Segue a saga do controle da mortalidade – parte 1

Na edição de 28/03 deste jornal assinou-se o rastreamento do sentenciado pelo Presidente, assegurando-se que o enunciado logo seria decifrado pelos hermeneutas da Corte. Tratou-se de densa postura oficial a trafegar na direção de enfrentar a pandemia em curso mas escoimando o catastrofismo que se apregoava, na visão oficial, bem entendido. Uma mera gripezinha, fulminou Sua Excelência!

Feitas as contas nos moldes palacianos e outras notoriedades que prontamente bateram continência num patriótico apoio verde amarelo, proclamou-se que a quarentena intitulada horizontal (todos em casa) por certo resultaria na quebra da economia não mais que em 2 semanas, gerando desordens de todo o gênero, com a tomada das ruas e até a destituição do presidente. Olha o risco à ordem democrática! Convinha desde logo cogitar de algo a respeito, o que de fato mostrou-se mais adiante, nos moldes a ser relatado, num instantinho só.

A solução consciente seria retomar-se as atividades integralmente, mas zelando-se pela proteção e bem-estar das pessoas em grau de risco, como os idosos que continuariam confinados nos seus lares a salvo da contaminação, contudo sujeitos à prisão se saíssem de casa. Assim, o vírus estaria limitado a atingir os que estivessem nas ruas, cujo número de mortos acaso acontecido traria menor prejuízo ao funcionamento da nação do que se perdurasse o recolhimento total.

Viu só? Essa mantra reúne amplas condições de genuinamente batizá-la, crismá-la e consagrá-la como controle da mortalidade, tal como estampado no artigo acolá citado. Ou não? Ao invés, repita-se o brado das vozes oficiais: fosse adotada a quarentena vertical, assim designado tal passo como visto em que apenas as pessoas de risco ficariam protegidas enquanto as demais seguiriam a vida normal. Sem riscos? De indagar na altura. Com isso, sustentavam os autores, ficaria desatado o nó econômico.

Simples assim, restando garantido que o impulso caprichoso da epidemia alcançaria achatamento natural e verdadeiro em menos de 30 dias, mantendo-se o Presidente (!), preservando-se os empregos, a economia andando e a crise sob controle. Ou seja, de supor que a festejada medida administrativa por meio de um formidável senso de procura, como que incorporasse a inaudita vacina tão sonhada em todo o mundo.

Sucede, irresistível não se inferir que a conação palaciana bem guarda feições de estratégia das batalhas em que se nas guerras se busca a vitória a despeito da perda de vidas humanas, mas minimamente orçadas, como desejável. A tal se identifica como controle da mortalidade, no entanto uma imposição irresistível dos fatos, das circunstâncias, reconheça-se como uma escolha do mal menor…

De fato, na 2ª. Guerra Mundial, (1939/45) a FEB Força Expedicionária Brasileira lutou com o contingente aero terrestre de 25.000 soldados e ao fim de consagradas vitórias na tomada de Monte Castelo e Lomas Valentina, perdera 450 praças, 13 oficiais, 8 pilotos. É certo que o inimigo de agora não se mostra a serviço de ninguém, labuta em causa própria, é invisível, traiçoeiro, faminto, calou todas as crenças, não usa armas convencionais e atacou o mundo todo mais o que fez o Eixo nazista. Atende por coronavirus e não Hitler, mas mutatis mutandis… Heinn? É que meu alter ego acaba de lembrar que no artigo anterior The Day After (Conclusão) acenou-se aqui com a manobra o crime a quem aproveita? (Holmes). (Continua).

*Bosco Jackmonth é advogado de empresas (OAB/AM 436). Contato: [email protected]

Fonte: Bosco Jackmonth

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