São Benedito ganha programação na Praça 14

A cultura africana em destaque. A Comunidade do Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito, no bairro Praça 14, aproveita os festejos de São Benedito para lançar uma programação que valoriza os costumes, tradições, músicas, danças e comidas do povo negro. A festa vai até o dia 12 de abril.
A agenda de atividades começou no dia 29 de março, com a “retirada do mastro da mata”. O mastro de uma árvore Envira é o símbolo da festa –realizada há 125 anos -e representa a ligação entre o céu e a terra. “O mastro é retirado da floresta uma semana antes do início do novenário de São Benedito e durante esse período preparado para a festa, sendo descascado, enfeitado com samambaias, frutas verdes, fitas vermelhas e recebendo uma bandeira de São Benedito”, explica uma das organizadoras dos festejos, Jamily Souza da Silva. Ele é erguido no local da festa no primeiro dia do novenário, marcado para este sábado (4).
Até o dia 12 de abril, o encontro para as orações é realizado diariamente, a partir das 20h. No encerramento, a festa vai começar às oito da manhã, em frente à casa onde está o altar e imagem de São Benedito (na rua Japurá, nº 1.360, Praça 14).
No fim da tarde, às 17h, inicia a procissão, que percorrerá as ruas Japurá, Jonathas Pedrosa até à rua Tarumã, onde haverá a missa em louvor a São Benedito, na igreja de Nossa Senhora de Fátima. Após a celebração, a procissão voltará para o ponto de partida, percorrendo as ruas Jonathas Pedrosa, Ramos Ferreira, Emílio Moreira e Japurá.
A partir das 19h, haverá o derrubamento do mastro e distribuição de comidas como vatapá com arroz, bolos, salgados e a tradicional bebida “aluá”, além de água e refrigerante.
Pela primeira vez, a festa ganha patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura, por intermédio de edital de credenciamento nº 01/2005. O edital está disponível no site www.editaisculturamazonas.com. “A cultura africana tem importância fundamental para a formação cultural do Estado. Essa festa está passando por uma grande reformulação e nos orgulhamos em participar da disseminação desses costumes e tradições”, afirmou o governador do Amazonas, José Melo.
Por isso, as ações culturais do evento serão incrementadas. Além de distribuição de filme-documentário sobre a festa, haverá ainda apresentação e distribuição de filmes, apresentações de grupos folclóricos com temática africana, rodas de capoeiras, além de shows de hip hop e distribuição gratuita de comida.
“Queremos mostrar que essa festa não é apenas um ato religioso, mas uma celebração aos costumes de um povo que esteve sempre ligado à formação cultural do Amazonas. Quem for à festa vai entender que os negros vindos da África tiveram importante ligação com a cultura regional e a construção do Teatro Amazonas é apenas uma dessas ações”, o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, faz o convite.
Uma das novidades deste ano é o retorno da tradicional “Banda do Dedé”. Dedé era um morador da comunidade e durante quase 30 anos (entre as décadas de 1970 e 1990) foi o responsável por tocar o “Hino de São Benedito” durante todos os dias de festa. Depois de sua morte (no final da década de 1970) esta tradição ficou deixada de lado e há mais de 15 anos o Hino de São Benedito não era tocado por uma banda.

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