Saúde e retomada econômica dominam debate do Visão JCAM

O aumento da cobertura vacinal no Amazonas e a necessidade de manutenção das medidas sanitárias contra a disseminação da Covid-19 dominaram os debates do primeiro Visão JCAM deste ano, a quinta edição do programa, transmitido nessa segunda-feira (22) diretamente dos estúdios centenários do Jornal do Commercio.

Por unanimidade, houve o consenso de que a vacina e a prevenção foram apontadas como de extrema importância para a retomada das atividades econômicas no Amazonas, assolado pela pandemia do novo coronavírus que já causou quase 12 mil mortes e infectou 335.394 pessoas, isso só até a última sexta-feira (19), segundo os dados oficiais.

A questão da recuperação da BR-319 também esteve em foco após a tragédia no transporte de oxigênio medicinal pela estrada, causando a morte de muitos pacientes por asfixia pela falta do insumo em hospitais. As péssimas condições da estrada inviabilizaram a chegada a tempo do produto para salvar vidas.

Mediados pelos jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, diretor de redação do JC, e o pelo geólogo Daniel Nava, coordenador técnico do programa e articulista do jornal, os debatedores enfocaram o tema ‘Pandemia, saúde e segurança na retomada da economia no Amazonas’.

O objetivo foi construir uma agenda positiva ouvindo os principais atores no contexto do enfrentamento à Covid-19 para preservar empregos, geração de renda e manter funcionando as atividades econômicas, ressaltou o geólogo Daniel Nava.

De forma online, participaram das discussões o senador Plínio Valério (PSDB-AM), o presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag; Henrique Pereira, pesquisador e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e também coordenador do Projeto Atlas; e Cristiano Fernandes, diretor-presidente da FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde no Amazonas).

Segundo Cristiano Fernandes, desde a introdução do novo coronavírus em março do ano passado, já foram registradas pelo menos 36 novas variantes no Estado, principalmente a P1, que causou a segunda onda de contágio a partir de janeiro, causando mais de 6.360 mortes até março deste ano.

“É uma tragédia social. Só o aumento da cobertura vacinal poderá viabilizar uma maior flexibilização das medidas restritivas para a retomada das atividades econômicas no Amazonas, além da manutenção dos cuidados preventivos como uso de máscaras, de álcool em gel e o isolamento social, evitandos as aglomerações”, disse ele.

Das mortes registradas por Covid-19, 70% foram de pessoas acima dos 80 anos, a faixa etária de maior vulnerabilidade ao coronavírus. “Já perdemos pelo menos 8% de nossa população de idosos no Estado durante a pandemia”, acrescentou Cristiano Fernandes.

A sazonalidade no clima do Amazonas, diferente de outras regiões do País, é outro fator que contribui para a disseminação do coronavírus, segundo Cristiano Fernandes. Ele explica essa época de estação chuvosa responde por 90% das doenças respiratórias registradas na região.

“São contextos extremamente complexos que precisamos entender ainda no cenário da pandemia sobre as questões dos impactos epidemiológicos e o que virá ainda”, enfatizou ele.

Participação de todos

O senador Plínio Valério afirmou que a construção de uma agenda positiva de enfrentamento à pandemia, o principal foco dos debates do primeiro Visão JCAM do ano, só será possível com uma participação efetiva dos principais atores da sociedade civil e do poder público – governo, prefeituras, cientistas, empresários e industriais.

“Nós, políticos, somos apenas o instrumento e vozes da sociedade para levar as necessidades às esferas superiores. Vocês têm que nos dizer o que é realmente necessário para o enfrentamento à pandemia”, enfatizou o parlamentar. “E vejo que, nesses debates, a vacinação é um ponto comum para a segurança que almejamos na saúde e em toda a atividade econômica”, acrescentou Valério.

