6 de maio de 2021

Sem insumos, Yamaha suspende produção no PIM

A crise de abastecimento na cadeia de suprimentos causada pela pandemia leva Yamaha a suspender o processo produtivo de algumas linhas de produção de motocicletas. Após seguir o planejamento para retomar produção plena e obter bons números em março, a montadora teve que adotar tal medida para manter o plano inicial de produção e preservar os postos de trabalho. Além disso, a estratégia adotada tem como objetivo manter o processo produtivo numa crescente para  atender o mercado.

As atividades estarão suspensas no período de 3 a 12 de maio. Nas linhas afetadas, os colaboradores estarão em férias coletivas. Em nota, a montadora afirmou que a paralisação é parcial e a previsão é que após os 10 dias de paralisação, ela retome o processo de produção das linhas paradas  para continuar a  atender à demanda. A produção de motores de popa, bem como as demais atividades operacionais da Yamaha Motor da Amazônia, Yamaha Motor Componentes da Amazônia e da Yamaha Logística permanecerão em plena atividade durante esse período.

De acordo com o diretor de relações institucionais da Yamaha no Brasil, Hilário Kobayashi, a parada temporária de algumas linhas de produção faz parte da estratégia da empresa de adequar o fluxo de alguns insumos à produção. “Não era algo previsto originalmente, mas certamente as diferenças de volume que deixarão de ser produzidas serão compensadas gradualmente ao longo do ano. A Yamaha espera cumprir o planejamento original”, disse.

Medida foi tomada para preservar os postos de trabalho
Foto: Divulgação

Segundo Kobayashi, existe uma demanda muito grande por insumos automotivos e todo o planeta vem sofrendo com essa situação. Além disso, as dificuldades com logística, como a falta de espaço nos navios para os containers com peças e equipamentos destinados ao Brasil, têm sido grandes entraves que têm afetado o setor.

“Haverá uma pequena diferença no volume de motocicletas produzidas no mês de maio, mas pelo lado positivo, a parada servirá para realizar manutenção preventiva de máquinas e equipamentos o que nos tornará mais eficazes quando regressamos  a produzir com nossa capacidade máxima”, explica.

Em março, o setor de duas rodas do PIM (Polo Industrial de Manaus) ultrapassou a produção de 125 mil motocicletas, números que registraram uma  alta de 116,4% na comparação com o mês anterior. Os números foram resultados de estratégias adotadas pelas empresas do setor, que retomaram sua produção constante, depois de superadas as medidas de restrição impostas pelas autoridades no combate à propagação da pandemia.

Segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), o cenário para o setor de motocicletas ainda é de otimismo e a previsão é que as associadas cheguem a fabricar 1.060.000 motocicletas em 2021, o que representa uma alta de 10,2% na comparação com as 961.986 fabricadas no ano passado.

Analise

Na análise do economista Farid de Mendonça Júnior, a dependência de insumos vindos do mercado asiático contribui ainda mais para os números negativos da economia, ainda mais para o setor de motocicleta que passa por um processo de recuperação. Ele reforça, que as consequências são os impactos negativos na atividade econômica, no emprego, e em todo o ciclo econômico.

“O mundo ainda vive os efeitos provocados pelo coronavírus e as consequências sobre a desarticulação das cadeias produtivas globais. Este modelo toyotista, em que as partes de um produto são produzidas em diversos países vive a sua pior crise, ainda mais neste momento em que a pandemia desloca-se novamente de epicentro, agora na Índia”, explica.

“O mundo precisa repensar este modelo. E isso não pressupõe necessariamente o retorno para o modelo Fordista (produção vertical), mas sim repensar formas de suprir sua cadeia produtiva, tendo em vista a magnitude de um país continental como o Brasil. Além da possibilidade de sinergias comerciais com os seus vizinhos, tais como os membros do Mercosul, podendo-se dar ênfase à Argentina, que se encontra em um momento muito difícil em sua economia”, finaliza. 

Foto/Destaque: Divulgação

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