Saída do superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, é oficializada

O que era apenas um rumor desde esta segunda (1º), foi finalmente confirmado no começo da noite desta quarta (3), com a postagem da carta de despedida do superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, após quase um ano e três meses no cargo. A autarquia ainda não dispõe de informação oficial, mas o Jornal do Commercio apurou que o general Algacir Antonio Polsin foi confirmado no cargo e que a expectativa é que sua nomeação aconteça até esta sexta (5).

Em sua carta de despedida, Alfredo Menezes, não dá pistas dos motivos de seu súbito desligamento. Sites de notícias informam que a substituição seria produto de negociação de apoio político entre o presidente Bolsonaro e lideranças da chamada ala do “Centrão” do Congresso Nacional. Para compensar o trabalho e a dedicação do ex-superintendente, o presidente teria indicado Menezes para assumir a Secretaria Nacional da Amazônia, o que não foi confirmado até o fechamento desta edição.

“Quero me dirigir a sociedade amazonense informando que na data de hoje finalizo, a pedido, mais uma honrosa missão de proteção à Amazônia brasileira. (…) Ao finalizar esta missão com o pedido de exoneração (em anexo) do cargo de Superintendente, deixo o cargo com o mais nobre agradecimento ao Presidente da República, que me confiou tamanha honraria profissional”, assinalou Alfredo Menezes, em sua carta de despedida.

No texto, o dirigente agradeceu também as orientações do Ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, além do apoio do empresariado industrial, comercial e agropecuário da região para avançar com a implementação de ações institucionais no sentido de tornar o modelo ZFM o melhor ambiente de negócios. Ratificou também seu respeito aos colaboradores e servidores do governo federal, além de agradecer o apoio da família.

Apoio do PIM

As lideranças do PIM manifestaram apoio a Menezes. Para o presidente da Fieam, Antonio Silva, sua saída do comando da Suframa surpreendeu, dado seu engajamento e afinco no trabalho e busca de soluções, além da busca dez parcerias que beneficiaram a ZFM, colaboração com novas ideias e dinamismo conferido ao trabalho da Suframa e apoio a questões que melhoraram o PIM. Para o dirigente, o cargo exige uma pessoa que em condições de abrir portas no Planalto e que não seja uma “figura decorativa”.  

“O senhor Menezes deve partir para novas missões, já que sua disposição para o trabalho lhe credencia a novos desafios. Com relação a troca de superintendente, acho que só tende a melhorar, pois o general Polsin é um homem de ação e conhecedor dos problemas regionais. Acredito que dará significativa contribuição para que o órgão continue na busca do desenvolvimento da Amazônia Ocidental. Nós, das classes produtoras, estamos sempre prontos para somar esforços”, afiançou.

Na mesma linha, o presidente do Cieam, Wilson Périco, defende o reconhecimento do trabalho de Menezes, que resgatou o “tamanho da cadeira” e a representatividade da autarquia. No entendimento do dirigente, isso se deu por conta da relação direta que ele tinha com o presidente, o que seria “muito importante” para órgãos como a Suframa. 

“Quero desejar sucesso a ele na nova pasta. Se isso se confirmar, será de grande importância para nós. Quando falamos de novas matrizes, o meio ambiente é uma peça chave para concessão das licenças e desburocratização. Por outro lado, o general Polsin é uma pessoa que conhece muito a nossa região e que sabe da importância da Zona Franca para nosso Estado e para toda a região Norte e o país. Tem também uma boa ligação com o poder central, além do nosso respeito e ajuda no que for possível”, asseverou.   

Políticos se dividem

As lideranças políticas ouvidas pelo Jornal do Commercio se dividem em relação a troca de guarda na autarquia. O deputado estadual Serafim Correa (PSB) salienta que o agora ex-superintendente teve as dificuldades do cargo pela “concentração do poder” decisório sobre os rumos da Zona Franca, em Brasília”. “A expectativa era de que ele conseguisse reverter, o que não aconteceu. Faço votos de que tenha sucesso na sua nova missão na Secretaria Nacional da Amazônia. Faço votos de sucesso também para o novo gestor à frene da Suframa”, encurtou.

Procurados pelo Jornal do Commercio, tanto o presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, senador Omar Aziz (PSD-AM), quanto o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), não quiseram se alongar a respeito da questão e se limitaram a dizer que a decisão cabia unicamente ao presidente da República. “É ele que nomeia e demite. A bancada sempre esteve a sempre estará à disposição de quem quer que seja o superintendente”, reforçou Marcelo Ramos.

Vice-presidente da mesma CAE, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) ressalta que a troca da guarda na Suframa, “de um capitão por um general”, não importa de fato para o Amazonas. O que conta, segundo o político, é a disposição que o novo superintendente terá de defender o Estado e a Zona Franca, e de estar em sintonia com a bancada amazonense no Congresso.

“Espero que o novo superintendente, que é um general identificado com o Amazonas, tenha essa disposição. Não sei os motivos que levaram o coronel Menezes a sair, mas a mudança diz respeito apenas ao presidente da República, que tem a prerrogativa das nomeações. Torço apenas para que o novo superintendente defenda a ZFM com unhas e dentes. E pode contar conosco para isso”, ponderou. 

“Conchavos e acordos”

Já o deputado federal José Ricardo (PT-AM) destacou que, a despeito de circularem informações de que o presidente teria consultado parlamentares da bancada do Amazonas para um novo nome à frente da Suframa, ele – que é da oposição ao governo – não foi procurado. Para o parlamentar, seria mais indicio de que tudo ocorre “na base dos conchavos” e acordos políticos 

“Nada ocorre pela melhoria na gestão da Suframa, ou do desenvolvimento do Amazonas. Da mesma forma, Bolsonaro disse que a implementação da Secretaria Nacional da Amazônia, criada em 2019, seria uma busca de união pelo desenvolvimento da região. Mais uma mentira. Até hoje, não sabemos como irá funcionar e nem quais interesses por trás da proposta. Só que mais um aliado político irá assumir o cargo”, concluiu. 

Saiba quem é o novo superintendente da Suframa

Nascido em 23 de novembro de 1964 e na reserva ativa do Exército Brasileiro desde 13 de setembro de 2019, o futuro superintendente da Suframa conta com largo currículo militar e já foi comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, em Boa Vista (RR), chefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar da Amazônia e chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia.

O general Algacir Polsin coordenou e participou de diversas operações de Garantia da Lei e da Ordem, de Garantia de Votação e de Apuração nas Eleições, além de combate a ilícitos transfronteiriços e ambientais, e de apoio humanitário na Amazônia – incluindo inúmeras atividades de apoio às comunidades indígenas. As ações normalmente foram realizadas em ambientes conjunto e interagências, de forma integrada e harmônica.

Fonte: Marco Dassori

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