O senador informou, ainda, que a bancada do Amazonas (deputados federais e senadores) viabilizaram vários recursos por meio de emendas parlamentares para a pandemia no Amazonas. E disse que agora todos estão empenhados em sensibilizar a comunidade internacional para o envio de mais vacinas ao Amazonas.

Ele disse que a rodovia BR-319 é de extrema importância para promover um maior intercâmbio comercial e fortalecer a ZFM (Zona Franca de Manaus). “O modelo é importante para manter a floresta em pé. Mas precisamos também que a nossa população se beneficie de outras atividades sustentáveis explorando adequadamente esses recursos naturais”, ressaltou.

O professor e pesquisador Henrique Pereira disse que, ao contrário do veiculado na mídia e nas redes sociais, a população amazonense se esmerou e fez uma grande dose de sacrifícios para evitar a disseminação da Covid-19 na região.

“Em 31 de janeiro, chegamos a ter 56% de isolamento social em Manaus. É o maior índice já registrado em uma capital brasileira que se manteve durante vários dias na cidade. Não são justas as informações de que não fizemos nada para enfrentar a pandemia, que ficamos inertes”, afirmou o professor da Ufam.

De acordo com Henrique Pereira, o projeto Atlas, do qual é coordenador, mensura os dados epidemiológicos sobre a pandemia no Amazonas tendo como parâmetros a Agenda Global das Nações Unidos que quer erradicar a pobreza até o ano de 2030.

“Fizemos uma série de estudos nos 62 municípios do Amazonas verificando possíveis relações sobre o comportamento da população com os picos da pandemia, os cursos clínicos da doença. E corroboramos com a ideia da importância de isolar as pessoas para a redução da Covid-19”, afirmou. “E, felizmente, os indicadores mostram uma tendência de declínio”, acrescentou.

Fome em casa

O empresário Ralph Assyag disse que o comércio está fazendo a sua parte. E que a CDL-Manaus mantém, hoje, seus 22 diretores, cada um sendo responsável por um segmento. Ele enfatizou que em nenhum momento a categoria pode ser responsabilizada pela disseminação da Covid-19 em Manaus.

“Hoje, seguimos à risca todos os protocolos de segurança como determinam as autoridades de saúde. E acompanhamos de perto as lojas para checar se, realmente, todas elas estão cumprindo as medidas preventivas”, salientou ele.

Segundo Assayag, o comércio é o segmento que mais emprega hoje em Manaus, respondendo por 67% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) arrecadados pelo governo do Amazonas e pela prefeitura de Manaus.

“Hoje, o maior empregador do Estado do Amazonas se chama comércio. Temos 395 mil pessoas trabalhando com carteira assinada. E é dos 67% de ICMS que o governo do Estado e a prefeitura arrecadam de onde vêm os recursos para cobrir as demandas de serviços da  sociedade como um todo”, disse o empresário.

De acordo com Ralph Assayag, Manaus já perdeu 22 mil postos de trabalho e 1.500 empresas foram obrigadas a fechar as portas com as medidas restritivas por conta da pandemia de coronavírus.

“Não estamos aqui criticando as medidas do governo.  Concordamos que os decretos foram necessários. Mas alertamos que a arrecadação vai cair violentamente, impactando nas contas de todos os municípios do Estado”, afirmou ele.

O presidente da CDL-Manaus lembrou que o comércio foi autorizado a voltar a funcionar parcialmente, mas continua parado durante os melhores horários em que o movimento de clientes é maior, mais denso.

“Entre 20h e 22h, é o período em que os shoppings recebem mais consumidores. Os restaurantes estão operando também abaixo de suas capacidades. Tudo isso compromete as contas das empresas”, disse.

Assayag conta que chegou a receber empresário falido, chorando, desesperado, por não ter o que comer com seus familiares, levar o sustento para casa. “Chegamos a reunir 38 mil cestas básicas para suprir essas pessoas necessitadas. É muito duro ver o cara chorando, impactante mesmo”, afirma.

Foto/Destaque: Divulgação

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