Segurança e saúde, orgulho, tristeza não, resistência (Parte 3)

Ao começar meu trabalho de escritor, não digo que já tivesse uma consciência clara do que afirmei até aqui. Mas, na noite criadora da vida, preconceito do intelecto, eu já sentia que devia escrever como se a sorte do meu país e de meu povo dependesse do que eu fizesse. Não tendo poder político, nem econômico, achava que isso era o que podia fazer: um romance, um teatro, uma poesia, que, pelo menos, não aviltassem o nosso país. Porque estão aviltando, viu! (…)”. Ariano Suassuna 

Provocado pelo amigo Marcelus Glaucus da Federação Brasileira de Geólogos – FEBRAGEO no questionamento: “será que em 10 anos seremos capazes de eliminar o risco em atividades prospectivas???” 

Continuo este artigo, buscando responder que, ao estudar o complexo petrolífero industrial de Urucu, temos pistas importantes e um bom começo. Sua historicidade, de mais de três décadas, nos projeta um modelo industrial 6.0 ao paradigma das atividades produtivas extrativistas do Século XXI, o da governança Espiritual, uma das dimensões que defendo, podem promover Sustentabilidade planetária.

Como escritor, tenho Ariano Suassuna como referência. Referências são estratégias de sobrevivência em processos civilizatórios.

Um ditado “geológico” diz: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. 

Exerço, pois, nesta série temática, a recomendação de Suassuna: fazer com que nossos artigos não aviltem o Amazonas, estado que me acolheu e onde vivo desde 1994, bem como minha “Pátria do Evangelho (boa nova), Coração do Mundo”, nosso Brasil.

Desde pequenos, os cuidados de quem cria e cuida das crianças podem fazer toda a diferença nas pessoas que nos tornamos. Pais biológicos ou de coração, tios, avós, dindas … têm responsabilidades além da vida. 

Meu olhar é mui semelhante às organizações e ao Estado. Uma Organização, privada, ou não, é feita por pessoas com razões, corações e espíritos. O povo com razão, coração e espírito, compõe o Estado. Os investidores com razões, corações e espíritos, integram o Mercado.

Sem razão, coração e espiritualidade morrem as organizações, o Estado, mercados, a Natureza, morremos nós.

No ano de 2020, de grandes desafios e perdas pandêmicas, dos mais de 50 artigos que escrevi neste periódico, referência nacional e do estado do Amazonas, 18, contando com este, debateram o tema PETROBRAS e/ou a proposta de venda divulgada pela atual diretoria da empresa, dentro do programa de privatização do Governo Federal, da sua Unidade Operacional Geólogo Pedro de Moura, o Complexo Industrial Petrolífero de Urucu.

A Petróleo Brasileiro S.A. é uma organização da indústria petrolífera mundial referência na produção em águas profundas (know-how da Engenharia nacional de produção com segurança, saúde, respeito ambiental e resiliência nos investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação do Pré-Sal). 

Possui no Pré-Sal continental de Urucu, nosso vale do silício amazônico em terras brasileiras, e, nas palavras da geocientista Dra. Suzi Huff, “uma ilha de alta tecnologia no meio da floresta amazônica, um grande portfólio de responsabilidade ambiental da PETROBRAS”. 

Quem visita a Unidade Operacional Geólogo Pedro de Moura, ressalta Suzi, reconhece e pode captar bem “o Espírito da Floresta que habita em Urucu”.

Enquanto esperava no alojamento principal Vitória Régia o embarque no ônibus ao aeroporto de Urucu, sentei num banco em frente a uma obra de arte pertencente à referência amazonense Cláudio Andrade. Era um tronco de mulateiro, uma árvore da Família Rubiácea, que parecia “morto” pela natureza, mas, renascia, como “fênix”, nas mãos do artista.

