havia pedido 3,30%, mas o ponto que divide ambas as partes ainda é o plano de saúde. Nesta sexta (18), em nova reunião, a direção do sindicato laboral e a Comissão de Negociação discutiram e rejeitaram uma nova contraproposta – que desta vez contemplava um reajuste de 3%. No entendimento do presidente da Comissão de Negociação para os comerciários, Carlos Fernandes, a proposta é “inaceitável” por “gerar prejuízos” nas cláusulas econômicas e “não avançar” nas cláusulas sociais. 

“Aceitaram os 3%, mas não houve avanços nos benefícios do plano de saúde/odontológico, que é justamente nossa principal reivindicação. Nem no ticket de alimentação. A partir da semana que vem, vamos intensificar as paralisações, pois entendemos que não nos resta alternativa. Também iremos a todas as empresas, para decidir pela data do indicativo de greve da categoria. Não aceitamos o argumento de que esse segmento sofreu perdas durante o período de pandemia”, avisou o dirigente, que também é secretário nacional de Organização Sindical da CUT-AM e do SINDECVARGAM. 

“Momento errado”

Em resposta, o presidente do Sindivarejista, Teófilo Gomes da Silva Neto, diz que as empresas não estão preocupadas com a possibilidade de greve ou eventuais paralisações, e observa que as negociações do ano passado também foram tensas, mas acabaram em acordo na reta final. Embora a data-base da categoria (1º de setembro) já tenha passado, o dirigente lembra que já assinou acordos até dois meses depois disso. Conforme o executivo, a expectativa da entidade é que ambas as partes possam chegar à convergência na próxima semana. 

“Com a quantidade de desempregados que há em Manaus, atualmente, não acredito que cheguemos a esse desfecho. E quem já está no serviço, não vai querer arriscar ficar sem. Temos que ter mais calma, porque este realmente não é o momento. A crise está sendo sentida por todos, inclusive pelos supermercados, que estão pagando mais caro pelas mercadorias. Mas, acredito que chegaremos a uma boa definição, com serenidade. Esperamos uma resposta do sindicato na segunda [21] ou na terça [22]”, finalizou. 

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