Saldo de empregos do Amazonas cresce em julho

O saldo de empregos com carteira assinada cresceu pelo quinto mês seguido, no Amazonas, entre junho e julho, e bate recorde. No total, foram criados 7.286 postos de trabalho celetistas, gerando alta de 1,68% na variação mensal, dada a predominância das admissões (+20.640) sobre os desligamentos (-13.354). Foi um resultado superior ao registrado no mês passado (+1,27% e +5.423), na melhor performance em mais de 12 meses. Os acréscimos se concentraram principalmente em Manaus (+6.992 e +1,76%), sendo novamente puxado pelo setor de serviços.

O desempenho mensal do Amazonas bateu mais uma vez as médias nacional (+0,77%) e da região Norte (+1,18%). Com a nova performance positiva de julho, o Estado conseguiu se manter no azul nos saldos dos acumulados do ano (+4,70% e +19.794) e dos últimos 12 meses (+10,53% e +42.009), com ajuste. O estoque – que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos – registrado no mês passado foi de 442.792 ocupações formais. Os números estão na mais recente edição do “Novo Caged”, divulgada pelo Ministério da Economia, nesta quinta (26).

A mesma base de dados informa que o Brasil apresentou saldo de 316.580 empregos celetistas, em julho, em decorrência de um novo predomínio das contratações (+1.656.182) sobre as demissões (-1.339.602). Impulsionado por comércio e serviços, o resultado superou junho (309.114), maio (+280.666), abril (+120.935) e março (+184.140), mas ainda ficou aquém da marca de fevereiro (+401.639) deste ano. No acumulado de 2021, foram criadas 1.848.304 vagas (+3,17%), levando o estoque a contabilizar 41.211272 vínculos empregatícios em todo o país. 

No texto de divulgação do “Novo Caged”, o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, avaliou que os números de julho reafirmam o saldo das políticas do governo federal para o enfrentamento da pandemia, a exemplo do BEm (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego) e do auxílio emergencial. O novo ministro enfatizou ainda a vacinação em massa e os programas de crédito, que teriam ajudado na recuperação da atividade econômica e na retomada do emprego. 

Serviços na frente

Assim como ocorrido nos dois últimos meses, todos os cinco setores econômicos listados no Amazonas pelo “Novo Caged” conseguiram saldos positivos, entre junho e julho. Em números absolutos, o melhor dado veio novamente dos serviços, que abriu 3.162 novas vagas celetistas, gerando acréscimo de 1,64% em relação ao estoque anterior – e com número ainda melhor do que o de junho (+1.999). A maior parte dos empregos veio das atividades administrativas e serviços complementares (+2.207 ocupações), assim como de alojamento e hospedagem (+335) e atividades profissionais, científicas e técnicas (+316).

Em um mês sem nenhuma data comemorativa para incentivar o consumidor a comprar, o comércio conseguiu retomar a segunda posição, em julho. O setor –que reúne também a atividade de “reparação de veículos” – registrou alta de 1,80% e abriu 1.857 novos postos de trabalho. Os resultados foram novamente melhores no varejo (+1.488), do que no atacado (+257) e no subsetor de veículos (+112).

Com geração de 1.581 postos de trabalho formais, a indústria ocupou a terceira posição e avançou 1,43% ante o estoque do mês passado. A maior parte das novas vagas veio da indústria de transformação (+1.440), seguida pela indústria extrativa e a divisão de água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação (ambas com +74). O destaque negativo veio, mais uma vez, do segmento de eletricidade e gás (-7 ocupações).

O setor de construção (+678) veio na sequência, e novamente com a maior alta proporcional da lista (+2,88%), sendo puxada pelos serviços especializados para construção (+558), em detrimento das obras de infraestrutura (+100) e da construção de edifícios (+20).  Já a agropecuária voltou a ficar na última colocação, com a geração de apenas oito vagas e variação de 0,24% ante o estoque anterior. 

No acumulado dos sete meses iniciais de 2021, a dinâmica se repetiu. O setor de serviços (+8.183) foi o que mais abriu novos postos de trabalho e cresceu 4,35%, sendo seguido por indústria (+5,54% e +5.889 vagas) e comércio (+3,17% e +3.219). Embora tenha ficado no quarto lugar do ranking, a atividade de construção civil (+2.362) também foi a que mais cresceu nesse tipo de comparação (+10,82). Já a agropecuária avançou 4,35%, de janeiro a julho e criou 141 novos empregos. 

Calendário diferenciado

O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas, Aderson Frota, observa que tradicionalmente os setores de serviços e comércio são os maiores empregadores do Estado, em números absolutos, além de serem também os campeões da arrecadação, em tempos normais. No entendimento do dirigente, a primazia das contratações naquele, em detrimento deste, se devem especialmente no calendário diferenciado das flexibilizações governamentais pós-segunda onda.

“Tivemos um período em que sofremos uma série de restrições, no começo do ano. O comércio reabriu em 9 de março e os postos de trabalho que tinham sido eliminados foram, aos poucos, se reconstituindo. Os serviços permaneceram com algumas limitações, que foram caindo depois, e o setor está agora em sua plenitude. É preciso considerar, por outro lado, que o varejo perdeu muitos empregos, mas nossa perspectiva é focar no segundo semestre. Esperamos maior volume de vendas e postos de trabalho”, ponderou. 

Confiança e gargalos

Já o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, avalia que os dados do “Novo Caged” refletem a retomada esperada da indústria que “em tempos de crise é a primeira a entrar, mas também é a primeira a sair”. No entendimento do dirigente, o principal fator do crescimento do emprego na indústria é o restabelecimento da confiança do consumidor brasileiro, diante do processo de imunização contra a covid-19.

“A pandemia trouxe desajustes no fluxo de suprimentos. Ainda enfrentamos alguns gargalos na falta de componentes, de embalagens de papelão, de containers e de rotas de navios de longo-curso para Manaus. Mas, acreditamos que a lei de oferta e procura deve fazer com que os obstáculos sejam superados, no médio prazo. Temos confiança de que os próximos meses serão animadores, devido à sazonalidade da produção voltada às vendas de fim de ano. Esperamos manter o otimismo na geração de empregos para atender as encomendas”, arrematou.

Foto/Destaque: Divulgação

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