Uma placa, provavelmente da inauguração da obra em 07 de novembro de 2007, dizia: “mesmo após a morte, a grandiosidade, magia e encanto da nossa Amazônia se perpetuará em uma secular árvore mãe, deixando o privilégio do renascer para outras vidas…” Cláudio Andrade

Cada palavra lida com a autoridade do artista, ressoa o canto resistente dos filhos de Urucu: “Aqui, todo mundo guarda a esperança de não vender”. 

Entendo que visitar Urucu deveria ser um marco do turismo especializado, onde a outrora Escola Esperança poderia se transformar numa Academia Corporativa Esperança da PETROBRAS, atraindo profissionais do mundo todo, ao exercício de entender o que é produzir no Modelo Industrial 6.0, que ainda nenhuma Nação do Planeta alcançou. Só o Brasil exercita, através de sua empresa nacional, a Petróleo Brasileiro S.A..

Trabalhar em Urucu é entrar no coração da Floresta e viver a Natureza (amazônica) comandando uma planta industrial petrolífera superavitária. 

Os pássaros de diversos ninhos se aninham conosco nos alojamentos. 

Por vezes, algumas sucuris de muitos metros atravessam as estradas e precisam ser “retiradas” por muitos braços, pois elas, no tempo delas, não diferenciam pavimento, do solo. 

Há as famílias de macacos prego, um grupo de mais de 50 indivíduos que “adoram atravessar a estrada para o aeroporto no dia em que temos que desembarcar da Base, todos nós, ansiosos por nossas famílias e amigos”, contava a responsável pelo Meio Ambiente Larynne, que nos acompanhou na fiscalização ambiental. Ressaltava a jovem, oriunda do Rio Grande do Norte, que “o mais interessante era ver o papel do líder deles, fica de guarda, em pé, com os braços elevados de frente para o ônibus, até que o último indivíduo do grupo atravesse”. Ali, reproduziu com carinho e sorrindo, a petroleira: “da hora que comecei a contar, eu contei 57… acho que atrasamos quinze ou vinte minutos naquele dia… rsrs… esperando a travessia…” 

Muitas vezes, como organizações, nos esquecemos que somos, como seres humanos, a parte animal da Natureza. E, em Urucu, a Petróleo Brasileiro S.A. aprendeu a produzir riquezas, Amigo Marcelus, com respeito à natureza amazônica.

Urucu produz e a organização tem regras, onde o desrespeito pode representar o acidente, a morte, a demissão por justa causa contratual. 

Mesmo quem é visitante tem claro que é proibido caçar, pescar, banhar em rio/igarapé, entrar sem equipamentos de proteção individual nas áreas mapeadas como áreas de risco… 

Em caso de onça pintada, ou de todas as cores, melhor ouvir as estórias do operador Antônio, petroleiro contador de “causos”, humorista, como bom cearense, … dos seguranças, ou do gestor da Unidade Operacional, petroleiro Marques. 

Elas parecem caminhar “sem fome” no contato com o homem, ou com jornalistas visitantes. Já possuem alimento suficiente na selva. Mas, pelos princípios da precaução e prevenção, melhor observá-las dentro dos carros, ou alojados no mais próximo ambiente com porta…

Por ironia, o mesmo Governo que quer vender Urucu, usa, no comercial institucional de 45 segundos de duração (“Legado”), seus 05 segundos iniciais exaltando: “nós construímos tudo isso juntos. Com muito trabalho. E suor. ” 

Esta é uma verdade inconteste dos petroleiros e trabalhadores, filhos de Urucu, e, em todas as unidades onde a Petróleo Brasileiro S.A atua, desde sua criação, em 1953!

Os quatro segundos seguintes do comercial o atual Governo Federal nos afirma: “Mas, a Petrobras precisa seguir um novo caminho”.

Outra referência, Carlos Drummond de Andrade, em seu poema No Meio do Caminho, contextualiza bem nossa realidade civilizatória: “No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Tinha uma pedra. No meio do caminho tinha uma pedra (…)”. (Continua) 

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