5 de julho de 2022
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Aplicativo ELLA: Universidade e saúde pública atuando junto pela saúde das mulheres

Na estrutura social em que vivemos, as mulheres são vistas como pessoas frágeis e, consequentemente, fracas. Após milhares de anos, esse pensamento continuou perpetuando na mentalidade da população, o que acabou se tornando uma ‘’verdade indiscutível’’.

O desenvolvimento social e a luta de classes trouxeram às mulheres direitos básicos como o voto e o trabalho. Por conta dessa mesma estrutura social, as figuras femininas passaram a terem jornadas duplas de trabalho, uma vez que possuem responsabilidades com seus empregos e com a criação de seus filhos. O acumulo de tarefas e estresse fazem com que outras questões, como a saúde, sejam esquecidas e engolidas por problemas maiores. 

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Amazonas possui a maior média brasileira de câncer de colo do útero do Brasil, cerca de 102,3%. Em outras palavras, a cada 100 mil habitantes, 33,08 mulheres apresentam a doença no Estado.

A especialista, Marília Muniz, afirma que é imprescindível que a mulher realize exames com uma certa frequência para verificar se está indo tudo bem. “Agendar-se com antecedência para consultas com ginecologista, mastologista e outros especialistas, é um ato de amor próprio. Lembramos que, na oncologia, o principal ditado é: quanto mais cedo o câncer é descoberto, maiores são as chances de cura”, aponta Muniz.

Sancionada pelo Governo do Amazonas, a Lei 4.768/19, dá destaque ao movimento Março Lilás, que promove ações de conscientização e conta com o apoio de agentes de saúde para distribuir informação e conversar com mulheres que não possuem tanto acesso aos meios de propagação de notícias. Em unidades de saúde, há também rodas de conversas que tratam e esclarecem dúvidas relacionadas ao assunto.

Mesmo com o alto número de pessoa com a doença, a informação de como se proteger, por exemplo, ainda não chega a todos os cantos do Amazonas. A falta de métodos para alertar juntamente com o isolamento geográfico, faz com que muitas mulheres deixem de acompanhar sua saúde como deveriam.

Pensando em formas de ajudar no combate a desinformação, a Universidade Federal do Amazonas em parceria com a FCECON (Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas) e a FAPEAM (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), desenvolveram o aplicativo móvel ELLA, que possibilita o acompanhamento e armazenamento de dados sobre a saúde das pacientes do sistema público de saúde. 

O aplicativo, segundo a professora Rosana Moysés, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Ufam, funciona como uma caderneta da mulher. Na interface, é possível armazenar foto de exames, assim como seus resultados, além da criação de alertas para realização de procedimentos, registrar o ciclo menstrual e sintomas durante este período.

A funcionalidade é voltada para mulheres de baixa renda, que possam vir pelo menos uma vez a zona metropolitana para conseguir baixar o aplicativo em um telefone móvel. Com o aspecto fácil e objetivo, o ELLA funciona sem o acesso à internet. 

Disponível de forma gratuita, o lançamento do produto surgiu como uma porta de esperança para tentar frear os números alarmantes registrados nos últimos anos. Somente em 2020, o câncer de colo de útero levou a vida de 277 mulheres amazonenses, que poderiam ter sido evitadas se houvesse diagnóstico e tratamento precoce.

A integração das vertentes públicas em prol de um bem maior ainda contou com a participação do Instituto de Computação da UFAM. Responsáveis pela interface do aplicativo, os colaboradores desenvolveram o produto pensando em facilitar ao máximo o entendimento de quem irá utilizar do recurso, como explica o idealizador Raimundo Barreto.

‘’O funcionamento do aplicativo ele é bastante simples. Após fazer o download na PlayStore e fazer a instalação do aplicativo ELLA, a mulher terá que fazer um breve cadastro e a partir deste cadastro, ela já estará pronta para usar o aplicativo’’, destacou Barreto.

A mobilização da iniciativa pública em diminuir as estatísticas do Estado se torna uma salvação para a vida de muitas mulheres. É claro que o problema não será resolvido de uma hora para outra, mas oferecer um serviço de qualidade e de fácil manuseio para quem geralmente vive à margem da sociedade é dar voz e escutar quem muitas vezes deixa de cuidar de si própria por falta de tempo ou distância.

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