Saldo positivo da Semana do Brasil no Amazonas

O varejo do Amazonas fechou a terceira edição da Semana do Brasil com saldo positivo no volume comercializado, mas o resultado ficou aquém do esperado. Embora os números referentes a edição amazonense do Black Friday brasileiro ainda não tenham sido consolidados, as lideranças do setor ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio são unânimes em apontar que o crescimento ficou abaixo da projeção inicial, que era de 5% a 7% sobre o dado de 2020. As vendas não decolaram, apesar da base de comparação enfraquecida pelas medidas sanitárias mais severas do ano passado. 

A expectativa dos lojistas era significativa. Um dos motivos estava nos desempenhos acima das metas nas três datas comemorativas anteriores –Dia das Mães, Dia dos Namorados e Dia dos Pais. O outro era o refluxo das estatísticas da Covid-19, em paralelo com o avanço da vacinação, que permitiu ao governo estadual flexibilizar os parâmetros para realização de promoções, além de gerar mais confiança ao consumidor –pelo menos do ponto de vista sanitário. Mas, segundo as entidades classistas, a turbulência política e o cenário econômico adverso de inflação, desemprego, juros altos e aumento de custos generalizados, entre outros, contribuíram para minar os resultados.

O presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, informa que os shoppings tiveram um movimento “muito bom”, principalmente em suas praças de alimentação, já que “as pessoas queriam ir para rua”. Supermercados, assim como lojas de eletroeletrônicos e de confecções, também tiveram “um bom resultado”. O ticket médio ficou em torno de R$ 80 e os meios de pagamento preferenciais foram cartão de crédito, dinheiro e Pix, nessa ordem.

“O Pix vem crescendo, porque muitas empresas têm suas plataformas que dão mais segurança. Em termos de volume de vendas, o maior número veio das lojas de eletrônicos. Outro segmento que vem buscando crescer também é a linha branca, mas não tem como termos uma base correta. Tivemos algumas vendas que nós não sentimos para onde foi ou como foi. Ficaram registradas, mas há cautela pelo volume do valor. Uma geladeira ou fogão têm valores bem altos e ainda não deu para sentir se foi isso o que aconteceu. Vamos deixar para acompanhar no ano que vem e trabalhar para 2022”, comentou.    

“Poder de compra”

No entendimento do presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, a Semana do Brasil ocorreu “dentro do esperado”, em âmbito local. O dirigente lembra que setembro costuma ser um mês tradicionalmente fraco para a atividade, por não contar com apelos sazonais ao consumo, motivo pelo qual o governo federal teria incentivado a criação da nova data, em 2019. Reforça também que o varejo já vem de um período de vendas em baixa, em virtude principalmente da inflação e do desemprego. 

“As pessoas estão perdendo o poder de compra e isso está afetando todas as camadas do setor. Pelo que conversamos até o momento, o balanço é que as vendas foram razoavelmente boas. Não foram excelentes, mas também não foram ruins. Não tenho o percentual exato, mas diria que, como um todo, a Semana do Brasil foi positiva. Com certeza foi melhor do que não ter nenhum tipo de promoção. Esperávamos um crescimento de até 7%. Não temos o número fechado, mas com certeza não chegamos a isso”, ponderou.

O presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, concorda que a demanda não cresceu, em virtude de “fatores psicológicos” negativos que tiram a confiança do consumidor. Mas, o dirigente observa que a inflação também recai sobre o setor e sua capacidade de oferta e lembra que o varejo enfrenta aumentos de custos pelas altas dos combustíveis, energia e juros bancários, além de sofrer piora no quadro logístico e os efeitos da instabilidade política. 

“Tivemos uma desarticulação nos portos da China e, em muitas partes do mundo, estão faltando contêineres ou navios, ou os dois. Com isso, o frete de um contêiner saltou de US$ 2.500 para US$ 20 mil, em apenas três meses. os custos operacionais cresceram pelo aumento dos combustíveis e da energia. A expectativa para a Semana do Brasil era boa. Mas, com crise política, sem mercadoria e com a demanda sem crescer, fica difícil. Tanto é que os dados da arrecadação da Sefaz já mostram uma queda de mais de 13% no recolhimento do ICMS do setor, entre julho e agosto”, apontou. 

Lojas e empregos

Mais otimista, e novamente sem falar de números, Ralph Assayag reforça que os resultados ficaram dentro das perspectivas, que são “sempre positivas”. Segundo o dirigente, o varejo teve crescimento porque, do ano passado para cá, já houve uma melhoria “muito grande” na quantidade de consumidores circulando pelas lojas e buscando compras. O dirigente acrescenta ainda que os comerciantes já vinham trabalhando para consolidar a Semana do Brasil junto aos consumidores e avalia que a data comemorativa pode crescer muito no futuro.

“A expectativa é sempre positiva. Se é [de crescimento de] 1%, 2% ou 3%, ótimo. Não pode ser negativo, e conseguimos dar o positivo. O aspecto sanitário é muito importante. O decreto dizia que não poderia haver nenhum tipo de promoção. Conseguimos que a FVS-RCP (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra Rosemary Costa Pinto) liberasse, na Semana do Brasil. Foi um diferencial muito importante. Estamos com um número muito baixo de mortes e internações por Covid-19 e, graças a Deus, não houve crescimento [nas estatísticas], mesmo com a promoção”, amenizou.  

O presidente da CDL-Manaus descartou eventuais efeitos negativos nas vendas da Semana do Brasil, em virtude do Sete de Setembro atípico deste ano. “Isso não toca a nada. Pelo contrário: temos de diminuir o número de feriados e tocar a vida de forma normal. Quanto menos feriados tivermos neste momento, principalmente os que encaixam em segundas e sextas-feiras, melhor. Assim, teremos como produzir, vender e dar emprego”, opinou.  

Questionado se o resultado da Semana do Brasil pode ser um termômetro para o setor, o dirigente pontuou que fica difícil fazer estimativas e programações para o próximo mês, porque “tudo muda muito rápido”. Mas, disse que os comerciantes esperam que as novas lojas que estão aportando em Manaus, assim como os supermercados, drogarias e demais estabelecimentos que abriram recentemente, devem “incrementar” o final do ano. “Se pudermos atender uma perspectiva de contratações de 4.000 trabalhadores, poderemos dizer que essas pessoas vão ter salários e um pouco mais gastos nesse momento. Precisamos de mais lojas e empregos”, finalizou.   

Foto/Destaque: Divulgação

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