Seca diminui estimativas para safra

A safra de soja do “Mapitoba” -nome dado à área entre Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia- deve ser menor do que a estimada devido à seca que atinge parte da região desde dezembro. O problema se concentra no Piauí e na Bahia, onde não foram registradas chuvas em dezembro e em fevereiro.
Os dois Estados, que deveriam produzir 4,5 milhões de toneladas de soja, segundo estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), devem perder cerca de 1,5 milhão de toneladas -uma quebra de 33%. A estimativa, baseada no relato de produtores, é do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), que na semana passada enviou técnicos para conhecer o potencial da região, considerada a nova fronteira agrícola brasileira.
“Na região de Bom Jesus (PI), algumas fazendas perderam mais de 60% da produção”, diz Alex Sandro Peruzzo, da empresa de defensivos Risa. “Alguns produtores já estão pedindo para renegociar suas dívidas, pois não terão como pagar”. O produtor Paulo Roberto Kreling, que cultiva grãos na serra do Penitente, no Maranhão, diz que a região não foi fortemente afetada pela seca, mas relata os problemas de colegas no Piauí.
“Em algumas fazendas, não compensa nem colocar a colheitadeira no campo”, diz. “Em dez anos, nunca vi uma estiagem tão prolongada”.
Na Bahia, a seca trouxe outro problema: a lagarta helicoverpa, comum em plantações de milho, mas que neste ano causa prejuízo também nas lavouras de soja.
A estiagem prolongada dá condições para que a praga se alastre rapidamente, dificultando o controle.
O superintendente da Aiba (Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia), Ernani Sabai, diz que os produtores de soja, milho e algodão do Estado perderão cerca de R$ 1 bilhão nesta safra, devido ao aumento de custos para combater a lagarta e às quedas na produtividade. Apesar de significativas para a região, as perdas do Mapitoba não são suficientes para ameaçar a safra recorde que o Brasil colherá neste ano, estimada em 82 milhões de toneladas de soja.

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