Seca deve ficar abaixo do recorde de 2005

O nível do rio Negro registrado ontem foi de 17,83 metros, estando pouco mais de 3 metros acima do nível de outubro de 2005, ano que teve seca recorde na região. Segundo o superintendente da CPRM (Serviço Geológico do Brasil) de Manaus, Marco Antônio Oliveira, apesar de ser considerado um período de seca devido à recente escassez de chuvas, o nível do rio ainda não é considerado um emergência – seria apenas se baixasse para 16 metros.
Porém, o superintendente informou que é pouco provável a situação ficar crítica, já que o volume de água vem diminuindo entre 6 e 7 centímetros por dia e a vazante deve terminar entre o final deste mês e o começo de novembro. “Acredito que em áreas como o Alto Rio Negro e o rio Branco (RR) a situação está crítica, porém nas proximidades de Manaus está normal”, declarou. Ele falou ainda que as navegações precisam ter mais cuidado na vazante, pois bancos de areia agora demandam um monitoramento especial.
Apesar de não ser considerado um momento crítico pela CPRM, a seca até agora tem trazido preocupações à SNPH (Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias), como informou o diretor-executivo George Gomes. “O impacto que essa seca está causando ao setor de navegação e às atividades da SNPH é enorme”, revelou. Segundo ele, a grande afetada é a travessia da balsa Manaus-Iranduba, visto que, no porto de Cacau Pirêra, a parte destinada à chegada de embarcações virou um pequeno canal, obrigando todo o fluxo a ser remanejado para o Porto do Brito, levando consigo todo o comércio e forçando a SNPH a instalar ali um novo escritório.
Segundo o diretor-executivo, esse remanejamento gera um acréscimo de R$ 700 mil às despesas da superintendência. O percurso da travessia também é afetado. O trajeto Manaus-Cacau Pirêra tem em torno de 3 quilômetros de extensão e leva cerca de 30 minutos para ser atravessado – já Manaus-Porto do Brito aumenta o percurso para 1h10, com o dobro da distância.
O diretor técnico do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas), José Ramonilson de Souza Gomes, disse acreditar que a cheia e não a seca é o problema maior. Ele relembrou o estrago feito pela enchente deste ano, quando toda uma plantação de hortaliças e frutíferas de várzea baixa e alta foi dizimada, causando um prejuízo da ordem de R$ 55 milhões em todo o Estado. A seca também vem causando prejuízos, porém, segundo o diretor-técnico, os números finais deverão ser mais amenos. A criação de gado também é afetada, pois as pastagens acabaram por causa do verão prolongado e os animais precisam ser remanejados. De acordo com Gomes, um crédito emergencial direcionado aos produtores prejudicados está em fase de aprovação. Serão R$ 26 milhões até dezembro do governo federal por meio do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e R$ 10 milhões do Estado, por meio da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas).

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