Seguro-desemprego em queda no Amazonas em maio

A demanda por seguro-desemprego caiu pelo segundo mês consecutivo no Amazonas, em paralelo com o aquecimento do comércio para o Dia das Mães, a estabilização dos números locais da pandemia e as liberações dos auxílios emergenciais. A quantidade de requerimentos encolheu 4,99% de abril (6.276) para maio (5.963) de 2021, além de ficar 41,03% abaixo de maio de 2020 (10.112) – mês de auge dos impactos da primeira onda. Houve mais pedidos na segunda quinzena do mês (3.041) do que na primeira (2.922). Os dados são da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

A flexibilização do atendimento presencial nos segmentos econômicos não essenciais e a proximidade na data comemorativa impactaram no corte por atividade, nas estatísticas locais das solicitações pelo benefício. Serviços lideraram as lista novamente, respondendo por 37,98% (2.265) dos registros. O comércio (26,36% ou 1.572), entretanto, caiu para a terceira posição, cedendo o segundo lugar à indústria (27,47% ou 1.638). Na sequência vieram construção (7,27% ou 417) e agropecuária (1,02% ou 61). Nenhuma atividade sofreu piora, em números absolutos, na comparação com abril.

Os valores pagos no Amazonas superaram os R$ 31,58 milhões, no mês passado, sendo que o valor médio das parcelas foi de R$ 1.341,71 – em um total de 23.539 parcelas pagas localmente. Embora o número de beneficiados tenha sido menor, o montante foi 8,48% superior ao percebido em abril deste ano (R$ 29,11 milhões). No confronto com os números do mesmo mês de 2020 (R$ 30,10 milhões) – que teve praticamente o dobro de beneficiados –, a elevação foi de 4,92%. 

A performance do Estado acompanhou a tendência da média nacional. O Brasil registrou 527.066 solicitações de seguro-desemprego, em maio de 2021, com decréscimo de 6,76% ante abril do mesmo ano (565.308) e redução de 45,11% em relação ao valor de 12 meses atrás (960.308). A despeito queda na quantidade de beneficiados, os valores pagos em todo o país subiram 7,81% entre abril (R$ 2,56 bilhões) e maio (R$ 2,76 bilhões) e praticamente empataram (-0,36%) com o dado de 12 meses antes (R$ 2,77 bilhões).

Apesar da demanda mais baixa, conseguir o benefício votou a ficar ainda mais difícil, em âmbito local. A base de dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia mostra que a taxa de habilitação do seguro-desemprego experimentou retrocesso em todas as comparações. Em torno de 83,97% dos requerentes do Amazonas (5.007) obteve o benefício no mês passado, fatia menor do que as registradas em abril de 2021 (87,55% ou 5.495 segurados) e maio de 2020 (87,22% ou 8.820). 

Idade e instrução

Em razão da estabilização da pandemia, 86% (em torno de 5.131) dos registros foram realizados pela web – contra 87% (5.460), no mês anterior. Assim como ocorrido em abril, a maioria esmagadora dos trabalhadores amazonenses que buscou seguro-desemprego pertencia ao sexo masculino, com 64,03% (3.818) das solicitações. As mulheres, por sua vez, responderam por apenas 35,97% (2.145) dos registros. Os números apontaram retração ante abril, em ambos os casos – 62,95% (3.951) e 37,05% (2.325), respectivamente. 

Com 34,21% do total, a faixa etária que requereu mais formalizações pelo seguro-desemprego no Amazonas foi novamente a de 30 a 39 anos (2.040), seguindo a tendência dos meses anteriores. Em seguida vieram, praticamente empatados, aqueles que tinham de 25 a 29 anos (21,23% ou 1.266) e os , que já contavam entre 40 e 49 anos (21,20% ou 1.264). Completam a lista os trabalhadores de 18 a 24 anos (14,39% ou 858), entre 50 a 64 anos (8,69% ou 518), 65 anos ou mais (0,27% ou 16) e até 17 anos (1 ou 0,02%). 

Em termos de grau de instrução, 76,05% dos solicitantes do benefício no Amazonas tinha ensino médio completo (4.535). Foram novamente seguidos de longe por aqueles que contavam com o superior completo (7,51% ou 448), fundamental completo (5,23% ou 312), fundamental incompleto (4,31% ou 257), médio incompleto (3,99% ou 238), superior incompleto (2,70% ou 161), ou eram analfabetos (0,20% ou 12). 

A faixa salarial predominante entre os trabalhadores amazonenses que pediram seguro-desemprego no mês passado foi novamente a que vai de 1,01 a 1,5 salário mínimo (44,49% ou 2.653). Em seguida, estavam os que ganhavam de 1,51 a 2 mínimos (20,36% ou 1.214), até 1 mínimo (15,94% ou 951) e 2,01 e 3 mínimos (12,32% ou 735). Os demais ganhavam de 3,01 a 4 mínimos (3,27% ou 195), de 4,01 a 5 mínimos (1,63% ou 97), entre 5,01 e 10 mínimos (1,47% ou 88), e acima dos 10 mínimos mensais (0,50% ou 30).

Juros e vacinas

Para o conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior, além do impacto do Dia das Mães, a retração na demanda por seguro-desemprego em nível local foi beneficiada pelo efeito das concessões de auxílio emergencial. Segundo o economista, em paralelo com a data comemorativa, a concessão do benefício federal – e seus congêneres locais – ajudou a colocar mais liquidez na economia amazonense e, assim, reduzir demissões. 

“Tudo isso aqueceu a economia e a queda na busca do benefício. As próprias decisões do Banco Central em aumentar a taxa básica de juros Selic contribuu para atrair mais investimentos, ainda que de curto prazo. Há ainda a expectativa do aumento do ritmo da vacinação, que também contribuiu para a volta da atividade econômica” acrescentou.   

Mais cético, o presidente do Sindecon-AM (Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas), Marcus Evangelista, reforça que o Brasil ainda passa por um momento de ajuste diante do atual estágio da pandemia, em que a possibilidade de uma terceira onda acaba comprometendo qualquer projeção futura. Segundo, o economista, enquanto a velocidade da vacinação não acelerar o suficiente para derrubar os casos de covid-19, tanto a economia nacional quanto amazonense, passarão por oscilações. 

“A confiança do consumidor deve avançar de fato só após a vacinação em massa. Enquanto isso, teremos picos de consumos sazonais, impulsionados pelas datas comemorativas, causando grande oscilação nos indicadores de desempenho. Já a imunização traz a expectativa de que a economia volte a aquecer e, consequentemente, as empresas comecem a recontratar novamente, fazendo com que as solicitações de seguro-desemprego diminuam”, finalizou.

Foto/Destaque: Divulgação

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